sexta-feira, 13 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #309 — Sexta-Feira Treze



Popularmente encarado como um dia de má sorte, o conceito "azarado" da Sexta-Feira Treze reveste-se de diferentes explicações. Desde a numerologia — por ser o número a seguir ao doze, considerado como o de algo completo ou regular (os doze meses do ano ou os doze apóstolos de Jesus) —, passando por teorias de conotação religiosa — Jesus terá sido crucificado numa sexta-feira, dia treze — e até históricas — a Ordem dos Templários foi condenada por traição, pelo Papa Clemente V, a treze de Outubro de mil trezentos e sete —, esta multiplicação de possíveis origens continua a não definir consensos sobre a má reputação deste dia.

Neste dia treze de Setembro, sexta-feira, o Arquivo resgata um pequeno conjunto de filmes publicitários dedicados à saga de terror FRIDAY THE 13TH; possivelmente, a ligação mais cinéfila que o dia alguma vez adquiriu ("You may only see it once, but that will be enough!"). Em concreto, dois anúncios televisivos, relativos ao primeiro e quarto filmes da saga, e o spot promocional de uma colecção, editada em VHS, com todos os sete títulos estreados até meados da década de noventa.

FRIDAY THE 13TH VHS Promo


Spot televisivo de FRIDAY THE 13TH (1980)


Spot televisivo de FRIDAY THE 13TH: THE FINAL CHAPTER (1984)


[Fontes: Warner Bros. / Georgetown Productions Inc. / Sean S. Cunningham Films / Friday The 13th Network / Fixxxer07082 / Retrontario].
[Imagem: Georgetown Productions Inc. / Sean S. Cunningham Films].

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #308 — BONANZA



A doze de Setembro de mil novecentos e cinquenta e nove, a NBC transmite o primeiro episódio da série BONANZA, naquele que se tornou o momento seminal de um western televisivo cuja popularidade perdurou até aos nossos dias. Filmado a cores desde o seu início, e ao longo de catorze temporadas exibidas até meados da década de setenta, BONANZA acompanhava as aventuras da família Cartwright, dirigida pelo "patriarca" Ben (Lorne Greene) com os seus três filhos (interpretados por Pernell Roberts, Dan Blocker e Michael Landon), ao mesmo tempo que, com sensibilidade e um humanismo muito inusitados para a sua época, abordava temas como o racismo, o anti-semitismo ou preconceitos de ordem social.

No primeiro episódio de BONANZA, intitulado 'A Rose for Lotta', visitamos pela primeira vez o Racho Ponderosa (local que serviria de inspiração para um parque temático, aberto ao público até dois mil e quatro) e, acima de tudo, o famoso tema do genérico da série composto por Jay Livingston e Ray Evans. Por entre um dinâmico argumento que versa sobre o rapto do irmão mais novo dos Cartwright, permanece a curiosidade de observamos, no elenco, as participações especiais de Yvonne De Carlo, eleita "Rainha do Technicolor" nos anos cinquenta, e George Macready, celebrizado pelo seu papel do general francês Paul Mireau em PATHS OF GLORY, de Stanley Kubrick.



[Fontes: National Broadcasting Company (NBC) / Rosi Medi].
[Imagem: National Broadcasting Company (NBC) / Logopedia].

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #307 — Antero de Quental, o "Santo Vivo"



A onze de Setembro de mil oitocentos e noventa e um, o escritor e poeta Antero de Quental, uma das principais figuras da literatura portuguesa do Século XIX e eminente crítico das realidades sociais e económicas daquela época, põe termo à vida, na sua Ponta Delgada natal, com dois tiros, num banco de jardim junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança. Resultado de uma depressão profunda — condicionada, provavelmente, pelo distúrbio bipolar de que padecia — e de um pessimismo causado pelo sentimento de incapacidade em transformar a sociedade que o rodeava, o suicídio de Antero de Quental será o aspecto mais citado da biografia do autor de 'Odes Modernas' e 'Causas da decadência dos povos peninsulares'.

Dos arquivos da RTP, recuperamos hoje o documentário Literatura Portuguesa: Moderna e Contemporânea, programa supervisionado pelo professor catedrático Carlos Reis, onde se destaca a personalidade literária de Antero de Quental, com ênfase nas diversas etapas — da poesia militante ao pendor metafísico que adoptou durante os derradeiros anos de vida — da sua obra, no espírito das Conferências do Casino, nos seus ideais político-sociais e na elevação do vigor intelectual do homem que Eça de Queirós apelidou de "Santo Vivo".



