quinta-feira, 29 de março de 2018

Blockbuster em Película #12



READY PLAYER ONE, de Steven Spielberg, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«60% of the movie was created by visual artists, but they are following some kind of lighting that I established in 40% of the movie, which was live action, also shot on film. So they are following lighting that I’ve established in this movie, READY PLAYER ONE, and also in previous movies. They using imagery from other movies that I’ve done with Steven and they’re reproducing the light that I would create. Some of the light from MINORITY REPORT. Some of the light from ARTIFICIAL INTELLIGENCE. So they’re following the philosophy of my light.», Janusz Kaminski, director de fotografia do filme.

[Fonte e imagem: Collider].



quarta-feira, 28 de março de 2018

2001: ODISSEIA NO ESPAÇO em 70mm



«For the first time since the original release, this 70mm print was struck from new printing elements made from the original camera negative. This is a true photochemical film recreation. There are no digital tricks, remastered effects, or revisionist edits.

This is the unrestored film that recreates the cinematic event audiences experienced 50 years ago.
»

Por ocasião do 50º aniversário do seminal 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO, o Festival de Cannes vai exibir o clássico de ficção-científica de Stanley Kubrick em cópia de 70mm concebida a partir dos negativos originais do filme, numa sessão apresentada por Christopher Nolan.

[Fonte e Imagem: Business Wire].

segunda-feira, 26 de março de 2018

"Colourising archive actuality film does not bring us closer to our ancestors"



«We will have to see [Peter] Jackson's film to judge properly. But there is a fundamental issue here about how we treat our actuality film archives. WWI was filmed in monochrome (a tiny amount of colour film was shot during the war in the Kinemacolor process, of which just two minutes survives, showing the British fleet off Scapa Flow in 1915). To understand that inheritance we must look at it for what it is. Colourising archive actuality film does not bring us closer to our ancestors; it increases the distance between us. It threatens to make the WWI film archive we have inherited meaningless, because we can no longer look at it sympathetically. It's the effort that creates the understanding.

Yes, on some occasions archive film can and should be manipulated for particular ends. It need not always be treated reverently in its original form alone — that way elitism lies.

But, to my mind, using it to show what it is not does more damage than good. If we want people to understand the past, we should not be colouring it.
»

Na edição de Abril da revista Sight & Sound, Luke McKerman salienta os paradoxos que rodeiam o anunciado documentário de Peter Jackson sobre a Primeira Guerra Mundial, nomeadamente a decisão de colorir imagens em movimento do conflito que foram, originalmente, registadas em formatos monocromáticos.

[Imagem: ScreenRant].

quarta-feira, 21 de março de 2018

Estreia da Semana: WONDERSTRUCK



WONDERSTRUCK, de Todd Haynes, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219 e Eastman Double-X 5222).

«For character-driven stories, I still prefer to shoot on film. Frame-by-frame there is more life and depth to the image, than in one that is pixel-fixed on the single plane of a digital sensor. To my eyes there is something anthropomorphic to film — living and interacting between the frames — which supported our human-interest storytelling.», Ed Lachman, director de fotografia.

[Imagem: Amazon Studios e Roadside Attractions, publicado em American Cinematographer].
[Fonte: Kodak].

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Nove Vantagens de Filmar em 70mm



Para a imagem e a projecção. Com a cortesia de Jean-Pierre Verscheure:

  • A aquisição linear e não-anamórfica torna o espaço cénico mais confortável em termos de profundidade de campo;
  • Eliminação de todos os defeitos específicos nos formatos anamórficos;
  • A área de superfície negativa é maior em comparação com o 35mm, reduzindo consideravelmente o grão fotográfico;
  • Projecção a 30 imagens por segundo, para uma melhor decomposição da imagem;
  • Efeito de cintilação reduzido até 60 períodos por segundo;
  • A fixação da imagem é maior graças à rigidez do filme;
  • Aumento do contraste e saturação de cor;
  • Possibilidade de recorrer a uma poderosa fonte de luz;
  • Redução do efeito de fricção das bobinas graças à espessura do revestimento magnético.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

CHILDREN MUST LAUGH (1936, Aleksander Ford)

Notas do restauro de CHILDREN MUST LAUGH.





