sábado, 30 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #47 — "Boy, What a Car!"



A 30 de Junho de 1953, a General Motors (GM) inicia a produção do primeiro modelo Chevrolet Corvette, na fábrica da marca em Flint, no estado do Michigan. Para o promover, e em parceria com a Jam Handy Organization (à época, uma das principais empresas de cinema institucional), a General Motors concebeu este filme promocional, protagonizado por Dave Garroway

Exemplo perfeito da Golden Age Of Advertising dos anos 50, o novo Chevrolet Corvette é apresentado como o carro do futuro, um produto do empenho dos engenheiros da GM, do ânimo em alcançar mais e melhor e da vontade do principal sonhador norte-americano: o exigente e anónimo consumidor final.



[Fontes: The Jam Handy Organization / King Rose Archives].
[Imagem: Chevrolet / Autoweek].

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #46 — Gene Roddenberry Apresenta



A 29 de Junho de 1964, Gene Roddenberry apresenta o esboço inicial de THE CAGE, o episódio piloto da série de culto O CAMINHO DAS ESTRELAS. Encarado como "demasiado intelectual" e "com pouca acção" pelos executivos da NBC, este episódio nunca foi transmitido pelo canal de televisão nos anos 60.

Considerado perdido durante décadas, com excepção de uma versão a preto e branco em 16mm do próprio Roddenberry, THE CAGE foi reencontrado numa cópia 35mm em 1987 e rapidamente integrado no catálogo da série, através de uma edição em VHS que, entre vários "extras", continha esta introdução, raramente vista, ao episódio por Gene Roddenberry.



[Fontes: NBC / videoholic50s60s70s].
[Imagem: Paramount Television / IMDB].

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #45 — A Is for Atom



Produzido em 1953 pela General Electric Company, e actualmente em situação de domínio público, A IS FOR ATOM revela-se uma dinâmica e concisa aula de química, explicando os conceitos básicos da energia nuclear e as suas principais utilizações em tempos de paz.

Realizada por Carl Urbano, esta curta-metragem multi-premiada é um oportuno reminder do poder da animação para a construção de filmes institucionais, ao mesmo tempo que lança o olhar para uma época em que interessava — sobretudo, à General Electric — cultivar uma opinião pública mais favorável sobre a energia nuclear. E por uma das suas personagens, até poderá ter inspirado Alan Moore na criação do Doctor Manhattan para a graphic novel WATCHMEN...



[Fontes: General Electric / Vintage Atomic Nuclear Films].
[Imagem: YouTube].

Filmes Restaurados: WANDA



Trailer para a versão restaurada de WANDA (1970, Barbara Loden).



Restauro em 35mm, produzido em 2011 pela UCLA Film and Television Archive, a partir de cópias em 16mm. WANDA regressa às salas de cinema norte-americanas a partir de 20 de Julho.

[Imagem: Janus Films].

terça-feira, 26 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #44 — "Elvis has left the building!"



A 26 de Junho de 1977, Elvis Presley protagoniza o último concerto ao vivo da sua carreira, esgotando o Market Square Arena, em Indianapolis. Algumas semanas depois, no dia 16 de Agosto, o Rei do Rock falece na sua residência de Graceland.

O arquivo de hoje, que regista o início de um espectáculo esgotado vários meses antes, e com os bilhetes a alcançarem valores verdadeiramente exorbitantes, é particularmente notável pela forma como, em poucos minutos, são evidentes todas as imagens de marca que celebrizaram Elvis Presley: o glamour do fato dourado e das botas brancas, o seu característico passo de plena confiança, a entourage sempre disponível, o inconfundível sotaque do Tennessee, a atmosfera electrizante proveniente da plateia, e o absoluto controlo artístico.