[Fontes: Arquivos RTP / João Reininho].
[Imagem: José Pacheco Toste - Photographia Central - Foto Toste / Instituto Cultural de Ponta Delgada - Colecção Fotográfica Digital: PT/ICPD/CFP].

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #306 — Encontros Imediatos do Terceiro Grau



A busca pela prova, científica e irrefutável, da existência de vida extraterrestre tem sido, ao longo de vários séculos, uma fonte de inspiração e motivação para a Humanidade. Nos últimos cem anos, o fenómeno dos OVNI, os relatos do avistamento de estranhas luzes no céu ou o eco na comunicação social das histórias de quem afirma ter contactado indivíduos de outros mundos, alimentaram não só a imaginação do comum cidadão, como também de escritores, cineastas, argumentistas e compositores musicais, numa dinâmica que se saldou pela abundante produção de material criativo envolvente e popular, intrigante ou arrebatador na sua essência e, muitas das vezes, extremamente lucrativo.

A conjugação destas realidades foi analisada, em mil novecentos e setenta e sete, no documentário UFOs ARE HERE!. Realizado por Guy Baskin para o canal de televisão australiano Channel 9, o filme apresenta, em pouco menos de hora e meia, as diversas opiniões sobre o tema de nomes como Steven Spielberg, Jacques Vallée e J. Allen Hynek, elabora sobre teorias de conspiração e encobrimento da verdade por forças governamentais e, de um modo quase sensacionalista, entrevista Kenneth Arnold e Betty Hill, duas famosas "testemunhas" que viveram um encontro imediato do terceiro grau.



[Fontes: Channel 9 / weirdlectures].
[Imagem: Bettmann / Corbis / The New York Times].

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #305 — O Massacre de My Lai



A cinco de Setembro de mil novecentos e sessenta e nove, o tenente norte-americano William L. Calley é formalmente indiciado com seis acusações de homicídio premeditado, após vários meses de investigação em torno do denominado "Massacre de My Lai". Em Março de mil novecentos e sessenta e oito, o Primeiro Pelotão da Companhia de Infantaria Charlie dizimou a aldeia de My Lai e localidades adjacentes, numa acção militar que resultou na morte de cento e nove civis vietnamitas e só interrompida pela intervenção de Hugh Thompson, Jr., um piloto de helicóptero, que ameaçou disparar sobre os soldados americanos se não cessassem as atrocidades. De todos os intervenientes, William L. Calley foi o único a ser julgado e condenado pelo massacre.

Em mil novecentos e setenta, no auge da contestação pública ao envolvimento americano no Vietname, o realizador Joseph Strick localizou cinco soldados presentes em My Lay, convidando-os a recordar e a expor, em retrospectiva, as suas opiniões sobre os acontecimentos daquele dia. O resultado desse trabalho é INTERVIEWS WITH MY LAI VETERANS (abaixo partilhado em duas partes), curta-metragem documental vencedora do Oscar da categoria e um objecto de pura confrontação moral e emocional — não só em relação aos actos destes veteranos, como à insensata desumanidade da guerra e, em última instância, ao espírito de reflexão do próprio espectador.





[Fontes: Laser Film Corporation / Ryan Plant].
[Imagem: Ron Haeberle / My Lai Collection / The Vietnam Center and Archive / Texas Tech University / allthatsinteresting.com/].

Estreia da Semana: KILLERMAN



KILLERMAN, de Malik Bader, rodado em película de 16mm (Kodak Super 16).

«(...) with its gritty 16mm cinematography from Ken Seng, it so much evokes New York City from decades past that any viewer over 40 could be forgiven for expecting such '70s fixtures as Gene Hackman or Tony LoBianco to come roaring up in a Ford Gran Torino.", Cary Darling, in Times Union.

[Fonte: Times Union].
[Imagem: Blue Fox Entertainment / Solution Entertainment Group / Deeper Water / Bader Bros. Pictures / Digital Ignition Entertainment].

