quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Notas Sobre o Restauro do Ano



Sobre o Blu-Ray de A PAIXÃO DE JOANA D'ARC, de Carl Theodor Dreyer, restaurado pela Masters of Cinema:

«(...) the new restoration, conducted exclusively for Masters of Cinema, is everything I could have hoped for. Given its history (once thought lost, the definitive print was discovered in a mental institution in 1981), I’d be more than willing to forgive whatever issues it presented, of which there are miraculously few. It still contains a fair bit of damage, none of which was distracting in the least, and the notes on the restoration in the booklet maintain that any further attempt to clean up such marks would have left digital artifacts, a casualty I cannot abide and am thrilled to say I did not notice at all in this release. Even still, the film is almost always razor sharp, crisply reproducing Rudolph Maté’s landmark cinematography. Eyes are the windows to the soul and all, and our ability to see with even greater clarity every shimmer of Falconetti’s is central to the purpose of the film. This is one of those ways in which film restoration isn’t just about reproducing the film of celluloid, though it does, but in bringing out the central qualities of the story being told. It is integral.»

Scott Nye, in CriterionCast.com.







[Fonte: CriterionCast.]

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O "Assalto"



«Estamos a observar uma indústria e uma forma de trabalhar que estão a ser assaltadas por uma nova tecnologia. Existia um método fotoquímico de trabalhar em conjunto, e o digital herdou essa metodologia.

Quando Hollywood e o
mainstream adoptaram o digital, cada lugar teve de reencontrar o seu espaço. As pessoas perderam o emprego, indústrias caíram por causa desta transição.

Mas há empregos que estão a ser criados. É um processo natural, e a natureza pode ser, por vezes, brutal. E também pode ser bela.
»

Keanu Reeves, na abertura do Plus Camerimage 2012, onde apresentou o seu filme SIDE BY SIDE.

domingo, 25 de novembro de 2012

Com a morte do formato 35mm, será que os Clássicos terão o mesmo aspecto?



«"Vi a versão digital de um filme realizado por David Lean durante a Segunda Guerra Mundial, e parecia um anúncio televisivo filmado ontem", refere [Thelma] Schoonmaker. "Estava errado, o balanço completamente mau. No original, possuía um visual ligeiramente saturado, e agora vê-se todos aqueles azuis brilhantes. Schoonmaker acredita que os coloristas formados nos últimos dez ou quinze anos "não fazem ideia do aspecto que estes filmes devem ter"».

Para ler, reflectir e debater. "With 35mm Film Dead, Will Classic Movies Ever Look the Same Again?", via The Atlantic.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O amor de Martin Scorsese pela Restauração Cinematográfica



«As i looked at these extraordinary restaurations over the years, I've grown increasingly aware of the fact that "old" and "new", those words are nothing but designations of convenience.»

A propósito da sua escolha de alguns títulos para o programa do Toute la Mémoire du Monde: Festival International du Film Restauré (fica, desde já, salientado o evento, que se realizará de 27 de Novembro a 2 de Dezembro próximos na Cinemateca Francesa), Martin Scorsese protagoniza este breve mas confidente vídeo sobre a sua paixão pelo trabalho de restauro e preservação cinematográfica.

Recordando a origem da sua preocupação, nos anos 70, pela rápida degradação da película após ter visionado o estado desastroso de uma cópia de O PECADO MORA AO LADO até à reflexão admirável sobre a intemporalidade da Sétima Arte, o fundador do The Film Foundation descreve a sua paixão por uma das actividades mais importantes e desconhecidas da indústria cinematográfica:



[Fonte: indieWIRE.]

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

THE WHITE SHADOW (1924), de Alfred Hitchcock



Um dos primeiros filmes a contar com o génio (no argumento e na co-realização) de Alfred Hitchcock, durante décadas considerado perdido, parcialmente redescoberto na Nova Zelândia e restaurado pela National Film Preservation Foundation (NFPF), finalmente disponível on-line e para o mundo:



Notas do restauro de THE WHITE SHADOW:

. preservação coordenada pelo New Zealand Film Archive e Academy Film Archive of the Academy of Motion Picture Arts and Sciences a partir de uma cópia em nitrato identificada por Leslie Lewis, do NFPF;

. o trabalho de restauro foi completado em 2011 na Park Road Post Production, na Nova Zelândia, e financiado pela Academy Film Archive e NFPF;

. digitalização operada a 18 frames por segundo, a partir de uma cópia colorida em 35mm preservada pela Academy Film Archive, com novos créditos e intertítulos.

[Fonte: National Film Preservation Foundation.]

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cinema Mexicano Restaurado

A Olympusat 360, empresa que se dedica exclusivamente ao restauro do cinema clássico da América Latina, tem desenvolvido uma intensa actividade na preservação de títulos pouco conhecidos da cinematografia mexicana.