[Fonte: vsbonvenutoep].
[Imagem: ElvisPresleyPictures.com / The Indiana History Blog].

segunda-feira, 25 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #43 — "Independência Total e Completa"



A 25 de Junho de 1975, o Presidente Samora Machel proclama a independência de Moçambique. No Estádio da Machava, na então ainda Lourenço Marques (actual Maputo), a bandeira portuguesa hasteada dava lugar à bandeira da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), oficializando o nascimento da República Popular de Moçambique.

De autor desconhecido, este pequeno excerto partilhado pelo canal on-line TeleJúnior filma o momento da proclamação de Samora Machel, num apontamento de reportagem que, também através de imagens de arquivo, recorda o conflito armado entre Moçambique e Portugal durante a Guerra do Ultramar.



[Fonte: TeleJúnior].
[Imagem: Expresso].

domingo, 24 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #42 — O #MeToo Não é um Exclusivo dos Nossos Dias



Em 1971, a jornalista Nicky Woodhead, para o programa Nationwide, leva a cabo uma reportagem de rua com o objectivo de "apalpar homens no traseiro" e recolher as suas reacções. Tudo em nome da igualdade de género.

Disponível nos arquivos da BBC, e precisamente datado de 24 de Junho de 1971, este jocoso fait divers permite a curiosa observação da mentalidade masculina do seu tempo (desde a ausência de incómodo pelo "assédio" até à pura estupefacção), ao mesmo tempo que serve de interessante justaposição ao contemporâneo "ar dos tempos".



[Fonte: BBC / Range Rover].
[Imagem: Bust].

sábado, 23 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #41 — Noite de São João



Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.


Noite de S. João, de Alberto Caeiro.

Dos arquivos da Rádio e Televisão de Portugal, relembramos a Noite de São João do Porto de 1973 (clicar na imagem para acesso ao vídeo), conforme registado por uma equipa de reportagem do programa Noticiário Nacional.



[Fonte: Arquivos RTP].
[Imagem: Viajando no Tempo... e Espaço].

BLOW OUT e os Mistérios do Analógico



Nas últimas semanas, o canal Cinemundo tem esporadicamente proporcionado ao auditório português recuperar BLOW OUT — EXPLOSÃO, thriller de 1981 realizado por Brian De Palma, com John Travolta, Nancy Allen e John Lithgow nos principais papéis.

Filme detentor de meritórios elementos estéticos, a revisão de BLOW OUT permitiu verificar como De Palma ilustrou um argumento dominado pela sua obsessão preferida — o voyeurismo, potenciado pela tecnologia audiovisual, no seio das sociedades modernas —, ao mesmo tempo que sobressai uma atmosfera de paranóia política, de pessimismo nacional (aquele brado aflitivo de Nancy Allen, enquadrado junto de uma gigantesca bandeira americana e que se converteu na imagem de marca do filme, pode muito bem ser interpretado como sintoma de desconforto patriótico) e de declarada homenagem às filmografias de Michelangelo Antonioni, Alfred Hitchcock, Francis Ford Coppola e Roger Corman.

A revisitação de BLOW OUT, após mais de uma década desde o meu último visionamento, serviu, também, de prova contundente de como um período de dez anos influencia as afinidades, os focos de interesse e as sensibilidades que regem a nossa cinefilia. Neste caso em particular, só agora se revelou evidente e (obviamente!) fascinante o modo como o manuseamento de métodos não-digitais de captação e edição de imagem e som, pelo personagem de John Travolta, determina o progresso da narrativa e manifesta os "mistérios encerrados no analógico".



Esta percepção, contudo, já havia sido enunciada no próprio ano de estreia do filme. Entre os críticos que, na altura, elogiaram o seu style over substance, Vincent Canby, para o The New York Times1, escrevia sobre a total e completa inquietação de BLOW OUT relativamente ao Cinema enquanto meio artístico: "exclusively concerned with the mechanics of movie making, with the use of photographic and sound equipment and, especially, with the manner in which sound and images can be spliced together to reveal possible truths not available when the sound and the image are separated". Em suma, um exemplo de metacinema quase sem se dar por isso.

