quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

35mm Monsters



«I had just been hired to teach film production at my alma mater and in the first week of teaching I also found out the 35mm projectors I worked with in undergrad were going to be dismantled They didn’t know when, so I just had to start filming.»

Com este manifesto, e num trabalho de simples execução — um projeccionista prepara, e visualiza, um trailer em 35mm de OS CAÇA-MONSTROS —, Remington Smith recupera a sua primeira memória cinéfila, assinando também uma peculiar homenagem à arte de exibir Cinema em película:



[Fonte e imagem: io9].

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Estreia da Semana: STAR WARS: THE LAST JEDI



STAR WARS: THE LAST JEDI, de Rian Johnson, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219) e 65 mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

[Imagem: fotografia capturada, em filme de 35mm, por Rian Johnson, e publicada no perfil de Twitter de Chris Toro].

sábado, 9 de dezembro de 2017

O Cinema de 2017 — Um Balanço em 35mm



Com o aproximar do término de 2017, e embora este não seja o espaço mais propenso a estatísticas nem à delineação de listas evocativas dos últimos 12 meses, o único balanço que efectuaremos terá de recair, obrigatoriamente, sobre a reflexão em torno da presença, durante o ano, da película na produção e distribuição de cinema.

Sem mais delongas, enunciemos os algarismos que nos importam: em 2017, e num universo de 409 estreias em Portugal1, foram exibidos 31 filmes produzidos, inteira ou parcialmente, em película. Se o rácio entre analógico e digital revela o domínio quase absoluto deste último formato, o "saldo" do presente ano demonstra uma ligeira progressão em relação a 2016, durante o qual 26 títulos rodados em película chegaram às nossas salas.

No entanto, é a partir da análise destes singelos 31 filmes que se extraem as mais interessantes conclusões. Para a sua explanação, comecemos por destacar quais foram as produções em película estreadas no país — ordenadas por data de estreia, dispostas por título, realizador, formato e (quando disponível) detalhes técnicos, e onde já se contabiliza STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI, a última grande "estreia analógica" do ano:



Do rol exaustivo acima apresentado, um pormenor (senão mesmo o mais importante) "salta" imediatamente à atenção: rodagens em película não são um exclusivo de filmes independentes ou de autor. Na verdade, os títulos que maioritariamente recorrem ao analógico são blockbusters de acção, super-heróis e mundos fantásticos, ou realizações pelos indefectíveis da película (Martin Scorsese, Christopher Nolan, James Gray, Aki Kaurismäki e Edgar Wright).

Desta realidade, e perante uma indústria que quase relegou a película ao estatuto de consumada obsolescência, o facto de duas grandes produções baseadas no universo da DC Comics, assim como o mais recente capítulo da saga espacial criada por George Lucas, serem rodadas em 35mm e 65mm, representa o maior elogio que a nossa "era digital" poderia prestar à qualidade de imagem da película.



Outro item de relevo é o domínio prático demonstrado pela Kodak no fornecimento de película para rodagens dos mais variados pontos geográficos ou orçamentos2. E, por inerência, a empresa norte-americana constitui-se, actualmente, como a única grande player especializada neste ramo de actividade.

2018 não deverá reservar alterações de relevo a estas tendências, uma vez que já se perfila um conjunto de títulos3, para os primeiros meses do próximo ano, que continuará a manter o granulado, a qualidade e o charme da imagem analógica bem presentes nas salas de cinema portuguesas. Daqui a 12 meses, aqui estaremos para a respectiva "prova dos nove".

Notas:
1 Conforme dados do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), e de informação recolhida em sites de referência, como o cinecartaz ou o filmSPOT.
2 Fica confirmada a "sobrevivência", anunciada pela empresa em 2015, da produção de filme em 35mm.
3 THE KILLING OF A SACRED DEER (Yorgos Lanthimos), CHAMA-ME PELO TEU NOME (Luca Guadagnino), THE POST (Steven Spielberg), LINHA FANTASMA (Paul Thomas Anderson), WONDERSTRUCK: O MUSEU DAS MARAVILHAS (Todd Haynes)...

