sábado, 12 de maio de 2018

Júbilo em Technicolor



A propósito da recente redescoberta, pelo BFI National Archive, de uma série de pequenos filmes em Technicolor datados dos anos 20 — com óbvio destaque para a fugaz visão do que aparenta ser um screen test de Louise Brooks —, a edição de Junho da revista Sight & Sound partilha (num artigo apropriadamente intitulado de "Pretty In Pink") a real importância, histórica e cultural, de um arquivo desta natureza:

«It may be difficult for archives to justify keeping short pieces of old film. They may not seem to have any great purpose and it might not be possible to reconstruct a whole film from these fragments — but they are all pieces of a puzzle. And while I'm glad we have examples of lost early Tecnicolor that we can use to inform future restoration work, I'm not going to pretend that I'm not excited about the content, that little glimpse of Louise in her first credited film role.»



Para além do pequeno trecho de Louise Brooks (referente à sua participação em THE AMERICAN VENUS, de 1926, um filme considerado perdido), foram também redescobertos materiais de títulos como THE FAR CRY (1926, Silvano Balboni), THE FIRE BRIGADE (1926, William Nigh) e DANCE MADNESS (1926, Robert Z. Leonard).

[Imagem: BFI National Archive/Paramount Pictures].
[Fonte: British Film Institute].

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Estreia da Semana: FRANTZ



FRANTZ, de François Ozon, rodado em película de 35 mm (Eastman Double-X 5222, Kodak Vision3 500T 5219).

«Et ce qui est amusant c'est que j'ai tourné en couleurs, faute de pellicule noir et blanc: quand je regardais dans l'œil de la caméra, je voyais les acteurs en couleur, et le plan était ensuite en noir et blanc quand je le voyais sur le combo. Je me rendais alors compte que la sensation était différente, car le noir et blanc réveille notre mémoire cinéphilique et nous rappelle d'autres films.», François Ozon.

[Imagem: Culture Catch].
[Fonte: AlloCiné].

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Estreia da Semana: A QUIET PLACE



A QUIET PLACE, de John Krasinski, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«Every single reference that John [Krasinski] had for the look of the movie was shot on film: JAWS, NO COUNTRY FOR OLD MEN, THERE WILL BE BLOOD, LET THE RIGHT ONE IN. And my brain functions really well with that analog way of working — just using my light meter and then sitting by the camera and looking at the light in front of me.», Charlotte Bruus Christensen, directora de fotografia.



[Imagem: American Cinematographer].
[Fontes: Filmmaker Magazine e Vanity Fair].

quarta-feira, 25 de abril de 2018

2001: ODISSEIA NO ESPAÇO e a Visão Original de Stanley Kubrick



Com a exibição da "versão unrestored" em 70mm de 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO, prevista para o próximo mês de Maio no Festival de Cannes, Krishna RameshKumar invoca a visão original de Stanley Kubrick em comparação, side by side, com uma edição do filme em Blu-Ray:



[Fonte: Krishna Ramesh Kumar.]

terça-feira, 24 de abril de 2018

Adam West Redescoberto



"I'm taking a holiday from crime fighting in Gotham City. No rest from danger though because, all around us, is that deadly, daily danger: traffic!"

Não foi há muito tempo que se abordou, neste espaço, o legado das imagens em movimento para Televisão consideradas perdidas e os esforços em torno da sua recuperação.

Nem de propósito, foi reportada recentemente a auspiciosa notícia de que a Kaleidoscope, empresa especializada na pesquisa e localização de imagens produzidas para Televisão, redescobriu este filme publicitário britânico de prevenção rodoviária, datado de 1967 e protagonizado pelo actor Adam West na pele de Batman, a personagem que mais o popularizou:



A redescoberta deste spot televisivo, disponível para visualização após cinquenta anos de paradeiro incerto, serviu de mote para a divulgação da lista UK’s Top 100 Missing TV Shows, numa iniciativa da Kaleidoscope com convite a participação pública.

