
Analisando o percurso de
PRIVATE PROPERTY, realizado em 1960 por Leslie Stevens que, com este filme, pretendeu unir o comercialismo do
noir americano da época com um cinema tipicamente
art-house, é fácil depreender as razões porque esteve desaparecido durante mais de cinquenta anos, até à sua recente redescoberta no arquivo fílmico de uma universidade.
Apesar do conteúdo de
PRIVATE PROPERTY nos parecer, hoje em dia, sobejamente tímido, a abordagem franca, para o seu tempo, à sexualidade colocou-o rapidamente em rota de colisão com os censores do cinema comercial norte-americano. Frustração sexual feminina, simbolismo erótico, sugestão de nudez e de relações sexuais, inquietação social e crítica ao capitalismo empolgam um argumento que, logo à partida, escolhe a figura do violador psicopata como um dos seus protagonistas.
Quando o filme estreou num cinema de Nova Iorque, em Abril de 1960, fê-lo sem a aprovação da
Motion Picture Production Code, ao qual se somaram uma condenação pública por parte da
Legion of Decency e uma apreciação crítica pouco favorável.
A sua retirada das salas foi célere. Nos anos seguintes,
PRIVATE PROPERTY viu-se relegado para o circuito do
art-house europeu (foi particularmente bem recebido na Dinamarca, em 1965) e exibido, muito ocasionalmente, em projecções privadas.




O processo de redescoberta de
PRIVATE PROPERTY só agora começou. Para além da localização de uma cópia, esta obra virtualmente desconhecida de Leslie Stevens (mais conhecido por ter sido um dos criadores da série de culto
The Outer Limits) promete reescrever, em parte, a História do
film noir norte-americano, havendo já quem o considere como "
o elo perdido na transição do género para os anos sessenta".
[Fonte: Bright Lights Film Journal.][Fotos: Bright Lights Film Journal e Movielegends.]