sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O primeiro filme a cores da História... — 2ª parte



O processo patenteado por Edward Raymond Turner, o criador dos primeiros filmes a cores da História do Cinema e que ontem aqui se destacou, assim como o seu restauro levado a cabo pelo National Media Museum, são detalhados neste breve, mas profundamente didáctico, vídeo institucional, onde se depreende a precisão, minuciosidade e paixão inerentes ao restauro de película centenária:



[Fonte: Canal do YouTube do National Media Museum.]
Agradecimento especial: Paulo Soares.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O primeiro filme a cores da História...



... não pertence a nenhum dos nomes incontornáveis da Sétima Arte.

A partir de hoje, esse "galardão" terá de ser atribuído a Edward Raymond Turner, que em 1899 patenteou, em Londres, um processo de colorização anterior ao Kinemacolour (inventado em 1909 e geralmente aceite como o primeiro método de colorização em cinema).

As experiências primordiais desse processo foram recentemente descobertas, 110 anos depois de terem ficado armazenadas e esquecidas numa pequena bobina, e restauradas pelo National Media Museum, sediado em Bradford.



O aspecto dos genuínos primeiros filmes a cores do Cinema — sim, observamos aqui à reescrita da História desta arte — podem ser agora apreciadas em todo o seu peculiar esplendor:



Entre as diversas conclusões que se podem extrair desta notícia, uma é inegável: a película de nitrato continuará a ser um manancial para uma redescoberta da História, seja ela artística ou não, tal como a conhecemos.

[Fonte: BBC News e NewScientist.]
Agradecimento especial: Paulo Soares.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Hollywood vs. 35mm — 5ª parte



Film Is Dead? Long Live Movies — How Digital Is Changing the Nature of Movies é o título de um artigo publicado hoje pelo New York Times que analisa o impacto da progressiva conversão ao digital por quem faz e produz Cinema nos nossos dias.

A.O. Scott e Manohla Dargis, os dois principais críticos de cinema daquela publicação, analisam os efeitos de uma revolução que está, como nunca se observou, a alterar significativamente o modo como percebemos um filme. Ficam aqui as principais observações de cada, num artigo de leitura integral obrigatória para os interessados neste tópico cada vez mais propício ao debate:


imagem de THE MASTER, de Paul Thomas Anderson, inteiramente filmado em película de 70mm.

A.O. SCOTT:

«De acordo com uma emergente sabedoria convencional, a película [no original, "film"] acabou. Se assim for, poderemos continuar a apelidar os realizadores de filmmakers? Ou esse título ficará reservado apenas para alguns irredutíveis como Paul Thomas Anderson, cujo novo filme, THE MASTER, foi rodado em 70mm? Não é que o nosso trabalho alguma vez tenha sido criticar o estado de bobinas de celulóide assim que saem das suas caixas; escrevemos sobre as histórias e as imagens gravadas naquele formato. Mas a mudança do fotoquímico para o digital não é uma questão simplesmente técnica ou semântica.»

«A qualidade de imagem melhorou rapidamente, e a última década proporcionou alguns exemplos impressionantes de realizadores que transformaram o digital numa vantagem estética. O plano-sequência de noventa minutos, pelos corredores do Heritage Museum, que compõe A ARCA RUSSA de Alexander Sokurov, é um artefacto especificamente digital. O mesmo se pode chamar à paisagem nocturna de Los Angeles em COLATERAL, de Michael Mann, e os rugosos campos de batalha em CHE, de Steven Soderbergh, nunca existiriam sem a luz, mobilidade e relativa moderação financeira de uma câmara RED.»

«Outra interessante questão filosófica é se, ou até que ponto, [o Cinema] continuará a ser a mesma expressão artística. Poderão as narrativas produzidas e distribuídas em formatos digitais divergir de forma tão radical daquilo a que chamamos "filmes" que não conseguiremos reconhecer uma ligação genética? Irá o novo cinema digital absorver totalmente o seu percursor, ou poderão coexistir? Por mais dramática que esta revolução possa ser, certo é que estamos ainda na sua fase primária.»


imagem de COLATERAL, de Michael Mann, cujas sequências nocturnas foram inteiramente registadas com câmaras digitais.