[Fontes: BBC e Birmingham City University.]









segunda-feira, 23 de abril de 2018

Cannes Classics 2018



Foi anunciada hoje a programação do Cannes Classics, secção do Festival que acolhe e exibe os trabalhos mais relevantes de restauro cinematográfico dos últimos meses.

Em 2018, para além da sessão comemorativa dos 50 anos de 2001: ODISSEIA NO ESPAÇO e de documentários dedicados ao legado de Alice Guy-Blaché, Orson Welles e Ingmar Bergman, o Festival de Cannes será palco da apresentação de 26 títulos, numa série de obras inteiramente restauradas a partir de originais ou cópias em película.

Da programação do Cannes Classics 2018, o destaque vai para:

  • LADRI DI BICICLETTE (1948, Vittorio De Sica)
  • Restaurado nos laboratórios de L'Immagine Ritrovata.
  • TOKYO STORY (1953, Yasujiro Ozu)
  • Restauro digital em 4K, pela Shochiku Co., a partir de negativo duplicado em 35mm.
  • VERTIGO (1958, Alfred Hitchcock)

    Restauro digital em 4K, pelos Universal Studios, a partir de negativo em formato VistaVision.
  • THE APARTMENT (1960, Billy Wilder)
  • Restauro digital em 4K, pela Cineteca di Bologna, a partir de negativo de câmara original.
  • LA RELIGIEUSE (1965, Jacques Rivette)
  • Restauro digital em 4K, nos laboratórios de L'Immagine Ritrovata, a partir de negativo de câmara original. Restauro sonoro a partir de negativo de som.
  • LA HORA DE LOS HORNOS (1968, Fernando Solanas)
  • Restauro digital em 4K, supervisionado pelo próprio realizador, a partir de negativos originais.
  • JOÃO AND THE KNIFE (1971, George Sluizer)
  • restauro digital em 4K a partir do negativo original 35mm, em Techniscope, filmado por Jan de Bont
  • A ILHA DOS AMORES (1982, Paulo Rocha)

    Restauro digital em 4K, a partir de uma cópia de distribuição de 1982, com wet gate de interpositivos de imagem e som em 35mm tirados num laboratório japonês em 1996.
  • HYÈNES (1992, Djibril Diop Mambety)
  • Restauro digital em 2K com limpeza e correção de cor a partir de negativo original.

O alinhamento completo do Cannes Classics 2018 pode ser consultado na página oficial do Festival.

Imagens:
1 Press release Festival de Cannes 2018.
2 Widescreen Museum.
3 Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema.

terça-feira, 17 de abril de 2018

"O Que É o Arquivo?" em Debate na Cinemateca Portuguesa



De 18 a 20 de Abril, numa iniciativa do Arquivo Municipal de Lisboa — Videoteca em parceria com a Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema, serão exibidas sessões de cinema e organizadas mesas redondas dedicados ao tema das relações entre Cinema e Arquivo.

A programação completa do Laboratório do Ciclo de Encontros "O que é O Arquivo?" encontra-se disponível para consulta na página oficial da Cinemateca Portuguesa.

[Fonte e Imagem: Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema]


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Home Movies in 28mm



Dino Everett, curador do Hugh M. Hefner Motion Picture Archive, examina a história do 28mm, o primeiro filme concebido para registo de home movies, e exemplifica os desafios de uma projecção no formato com mudança de parte.



[Fonte: Ben Model - silent film accompanist/historian]
[Imagem: Grahame N's Web Pages]

sábado, 7 de abril de 2018

Filmes Perdidos Portugueses: CHANTECLER ATRAIÇOADO (1910, Júlio Costa)



Em 1910, a Empreza Cinematographica Ideal estreava os seus novos estúdios — um "magnífico imóvel de paredes e tecto envidraçados, como convinha e era de regra ao tempo, já que a luz solar era de capital importância"1 sito à Rua Marquês de Ponte de Lima, em Lisboa, com cinquenta metros de comprimento e quinze de altura — com a produção de CHANTECLER ATRAIÇOADO.