MIR KUMEN ON was restored by Lobster Films in collaboration with the Deutsche Kinemathek (Berlin), the Filmoteka Narodowa (Warsaw) and the Museum of Modern Art (MoMA - New York), from a nitrate print preserved in the Deutsche Kinemathek, an incomplete acetate print with Danish subtitles in the Filmoteka Narodowa collection, and a 3rd generation safety dupe negative dubbed and subtitled in English preserved in the MoMA collection.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Estreia da Semana: I, TONYA



I, TONYA, de Craig Gillespie, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«All of the historical film was shot on 35mm film, 2-perf to put you in that time frame,” he explained. “The way we wanted to shoot it was an aggressive style, with energy to the camera. In a lot of the scenes, there’s no marks. I like when you get those moments when you lose focus even for a half-a-second; it reminds you of the spontaneity.», Craig Gillespie.



[Vídeo: The New York Times].
[Imagem: The Hollywood Reporter].
[Fonte: Below the Line].

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

WESTFRONT 1918 (1930, G. W. Pabst)

Notas do restauro de WESTFRONT 1918.





The original camera negative has been lost.

The restoration was based on a master positive from the BFI National Archive collection. Missing scenes were re-inserted using a duplicate negative from Praesens-Film.

Restoration: Deutsche Kinemathek in cooperation with the BFI National Archive.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Estreia da Semana: THE FLORIDA PROJECT



THE FLORIDA PROJECT, de Sean Baker, rodado em película de 35 mm (Kodak).

«I guess it’s really a 21st century film, in that we tried to use the right tools for the right scenes at all times. We did have a premise that we wanted to shoot this film on 35[mm], and we mostly did. 90% of the film is 35mm analog negative, which gives it that organic feel.», Alexis Zabe, director de fotografia do filme.

[Imagem: Kodak].
[Fonte: Deadline].

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Filmes Perdidos Portugueses: RAINHA DEPOIS DE MORTA (1910, Carlos Santos)



Desde as suas origens, o Cinema Português enveredou, frequentemente, pela concepção do denominado Filme Histórico. Nesse contexto, as primeiras co-produções cinematográficas entre Portugal e Espanha (BOCAGE, de 1936, realizado por Leitão de Barros), a exaltação de propaganda nacionalista (CAMÕES — ERROS MEUS, MÁ FORTUNA, AMOR ARDENTE, também de Leitão Barros, e estreado em 1946), as divagações esotéricas (A MALDIÇÃO DE MARIALVA, de 1991, realização de António de Macedo) e os exercícios pedagógicos (PEREGRINAÇÃO, 2017, de João Botelho), são casos notórios das variadas intenções que o nosso cinema reservou para este género.

A afeição pelo filme histórico conheceu, inclusive, particular incidência nas primeiras décadas do Século XX, num "movimento" encabeçado pelas principais filmografias europeias, nomeadamente em França e Itália. Foi, provavelmente, a partir dessa influência que surgiu RAINHA DEPOIS DE MORTA, a primeira produção do espírito empreendedor de Júlio Costa, fundador da Empreza Cinematographica Ideal.

Estreado no Salão Ideal, a 23 de Setembro de 1910, e revelado com o título "D. INÊS DE CASTRO", estima-se que RAINHA DEPOIS DE MORTA foi produzido com um orçamento de seis mil réis e composto por 400 metros de metragem1 — ou seja, a duração de uma curta-metragem. Para além de algumas breves curiosidades (por exemplo, este título assinalou a estreia no grande ecrã de António Silva, que mais tarde se popularizaria, com profundas raízes no imaginário nacional, em A CANÇÃO DE LISBOA e O LEÃO DA ESTRELA), pouca informação restou até aos nossos dias sobre este filme perdido.