MANOHLA DARGIS:

«O film da película não é só um imperativo tecnológico; também é uma questão económica.(...) Tal como escreve o teórico David Borwell, 'a conversão dos teatros de 35mm para a exibição digital foi concebida por e para uma indústria caracterizada pela distribuição em massa, saturação do mercado e lucro rápido. Face a este avassalador plano de negócios, o filme em película afigura-se como obstáculo'.»

«Não sou anti-digital, embora prefira a película: gosto do grão e textura visual da película, e mesmo cópias razoavelmente conservadas conseguem ser melhores que uma em digital. E sim, o digital pode ter um aspecto surpreendente se o realizador — Soderbergh, Mann, Godard, David Fincher ou David Lynch, por exemplo — e o projeccionista tiverem esse empenho.»

«A imagem de um filme é criada pela luz que se materializa em algo que existe — existia — em tempo e espaço reais. É nesse sentido que a película se torna testemunha da nossa existência. No entanto, ouvi o grande artista vanguardista Ken Jacobs — que projecta imagens em movimento criadas a partir de obturadores, lentes, sombras e as suas próprias mãos — dizer que o Cinema não está dependente da película; tem de ser magia.»

[Fonte: The New York Times.]

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Da Película para o Digital #5



FEAR AND DESIRE (1953), drama simbólico de guerra, é o primeiro filme e, muito provavelmente, o menos conhecido da carreira de Stanley Kubrick.

Muito descontente com o resultado final, Kubrick dedicou imenso tempo e dinheiro na aquisição de todas as versões existentes, independentemente do formato, de FEAR AND DESIRE, com o intuito de impedir qualquer exibição do filme após o seu ano de estreia. Uma vontade nunca concretizada.

A Library of Congress conservou uma cópia, em 35mm, do filme, agora restaurada e transferida para Blu-Ray na edição que a Kino Lorber disponibilizará a partir do próximo mês de Outubro (onde também se inclui THE SEAFARERS, curta-metragem assinada por Kubrick).

E que melhor apresentação poderá existir do que a apresentação do "antes e depois" do restauro digital de FEAR AND DESIRE?



[Fontes: CriterionCast e indieWIRE.]

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Hollywood vs. 35mm — 4ª parte



Ainda sobre SIDE BY SIDE, análise documental produzida por Keanu Reeves sobre a "guerra" entre película e digital no cinema contemporâneo, continuam a surgir pequenos depoimentos de intervenientes do filme:

James Cameron: «24 frames a second isn't real. That's still pictures being displayed. And we're aware of it, we know it's not real, we know that when we're watching a movie it's not real.»



Ed Lachman, director de fotografia: «The point-of-view of the camera is the storytelling of the camera. So, just because you can shoot more footage doesn't make the film a stronger film.»



Greta Gerwig, realizadora: «It's faked, we didn't shoot it on 35mm black and white, but we'll be able to create the effect of it. Which I kind of feel uncomfortable with, but also kind of 'It looks great!'.»



Jost Vacano, director de fotografia: «Why do people shoot with digital cameras? It's an ego thing.»



P.S.: recordem a primeira e segunda partes do debate.

[Fonte: Canal YouTube do Tribeca Film Festival.]

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AlamoScope — a inovação chega em 70mm



O Alamo Drafthouse anunciou, recentemente, a aquisição de uma máquina de projecção de película em 70mm e pretende fazer uso extensivo da mesma com uma programação intitulada AlamoScope.



Até ao final do ano, estão garantidas as projecções, naquele formato, de WEST SIDE STORY — AMOR SEM BARREIRAS (1961), INDIANA JONES E A GRANDE CRUZADA (1989), BARAKA (1992), OS CAÇA-FANTASMAS (1984), THE MASTER (2012), CLEÓPATRA (1963) e PLAY TIME — VIDA MODERNA (1967).



Numa entrevista ao site Movies.com, Tim League, co-fundador do Alamo Drafthouse, partilha os detalhes de um posicionamento de mercado assumidamente oposto à dinâmica contemporânea de exibição de cinema e não se acanha em expressar a importância dos formatos 35mm e 70mm para a preservação da memória cinematográfica:

Movies.com: Qual é, para si, a importância do 70mm?