Descrito, por materiais de divulgação da época, como uma comédia sentimental, os detalhes que sobraram até aos nossos dias sobre CHANTECLER ATRAIÇOADO são profundamente escassos. Duas certezas, no entanto, subsistem: a unanimidade de se tratar do primeiro título português de ficção especificamente rodado para exibição em sala de cinema, e de que era protagonizada por António Cardoso, actor cómico que conheceu particular fama na altura.

Pelo estatuto de que o seu protagonista gozava no início dos anos 10 do passado século, coloca-se a hipótese de o público ter acolhido favoravelmente CHANTECLER ATRAIÇOADO. A esse propósito, são vários os registos históricos que destacam o talento humorístico de António Cardoso, também apelidado de "Cardoso do Ginásio", assim como o "seu feitio bonacheirão e a sua enorme simpatia"2.



Neste contexto, uma das fontes mais interessantes para observar o impacto de António Cardoso, junto do público português, vem do modo como as notícias do seu falecimento, em 1917, foram recebidas entre as diversas camadas sociais da população. Xico Braz3, na sua obra Postaes da Guerra4, não poupou palavras para comentar o desaparecimento de "Cardoso do Ginásio":

«Uma das notícias tristes que vieram ter comigo ao front, num destes dias chuvosos e aborrecidos, foi a que relatava ter morrido o Cardoso do Ginásio. Pobre artista! (...) Com toda a sua arte, a que ele se entregava com a religiosidade d'um crente, o Cardoso fazia rir até rebentar as ilhargas. É que ele era um artista completo. Apesar da sua mediana ilustração, ele era, dos artistas cómicos — o mais natural e o mais consciencioso. Não apalhaçava, não metia um dito da sua lavra, nem deturpava o sentido da frase, para conseguir a piada. Ele representava com arte e probidade. Mais nada. (...) Mas lá se foi o bom do Cardoso, que toda a vida nos fez rir. São assim os artistas cómicos. Só fazem chorar uma vez: é quando morrem.»

De CHANTECLER ATRAIÇOADO, a curta-metragem que assinalou o arranque da histórica Empreza Cinematographica Ideal, não se conhece o paradeiro de qualquer material fílmico.

Notas:
1 in Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896-1949, de Félix Ribeiro (1983, Cinemateca Portuguesa).
2 in No palco da saudade: António Cardoso, de Salvador Santos, publicado no blog Audiência.
3 Pseudónimo do escritor Artur de Matos.
4 Disponível no repositório da Biblioteca Nacional de Portugal.

Imagens:
1 Estúdio da Empreza Cinematographica Ideal. Imagem originalmente publicada in Filmes, Figuras e Factos da História do Cinema Português 1896-1949.
2 António Cardoso, ou o "Cardoso do Ginásio"; CinePT — Universidade da Beira Interior.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

“Film looks, digital sees”: A Viagem à Índia de Christopher Nolan e Tacita Dean



«There have been accusations to dispel myths about expensive art mediums. We are here to stay as a wonderful medium and enjoy. It’s about preserving this art for the future. There is a spirit of optimism in this entire thing.»

«We [Nolan and I] want it to be normal to use film. We both don't want to be doing it [promoting celluloid] in fifteen years’ time. Artists and filmmakers shouldn't face the restraint anymore, it is just there and it is fine, let it just be normal.»



As opiniões de Christopher Nolan e Tacita Dean, a propósito da sua viagem à Índia, no âmbito do programa Reframing the Future of Film, onde se debateu e promoveu as virtudes da película enquanto formato de produção e exibição.

Apesar de alguns ditames menos positivos, tais como o partilhado por uma vedeta de Bollywood como é Amitabh Bachchan, e tendo em conta o entusiasmo que a iniciativa mereceu, a comunidade cinematográfica indiana mostra-se rendida ao charme do celulóide.

[Fontes: The Telegraph India, News18 e IndiaWest].
[Vídeo: Bollywood Records]
[Imagem: The Indian Express].