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #304 — Momentos Kodak



A quatro de Setembro de mil oitocentos e oitenta e oito, os empresários George Eastman e Henry A. Strong fundam, em Rochester, a Eastman Dry Plate Company (a actual Eastman Kodak Company), iniciando a produção de filme fotográfico que transformaria a Kodak numa das chancelas indelevelmente associadas ao Século XX. Líder do mercado de suportes cinefotográficos desde os primeiros anos de actividade, a sua história ficou marcada por uma filosofia de constante evolução tecnológica (a Brownie, a Starmatic ou a Instamatic fizeram parte do quotidiano de milhares de famílias), pelo conturbado processo de insolvência que atravessou em dois mil e doze e, no presente, pela aposta na comunhão do analógico com o digital como elemento fulcral da sua oferta comercial.

Não obstante a exclusividade técnica e a notoriedade pública de que sempre usufruiu, a Kodak desenvolveu, no século passado, memoráveis esforços — "It’s a Kodak Moment" é slogan universalmente reconhecido — de promoção dos seus produtos e serviços. Na continuação de um destaque que o Arquivo do Dia abordou em publicações anteriores, assinalamos o aniversário da Eastman Kodak Company invocando as emoções (do sentimentalismo à alegria e à exaltação) que a Kodak, ao longo de várias gerações, imprimiu nos anúncios televisivos abaixo partilhados.

Kodak Brownie Turret (1956)


"Turn Around" (1963)


Kodacolor com Betty White (1964)


"Sunrise Sunset" (1965)


Kodak Instamatic (c. 1969)


Kodak Pocket Instamatic 20 com Dick Van Dyke (1971)


Kodamatic Trim Print (1983)


[Fontes: Eastman Kodak Company / KoniOmega / ghfowler / Televisionarchives / Tatiana Aneas / PetaPixel / 13jalopy / VintageCommercials].
[Imagem: The Photographic Herald and Amateur Sportsman (Novembro de mil oitocentos e oitenta e nove) / George Eastman House International Museum of Photography and Film].

terça-feira, 3 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #303 — Do 'Blitzkrieg' à Segunda Guerra Mundial



"We have no material interest in the quarrel between Germany and Poland, but we should be fighting for something which is vital to our life and to the life of all civilized people. For in a world where the rights of the weak, and the honour of the pledged word, can be overruled by the high-end of military power, there is no tolerable life for nations or for peoples. So, in spite of our hatred of war, we must meet force with force!

A três de Setembro de mil novecentos e trinta e nove, uma coligação formada pela França e a Commonwealth (Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia) declara guerra à Alemanha, em resposta à invasão da Polónia, no dia anterior, pelo exército nazi. No mesmo dia, têm início as primeiras hostilidades: o navio britânico SS Athenia é torpedeado, a noroeste da costa irlandesa, pelo submarino alemão U-30, numa acção que marcou as primeiras horas de um conflito armado, político e ideológico que a História registaria como Segunda Guerra Mundial.

As notícias da Invasão da Polónia, e subsequente declaração de guerra pelas forças aliadas, são recordadas neste "especial informativo" da British Pathé. Recorrendo a imagens do arquivo da British Movietone, este "flashback" destaca o ambiente de reinante expectativa vivido entre os súbditos de Sua Majestade e, por inerência, em todo o mundo democrático.



[Fontes: British Movietone / British Pathé].
[Imagem: The New York Times].

A Sobrevivência do Cinema do Afeganistão



"Afghanistan has been destroyed and the movies are no exception. They need to be taken care of like a baby."

Os esforços do Afghan Film Archive para recuperar e preservar décadas de produção cinematográfica afegã destruídas e negligenciadas pelo regime Talibã.

Um artigo para ler, na íntegra, no The Washington Post.

[Fontes: Siobhán O'Grady / Sharif Hassan / The Washington Post].
[Imagem: Kiana Hayeri / FTWP / The Washington Post].

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #302 — Dia do Fotojornalista e do Repórter Cinematográfico



Celebrado anualmente a dois de Setembro, o Dia do Fotojornalista e do Repórter Cinematográfico assinala a importância destas profissões para o registo audiovisual, factual e maioritariamente imediato, da História Contemporânea. O fotojornalismo, em particular, e desde as suas origens no Século XIX, associou-se não só à cobertura de eventos noticiosos (da política aos faits divers, sem descurar a actualidade desportiva), como sempre foi veículo para a exposição dos principais conflitos armados (a Guerra Civil Americana, as duas guerras mundiais, a Guerra Civil Espanhola, a Coreia e o Vietname, a Guerra do Ultramar, etc.) que a Humanidade travou ao longo de sensivelmente dois séculos. Nesse âmbito, Robert Capa, Margaret Bourke-White, Henri Cartier-Bresson, Tim Page ou Tim Hetherington distinguiram-se como nomes de relevo para o fotojornalismo e a reportagem cinematográfica.