Imagens:
1 Fotograma de DUNKIRK, CNN.
2 Fotograma de cópia, em 70mm, de WONDER WOMAN, Music Box Theatre.
3 Cópia em 35mm de BABY DRIVER, Alamo Drafthouse Cinema.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Lost TV



Ao longo de mais de meio século, o jornalismo e o pensamento crítico têm debatido os méritos da difusão televisiva, nas suas vertentes generalistas, de ficção, documental ou de "variedades", e com particular enfoque no conceito, maioritariamente anglo-saxónico, da Golden Age of Television1. Todavia, aparenta ser evidente a ausência de um estudo aprofundado, com os respectivos e necessários alertas, sobre as especificidades de conservação e acessibilidade de conteúdos produzidos para Televisão.

Ao contrário do Cinema, no qual a película de nitrato e, posteriormente, de celulóide foram os métodos reinantes para produção e preservação, a Televisão, praticamente desde a sua invenção, sempre se debateu com dilemas inerentes a uma diversidade de formatos de emissão, registo e arquivo. Talvez por esse motivo, e aliado a uma ausência de apreensão em torno dessas actividades pelos responsáveis de networks de todo o mundo, o estado de conservação de muita da difusão televisiva do Século XX encontra-se em risco ou, simplesmente, desaparecida.

Tendo em conta que, até 1939, as emissões não eram gravadas pela inexistência dessa prática nas estações televisivas, não existe qualquer registo de todas as transmissões até àquela data. Para além disto, e quando os conteúdos do pequeno ecrã já eram alvo de gravação em formatos como película, o Cinescópio ou fita magnética, é sabido que casas tão conceituadas como a BBC e a NBC levaram a cabo aquilo que ficou designado como wiping (o apagamento, reutilização ou destruição de telegravações), o qual era motivado pela falta de espaço de armazenamento, escassez de materiais de gravação ou ausência de direitos de retransmissão de programas.



Da junção destes factores, e sem ser necessário empreender uma pesquisa exaustiva, rapidamente se encontram exemplos notórios de produção televisiva considerada como perdida. Senão, vejamos:

  • no Japão, não é conhecido o paradeiro de 31 episódios da série original de 1973 do popular personagem DORAEMON. De acordo com algumas fontes, acredita-se que esse material ter-se-á perdido após a falência da sua produtora, a Nippon TeleMovie Productions;
  • no Reino Unido, 97 episódios das primeiras duas temporadas da série DOCTOR WHO estão considerados como perdidos. A BBC já anunciou que não consegue localizar esses programas nos seus arquivos. Existem, contudo, registos áudio efectuados pelos fãs da série;
  • só é conhecido o paradeiro de um episódio da série de ficção-científica A FOR ANDROMEDA;
  • devido ao wiping que se praticava na BBC, grande parte das emissões do popular programa de divulgação musical TOP OF THE POPS não chegou aos nossos dias. Entre as transmissões apagadas ou destruídas, contam-se a última aparição televisiva ao vivo dos Beatles, assim como as estreias de David Bowie ou dos Pink Floyd2;
  • nos Estados Unidos, não é possível localizar episódios de programas célebres como THE DICK CAVETT SHOW, THE ED SULLIVAN SHOW, JEOPARDY! ou SESAME STREET. Neste território, o caso mais relevante é o de THE VAMPIRA SHOW: apresentado pela icónica Vampira, não se conhece o paradeiro de qualquer episódio gravado da primeira série de terror exibida nos EUA3;
  • a transmissão original da missão espacial Apollo 11, onde Neil Armstrong se tornou no primeiro homem a pisar a Lua, registada em slow-scan television (com melhor resolução de imagem) está considerada como perdida;
  • em Espanha, as gravações de centenas de episódios do popular concurso UN, DOS, TRES... RESPONDA OTRA VEZ foram destruídas ou estão perdidas.

Desta análise histórica, e encarando também o presente e futuro de diversas implicações tecnológicas, depreende-se que os desafios da preservação televisiva são mais melindrosos que os do Cinema. E para a eficaz concretização dessa tarefa, revela-se premente balizar e compreender três eixos essenciais: a gravação (recording), conservação e acesso futuro de dezenas de horas diárias de emissão.