Na história de Jack Terry, um sonoplasta de (nas suas palavras) "shitty movies" que, por acaso, capta no seu gravador de som o fatal acidente de automóvel de um candidato político, a verdade dos factos ganha outros contornos assim que o protagonista reproduz o áudio daquele momento. Despiste acidental ou atentado político? A partir daí, rodeado por uma "biblioteca" das bandas sonoras dos slasher movies em que trabalha, utilizará mecanismos como mesas de som, moviolas, animação fotográfica revelada em filme de 16mm no sentido de evidenciar uma teoria de conspiração que outros procurarão descredibilizar ou radicalmente eliminar.

Nesse processo, o espectador é testemunha do intenso "trabalho de laboratório" de Jack Terry. A atenção da câmara vira-se inteiramente para as mesas de montagem, onde som e imagem se mesclam até ao sincronismo primoroso, num labor de técnicas analógicas que recordam metodologias de Cinema em absoluto desuso e cativam os espíritos mais nostálgicos.



Mais do que um título inovador, BLOW OUT é distinto associado de uma senda de obras que dedicaram os seus argumentos e os seus protagonistas à descoberta da realidade dissimulada pelo grão da imagem analógica. Para além da flagrante inspiração em BLOW-UP: HISTÓRIA DE UM FOTÓGRAFO (1966, a genuína "alma mater" do filme de Brian De Palma), em que um fotógrafo de moda acredita ter captado um homicídio após uma insuspeita sessão fotográfica num parque público de Londres, a Sétima Arte sempre pareceu fascinada por aquilo que uma objectiva consegue, inadvertidamente, capturar.

Referimo-nos aqui às gravações ilícitas em O VIGILANTE (1974, Francis Ford Coppola), à sátira Hitchcockiana de ALTA ANSIEDADE (1977, Mel Brooks) ou à dissecação do Zapruder film em JFK (1991, Oliver Stone), culminando na digitalização de álbuns de família em MILLENNIUM 1: OS HOMENS QUE ODEIAM AS MULHERES (2011, David Fincher).



De onde advém esta atracção pela realidade oculta num fotograma ou numa banda sonora?

Provavelmente, a solução reside no próprio empenho a que o analógico obriga, sobretudo na tarefa de revelação da sua emulsão. A película revelada não é alvo imediato de edição, a imagem e o som assumem-se inéditos, e a sua trucagem implica igual destreza com equipamentos cinematográficos e técnicas manuais de montagem. No analógico, não existem filtros automáticos nem ferramentas de instantânea manipulação: a imagem original é sempre a mais verdadeira.

Notas:
1 Ver Travolta Stars in De Palma's 'Blow Out', publicado no The New York Times (consultado a 22 de Junho de 2018).

Imagens:
1 e 2 The Red List.
3 YouTube.
4 Cinephilia & Beyond.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #40 — Da Mão de Deus ao Golo de Século



A 22 de Junho de 1986, Diego "El Pibe" Maradona é o autor dos dois tentos na vitória por 2-1 sobre a Inglaterra, em jogo dos quartos-de-final do Campeonato do Mundo de 1986. No Estádio Azteca, na Cidade do México, Maradona assinala uma das exibições mais recordadas na História do torneio, sobretudo pela natureza dos golos que apontou: em apenas quatro minutos, joga deliberadamente com a mão no golo que ficaria conhecido como a "Mão de Deus", e dribla meia equipa inglesa para finalizar uma das jogadas mais geniais na memória do futebol.

Dos arquivos da Radio-Television of Ireland (RTE), recordamos o "Golo do Século", com uma narração do jornalista Jimmy Magee raramente escutada. Different class!



[Fontes: Radio-Television of Ireland (RTE) / killianM2].
[Imagem: Bob Thomas / Getty Images / Daily Mail].