Nos últimos cinquenta anos, e fruto do advento da televisão, a reportagem de guerra destacou investigações, desenvolvimentos históricos e cenários de guerra que se assumiram como presença habitual no nosso quotidiano. A demonstrar esta acepção, o Arquivo de hoje resgata dois exemplos (o cenário de combate na Guiné-Bissau, pela objectiva da agência francesa Gamma, durante a Guerra do Ultramar, e a cobertura noticiosa da CBS na Guerra do Vietname) do poder que a união da imagem em movimento com o jornalismo alcançou em captar as mais instintivas emoções — pânico, sofrimento, desorientação — de sobrevivência humana.





[Fontes: Gamma / Antonio Alves / CBS / CBS Evening News].
[Imagem: Presslab / Shutterstock].

domingo, 1 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #301 — No Aniversário de Lily Tomlin



Actriz, humorista e cantora norte-americana, o percurso de Lily Tomlin, no grande ecrã, é indissociável dos trabalhos de Robert Altman (NASHVILLE, pelo qual foi nomeada ao Oscar de Actriz Secundária, e SHORT CUTS), Robert Benton (THE LATE SHOW), Carl Reiner (ALL OF ME) e, mais recentemente, David O. Russell (FLIRTING WITH DISASTER).

Paralelamente a esta filmografia, foi na televisão que Lily Tomlin se revelou junto do público norte-americano. Graças à sua "veia" humorística e a uma particular capacidade de transformação, a actriz desempenhou diversas personagens, durante os anos sessenta e setenta, em séries como ROWAN & MARTIN'S LAUGH-IN, THE CAROL BURNETT SHOW ou SATURDAY NIGHT LIVE. Assim, no dia do seu aniversário, recordamos um exemplo do humor explanado por Lily Tomlin em ROWAN & MARTIN'S LAUGH-IN; em concreto, na pele de Ernestine, uma peculiar telefonista sem qualquer pejo em partilhar com a CIA uma ou duas recomendações de segurança nacional.



[Fontes: George Schlatter-Ed Friendly Productions / Romart Inc. / NBC / Rowan & Martin's Laugh-In].
[Imagem: Matt Sayles / Invision / Associated Press / BuzzFeed].

quarta-feira, 31 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #300 — 'Intermission'



Com o mês de Agosto mesmo à porta, O Síndroma do Vinagre irá aproveitar a "época estival" para uma breve pausa na sua actividade regular — sobretudo, na publicação d’O Arquivo do Dia, embora seja de prever a divulgação de um ou outro post ocasional —, num período que servirá de preparação e reflexão para renovados conteúdos, novas dinâmicas no blog e, quem sabe?, de um actualizado visual.

Juntamente com os nossos desejos de boas férias (se for o caso) aos leitores d’O Síndrome do Vinagre, e para assinalar esse "intervalo", o Arquivo de hoje recorda alguns exemplos de uma das manifestações mais icónicas da exibição cinematográfica nos anos cinquenta e sessenta: os denominados 'intermission films', os quais não só informavam o espectador de que a projecção ia conhecer breve interregno, como também serviam de promoção a diversas marcas e/ou, simplesmente, de "apresentação" do bar da sala de cinema. Para a memória, permaneceu um conjunto de filmes animados (maioritariamente, da responsabilidade de produtoras, já extintas, como a Keitz & Herndon ou a Alexander Film Company), revelador do espírito da Publicidade naquela era, que fez parte de uma considerável geração de cinéfilos norte-americanos.