Nesse particular, e (agora) à semelhança do que acontece com a Sétima Arte, a produção televisiva do Século XXI, maioritariamente em formatos digitais, acarreta novas problemáticas que não aparentam ter resolução a médio prazo. Programas de inegável valor artístico, como HOUSE OF CARDS ou STRANGER THINGS, são disponibilizadas ao grande público através de plataformas assentes em streaming e/ou cloud-based e, numa fase posterior, em edições home cinema. Contudo, mesmo que o risco contemporâneo de perda de conteúdos seja menor, a conservação dos masters originais dessas séries está longe de ser realisticamente assegurada.

Apesar dos riscos identificados, o panorama actual da preservação televisiva ainda permite (faça-se justiça!) encontrar a adopção de boas práticas. O caso da insígnia Netflix, e de como, em 2014, decidiu submeter a série ORANGE IS THE NEW BLACK em VHS para conservação pela Biblioteca do Congresso, revela que os "velhinhos" métodos de arquivo de materiais audiovisuais não estão assim tão obsoletos.

Notas:
1 Expressão cunhada por Anthony Slide, na obra The Television Industry: A Historical Dictionary (1991).
2 Uma das principais forma de redescoberta de programas televisivos é através de gravações feitas por particulares que só mais tarde conhecem a luz do dia. É exemplo disso a recuperação de uma interpretação de Jean Genie, por David Bowie em 1973, e que esteve perdida durante décadas.
3 O único material conhecido desta série é um excerto da abertura, disponível para visualização no YouTube.

Imagens:
1 Arquivos de Televisão.
2 THE VAMPIRA SHOW, AFS ViewFinders.
3 Cópia em VHS da série ORANGE IS THE NEW BLACK, The Verge.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Os 15 Urgentes Restauros de Marcel Pagnol



"Há quinze filmes do meu avô em perigo de morte; as suas bobines estão num estado deplorável e a precisar de urgente trabalho de restauro". O alerta é quase de cariz "familiar" e foi feito por Nicolas Pagnol, neto de Marcel Pagnol, por ocasião da inauguração de um espaço cultural, em Marselha, dedicado ao realizador do clássico de 1952, MANON DES SOURCES.

Das cópias em necessidade de recuperação e armazenadas por Nicolas Pagnol, algumas com mais de 70 anos, contam-se os clássicos ANGÈLE (1934), REGAIN (1937) e LA FILLE DU PUISATIER (1940), todos protagonizados pelo memorável Fernandel.


Também de acordo com Nicolas Pagnol, o restauro destas obras cifra-se num valor entre 180 e 200 mil euros. Caso se mantenha a ausência de uma instituição ou mecenas capaz de suportar este custo, será lançada uma campanha de crowdfunding online.

De recordar que, em 2015, Nicolas Pagnol conseguiu levar a bom porto uma iniciativa semelhante que, com os apoios do CNC - Centre national du cinéma et de l'image animée, do canal Arte e da Cinemateca Francesa, permitiu a preservação e restauro da chamada Trilogia Marselhesa, MARIUS (1931), Fanny (1932) e César (1936).

[Fontes: BFM Video e Le Figaro].

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

OUR HEAVENLY BODIES (1925, Hanns Walter Kornblum)



Notas do restauro de OUR HEAVENLY BODIES:

"The reconstruction of OUR HEAVENLY BODIES is based on material from two sources.
An original tinted and toned nitrate positive print 1,714m long, with Swedish and Finnish intertitles from the Helsinki Film Archive and a nitrate dupe negative 497m long with German flash titles from the Deutsche Kinemathek in Berlin.
The text of the missing German intertitles was obtained from a German censorship card in the Swedish Film Archive.
The reconstruction of the film is nearly complete. Only a few shots are missing.
"

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Blockbuster em Película #11



JUSTICE LEAGUE, de Zack Snyder, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 500T 5219).

"Zack wanted to get away from the stylized, desaturated, super-high contrast looks of other films in the franchise. I am someone who likes to light very naturally, so that fitted my work ethic. It had already been decided that Justice League would shoot on 35mm film, and although I had not shot celluloid for several years, I was excited by the prospect.", Fabian Wagner, director de fotografia do filme.