Tim League: Todos falam sobre o 35mm, do fim da película e do cinema mas, e com toda a minha solidariedade sobre as implicações disto junto das salas que exibem e programam cinema de qualidade nesse formato, o 70mm está muito mais ameaçado. Em primeiro lugar, são raríssimos os locais que exibem em 70mm, é um formato que já ninguém utiliza. E estamos a falar de uma das formas mais grandiosas de ver cinema que alguma vez existiu.

Foram várias as circunstâncias que nos levaram a perceber que estamos na altura certa para investir neste género de infra-estrutura, de forma a sermos capazes de projectar em 70mm na nossa principal sala, o Ritz. A principal circunstância terá sido a inesperada decisão de Paul Thomas Anderson filmar [THE MASTER] em 70mm nos dias de hoje. Ele foi a inspiração.

[Fonte: Movies.com.]

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

THE MASTER em 70mm



Realizou-se ontem à noite, no Music Box Theatre em Chicago, a primeira de uma série limitada de projecções em 70mm do novo filme de Paul Thomas Anderson, THE MASTER.

Entre as várias reacções, possíveis de serem recolhidas na rede social Twitter por quem compareceu àquela sessão especial, rapidamente nos apercebemos que se trata de um filme visualmente soberbo. Sobretudo, por recorrer ao 70mm, o formato predilecto de Paul Thomas Anderson...:

Mike Eisenberg: "THE MASTER in 70mm was so gorgeous my eyes nearly exploded."

Mark Colomb: "#themaster was beautiful. Amazing to look at."

Xan Aranda: "Never realize how hungry your eyes are til you see something beauuuutifully shot & projected on film."

Mark Schoeck: "'The Master' was beautiful. What a wonderful experience in 70mm."

Phillip Jackson: "70mm looked amazing such detail yet softness. Felt like IMAX but small screen."

Scott Tobias: "See 'The Master' in 70mm and then talk about digital as 'progress.' Yeah, didn't think so."

Sean Dove: "I can't even express to you how amazing the 70mm picture was in 'The Master.'"

Brian Tallerico: "#TheMaster70mm should make all those who led the charge for digital filmmaking weep in shame."

Lawrence Benedetto: "I'm not at a level capable of reviewing what I just saw, but I know it was absolutely gorgeous in 70mm."

Chris Zois: "Going to need some time to mull over 'The Master.' I will say 70mm is gorgeous."

Ignatiy Vishnevetsky: "You really need 70mm to appreciate all the trouser textures & high waists."

E a lista de elogios, não só à qualidade intrínseca do filme, mas como ao facto de ser rodado e projectado em película de grande formato, é interminável...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Hollywood vs. 35mm — 3ª parte



Ainda sobre SIDE BY SIDE, análise documental produzida por Keanu Reeves sobre a "guerra" entre película e digital no cinema contemporâneo, continuam a surgir pequenos depoimentos de intervenientes do filme (a primeira parte pode ser consultada aqui):

David Lynch: «Anything that interrupts the flow can break a person out. So, you want to get it smooth, and you want it be quiet, so you can hear the subtle little things and then, boom, you're in the big things.»



Dion Beebe, director de fotografia: «What's going to, sort of, remain is this reference to films and this reference to 35mm films.»



Ellen Kuras, directora de fotografia: «I think the biggest crisis that we will have in the digital realm is storage and preservation. The ammount of data that is generated by us, by creating this digital pictures, is mind-blowing, is staggering. How do you preserve that?»



Reed Morano, directora de fotografia: «I’ve shot more 35mm in the past two years than I’ve ever shot in my life.»



Nós avisamos que o debate está para durar...

[Fonte: Canal YouTube do Tribeca Film Festival.]

Projeccionistas de 35mm no YouTube



O fim da projecção em película de 35mm pode ser um dado adquirido, contudo a atenção "internauta" (poderia referir "digital", mas a ironia não é o propósito deste post) às suas especificidades e, inevitavelmente, à profissão do projeccionista nunca foram maiores.

Numa rápida pesquisa pelo YouTube, é possível encontrar diversas registos sobre o tema. Dos mais profissionais, passando por aqueles de puro teor pedagógico, até aos absolutamente espirituosos, todos conseguem transmitir o entusiasmo e dedicação necessários para a projecção em 35mm e constituem um indício de que a nostalgia em torno deste método de exibir cinema, no mínimo, está para durar.











Um paradigma que, em Portugal, não é excepção:





[Foto: NVDaily.]