Graças a estes esforços, estão salvaguardados para a posteridade, e resgatados da "obscuridade", os seguintes títulos:

. CÁRCEL DE MUJERES (1951, Miguel M. Delgado), com Sara Montiel



. PÓKER DE ASES (1952, René Cardona), com Luis Aguilar

. LA VIDA NO VALE NADA (1954, Rogelio A. González), com Pedro Infante, uma das principais figuras da História do Cinema Mexicano

. LA ESCONDIDA (1956, Roberto Gavaldón), com Maria Félix



. ATACAN LAS BRUJAS (1968, José Díaz Morales), com o lendário Santo El Enmascarado de Plata



. LOS CAMPEONES JUSTICIEROS (1971, Federico Curiel), clássico do género "wrestling mexicano", com Blue Demon e Mil Máscaras



. LAS MOMIAS DE SAN ÁNGEL (1975, Arturo Martínez), outro título do "wrestling mexicano"



Cada filme foi restaurado a partir do seu original em película, tendo sido criadas cópias em digital para futura exibição televisiva e comercialização em DVD e Blu-Ray.

[Fonte: World Screen.]

domingo, 18 de novembro de 2012

A Preservação Cinematográfica não espera por Despachos Ministeriais



«E há, instalado numa quinta perto de Bucelas, o que permite programar estas salas — o Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM). Também aqui o célebre despacho de 12 de Setembro tem consequências. Rui Machado, director do ANIM, explica que este laboratório é "único em Portugal e um dos poucos na Europa a fazer restauro fílmico analógico" e que, apesar de a sua principal função ser sempre a preservação do património fílmico português, "podia ser uma fonte de receitas adicional para a Cinemateca", fazendo mais trabalhos para outros países. O problema, mais uma vez, é que "está a ser limitado" não só pelo pequeno orçamento, mas sobretudo, mais recentemente, pelos entraves burocráticos.

O trabalho implica máquinas especializadas, e a manutenção destas tem que ser garantida por técnicos (especializados também, dado que se trata de sistemas que começam a sair de circulação), que não pertencem aos quadros da Cinemateca. "Se tivermos uma avaria numa máquina, não podemos estar dois meses à espera da autorização das Finanças."

Um caso destes pode afectar os cofres climatizados onde estão guardados os filmes (os mais antigos, em suporte de nitrato, estão num
bunker, afastado, com medidas especiais de segurança, para evitar qualquer risco de incêndio). Se houver uma avaria, o controlo climático deixa de ser possível, e isso afecta a película.

Este é o problema provocado pela burocracia.
»

Cinemateca: histórias de um quotidiano kafkiano, por Alexandra Prado Coelho, in Público, 17 de Novembro de 2012.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

«A conversão ao digital não é uma opção»


Ryan Uhlhorn, gerente do Pickford Film Center, prepara a (que em breve será substituída por um equipamento digital) máquina de projecção para mais uma sessão.

Esta é a opinião do Pickford Film Center, o último "bastião" de projecção em película de Washington, presentemente em processo de angariação de fundos para a total e irreversível migração daquele espaço para o digital.

«Era a conversão ou o encerramento», nas palavras de Michael Falter, director de programação no Pickford.

Pouco a pouco em direcção à "estocada final"...

[Fonte: BBJ Today.]

A Ética do Restauro Cinematográfico



Toby Haggith, curador do Imperial War Museum de Londres, sobre os cuidados prevalentes no restauro do documentário BATTLE OF THE SOMME (1916):



«A tecnologia é tão boa, tão avançada, que se pode alterar o visual do filme, e alterar o filme no que diz respeito à qualidade da imagem ou à própria história e conteúdo.»

«Existe o perigo, especialmente com as técnicas de restauro digital, de se fazer com que um filme não pareça ser proveniente de película. De ficar igual a um título moderno de cinema digital. E o cinema digital é bastante liso, possui uma dinâmica visual muito diferente da película. Portanto, é preciso contornar esse facto.»

«Temos de olhar para um filme como qualquer outro artefacto. A diferença com um filme, claro, é que se trata de um artefacto reproduzível, ou "copiável". Mas acima de tudo, enquanto restauradores e arquivistas, temos de nos manter fiéis ao artefacto original.»

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

VERTIGO como nunca o vimos

— e como Hitchcock nunca o fez



«Em Dezembro, o filme de Hitchcock volta às salas, com distribuição da Midas Filmes. Em cópia restaurada, anuncia-se Vertigo como nunca o vimos; sinal dos tempos, a cópia é digital — pelo que, mais do que como nunca o vimos, também será Vertigo como Hitchcock nunca o fez. O admirável mundo novo, por enquanto, não nos suscita mais do que um suspiro melancólico.»

Luís Miguel Oliveira in Ípsilon.