[Fonte e imagem: Kodak].

sábado, 11 de novembro de 2017

Summits do Passado, Presente e Futuro



Na passada semana, a actualidade noticiosa foi absorvida pela organização, em Lisboa, da Web Summit. Sobre este fórum de tecnologia e empreendedorismo, e face ao aglomerado da cobertura mediática que acolheu nos últimos dias, pouco resta a acrescentar — sendo a única excepção, a este facto, a "análise dos resultados" de mais uma edição da summit de Paddy Cosgrave, e dos seus impactos para o futuro das sociedades ocidentais.

Num evento que reuniu start-ups, inovadores, personalidades políticas nacionais e internacionais, opinion makers e cerca de 60 mil participantes maioritariamente imbuídos de "gloriosa mentalidade" made in Silicon Valley, houve espaço para a apresentação de uma miríade de invenções de toda a natureza. Das tecnologias concebidas para a prosaica redução de custos (mensuráveis e imateriais) em ambientes empresariais, passando pela ideia da "Uberização" do espaço sideral ou pela exibição de andróides aparentemente inspirados das páginas de Philip K. Dick ou de um filme de Alex Garland, e culminando nas colecções de apps, e respectivos procedimentos, destinadas a roubar ainda mais complacência e tempo livre ao ser humano, a Web Summit 2017 fervilhou de futurismo tecnológico.

Contudo, e de toda a verborreia inovadora que brotou do Parque das Nações, não se reteve uma única frase que associe estes triunfos "tecnodigitais" à perpetuação da memória inerentemente humana, seja ela arcaica ou futura. Tudo é desenvolvido a pensar no "agora e a curto prazo".



Em sentido prático totalmente oposto, e a decorrer quase em simultâneo à Web Summit, a cidade de Varsóvia acolheu, nos passados dias 9 e 10 de Novembro, a Film Restoration Summit 2017.

Nesta série de conferências, lideradas por especialistas em restauro e preservação audiovisual de diversas nacionalidades, e em torno de um tema que, por definição, se debruça quase exclusivamente pelo passado, a tecnologia também esteve em plano de destaque. E o programa da Film Restoration Summit demonstra-o cabalmente: temas como os esforços para a digitalização de heranças audiovisuais, o papel dos arquivos fílmicos em ambientes digitais, os projectos de preservação digital em desenvolvimento, e a discussão sobre o passado e futuro da actividade de restauro cinematográfico dominaram os dois dias do certame.

Se os eventos acima destacados parecem confluir inteiramente no que a tecnologia e inovação digital dizem respeito, por que razão permanece a sensação de as suas intenções estarem em completa antinomia?



Sem pretensões de negar que aquilo que os oradores da Web Summit anunciaram esta semana vai desenhar, e transformar, o nosso quotidiano tal como o conhecemos, é para a perpetuação da memória audiovisual da Humanidade que a atenção deste espaço (admito, sou suspeito) vai pender.

Os suportes digitais mantêm contornos incertos sobre a sua fiabilidade, e o empreendedorismo tecnológico reveste-se de um posicionamento que privilegia a rescisão, a todos os níveis, do passado como matéria de estudo e orgulho. Deste modo, nunca será demais indagar as potencialidades dessa mesma tecnologia para a preservação de conteúdos (sobretudo, os do Século XX, do qual o Cinema foi a principal forma de arte e de registo histórico), e que suscitem no Homem a recordação das tentativas, erros e sucessos que definiram a nossa civilização.

Pois a Inteligência Artificial nunca fará esse trabalho por nós. Nem mesmo se, "carinhosamente", a baptizemos de Sophia.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Blockbuster em Película #10



MURDER ON THE ORIENT EXPRESS, de Kenneth Branagh, rodado em película de 65 mm (Kodak Vision3 500T 5219 — Panavision Super 70).



"Branagh shot the film on 65mm, using the last four 65mm Panavision cameras in the world, so the definition and depth offered by 65mm helped enhance both the claustrophobic atmosphere and epic scope the director wanted to achieve."

[Fonte: IGN].
[Imagem: Slash Film].
[Featurette: Youtube 20th Century FOX].

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Reencontro com LA BELLE MARINIÈRE



Vídeo promocional sobre a exibição, em Setembro passado, de LA BELLE MARINIÈRE, realizado por Harry Lachman e considerado perdido durante mais de sete décadas.

Está em curso o projecto de restauro do filme, com vista à sua edição em DVD, pela Lobster Films.



[Fonte: Musée du cinéma Bueil.]