É a partir das memórias do realizador Carlos Santos — que, nesta película, também encarnou D. Pedro I — que nos chega o relato mais completo e interessante da produção de RAINHA DEPOIS DE MORTA. Para além de confessar a sua prática limitada de Cinema, com respectivo desdém pelos resultados finais, e da percepção de alguns dos locais visitados para filmagens de exteriores (Campo Grande, Calçada de Santo André, Largo do Município), o testemunho de Carlos Santos, que abaixo se destacam alguns trechos, desvenda, de modo curioso e animado, os meandros da então pueril arte do Cinema em Portugal2:

«Quando aí por 1910 o meu amigo Raul Ferrão, ilustre oficial do nosso exército e categorizado funcionário da Companhia dos Tabacos, me abordou para me confiar a direcção e execução dum filme arquitectado pelo Rafael Ferreira sobre a vida amorosa da infeliz e desditosa Inês de Castro, "a mísera e mesquinha que depois de morta foi rainha", recebeu da minha parte, num desconcertante assomo de indignada revolta, a categórica recusa à gentileza do seu convite [...]. A minha recusa, porém, obstinadamente defendida pela absoluta ignorância deste sector artístico, foi levada de vencida pela aliciante afabilidade e argumentos persuasivos daquele amigo, porque, dizia ele, se tratava apenas, duma filmagem destinada, tão somente, a experiências de laboratório e a uma discreta exibição, à porta fechada, para meia dúzia de apaixonados da arte muda que, ao tempo, tinha no Max Linder o supremo intérprete de algumas farsalhadas burlescas.
[...]
Lembro-me que os ensaios deste criminoso atentado cinematográfico se realizaram ali para as bandas da Calçada de Santo André e que, durante a sua fixação na câmara operatória, por processos ao tempo quase infantis, eram abruptamente suspensos à passagem de qualquer nuvem que ousadamente se permitia encobrir o sol, ensaios que só recomeçavam quando Sua Excelência se dignava a reaparecer em toda a sua majestosa imponência.
[...]
[A] fita lá seguiu até à sua conclusão e, passado o tempo a que foi sujeita a trabalhos de laboratório, surgiu finalmente na pantalha dum pequeno salão do Palácio Foz, dependência dos escritórios do Raul Lopes Freire, com a reduzida assistência de intérpretes, colaboradores e alguns amigos.
[Eduardo] Brazão, revendo-se como intérprete, no D. Afonso IV, ao terminar a passagem do filme e não contendo o seu entusiasmo exclamou graciosamente:
— Este tipo afinal tem certa jeiteira para o Teatro.
A título de curiosidade devo dizer que o realizador não foi preso. Para mais, desempenhando no filme a personagem do "Justiceiro", o realizador deveria ter sido o primeiro a prender-se a si próprio, dando assim um alto exemplo de consciência e dignidade artística.
»



Daquela que foi a produção maior da Empreza Cinematographica Ideal, existem registos de que RAINHA DEPOIS DE MORTA terá sido avaliada, criticamente falando, como uma mera "imitação dos correspondentes exemplos franceses e italianos"3. Infelizmente, não é conhecido o paradeiro de qualquer material fílmico deste filme para análise contemporânea ou (para já) vindoura.

Notas:
1 in Dicionário do Cinema Português 1895-1961, de Jorge Leitão Ramos (2011, Editorial Caminho).
2 in Cinquenta Anos de Teatro, de Carlos Santos (1950, Editorial Notícias).
3 in O Cinema no "Entroncamento" do "Progresso" — Contributo Para a História do Espectáculo Cinematográfico em Portugal, de Joaquim José Carvalhão Teixeira Santos (2011, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra). Disponível em: https://estudogeral.sib.uc.pt/bitstream/10316/18244/1/Volume%20I.pdf.

Imagens:
1 Fotograma de RAINHA DEPOIS DE MORTA, INÊS DE CASTRO, Cinemateca Portuguesa.
2 Empreza Cinematographica Ideal, CinePT — UBI.
3 Júlio Costa, fundador da Empreza Cinematographica Ideal e considerado como o primeiro industrial de Cinema em Portugal, CinePT — UBI.