Drive-in (1950)


Hot Dog Drive-in (c. 1950)


Let’s All Go To The Lobby (1953)


Get More Out Of Life! (1960)


Smoke, Talk, and Relax (1960)


[Fontes: Throwback / audiobuff2 / Filmack Studios / historycomestolife / DriveInMovieAds].

terça-feira, 30 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #299 — "A Rua d'Iliza"



Produzido em mil novecentos e sessenta e oito para a Rádio e Televisão de Portugal (RTP), importa salientar como, cinquenta anos depois, A RUA D’ILIZA mantém o seu estatuto de experiência televisiva inventiva e pioneira no nosso país. Descrito como "uma opereta africana", e adaptando um tema tradicional de marrabenta moçambicana, A RUA D’ILIZA teve origem na criatividade e direcção artísticas de Milo MacMahon e Raúl Indipwo (então conhecidos na cena musical como Duo Ouro Negro) que, em retrospectiva, demonstra a capacidade técnica, simultaneamente modesta e em expansão, da televisão nacional nos finais dos anos sessenta.

Filmado em apenas um fim-de-semana nos estúdios da Tobis Portuguesa, pela considerável quantia de oito mil escudos, e com a colaboração de artistas como os Sheiks, Lilly Tchiumba ou Dany Boavida, A RUA D’ILIZA conheceu particular sucesso junto do público português e da imprensa de variedades; Mário Castrim, na página "Canal da Crítica" do semanário Tal & Qual, apelidou a produção de "Uma lufada de ar fresco no Lumiar". Não obstante o êxito registado, a RTP estaria vários anos sem investir novamente num formato televisivo-musical deste género. Mais tarde, o próprio Raúl Indipwo confessaria a sua desilusão pessoal: "Infelizmente a RTP não deu grande importância à Rua d'Iliza".



[Fontes: Arquivos RTP / http://duoouronegro.blogspot.com / cortexoccipital].
[Imagem: RTP / cortexoccipital].

segunda-feira, 29 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #298 — No Aniversário de Budd Boetticher



Nascido a vinte e nove de Julho de mil novecentos e dezasseis, a filmografia de Budd Boetticher distinguiu-se pela prolífera realização de westerns de baixo orçamento, muitas vezes protagonizados por Randolph Scott, num processo que o próprio cineasta descreveu como feliz acaso: "tornei-me num realizador de westerns porque achavam que eu parecia um cowboy". Para a Universal, e sobretudo nos anos cinquenta, Boetticher assinou BULLFIGHTER AND THE LADY (pelo qual foi nomeado para o Oscar de Melhor Argumento), THE CIMARRON KID, THE KILLER IS LOOSE (um dos seus raros noirs), 7 MEN FROM NOW, THE TALL T, RIDE LONESOME e A TIME FOR DYING.

Pouco tempo antes do seu falecimento em Novembro de dois mil e um, Budd Boetticher concedeu a entrevista que o Arquivo de hoje destaca, na qual o realizador — cujo percurso tem sido recuperado pela cinefilia contemporânea — opina sobre o CinemaScope enquanto formato de privilegiada "afiliação" ao western, a inspiração que recolheu junto de pintores impressionistas e a importância de ter tido o director de fotografia Lucien Ballard como o seu colaborador mais regular.



[Fonte: mediafunhouse].
[Imagem: Senses of Cinema].

domingo, 28 de julho de 2019

Robert Richardson e "A Honestidade da Película"



"I try to keep away from all the tricks you can do with a digital intermediate, and stick to what would be chemical–which is why I think you feel there’s an honesty to the film. Nowadays, we have so much capability of changing things in a digital intermediate that it has a huge influence on the way films are coming out".

Robert Richardson, director de fotografia de ONCE UPON A TIME... IN HOLLYWOOD, o mais recente trabalho de Quentin Tarantino, fala sobre os métodos do seu realizador, a Televisão e o Cinema dos anos sessenta, e as diferenças intrínsecas à projecção do mesmo filme em 35mm, 70mm e DCP. Uma entrevista para ler, na íntegra, no site The Film Stage.

[Fontes: Nick Newman / The Film Stage].
[Imagem: Sony Pictures Entertainment].

sexta-feira, 26 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #297 — Rutger Hauer (1944 - 2019)



Senhor de rosto e olhar internacionalmente aclamados, Rutger Hauer foi um dos principais nomes de culto do cinema norte-americano, sobretudo nos anos oitenta, pela sua (icónica) presença nos elencos de BLADE RUNNER e LADYHAWKE. Natural da Holanda, a representação esteve sempre presente na vida de Rutger Hauer: os seus pais eram actores e, ainda jovem, começou a ter aulas de representação e a integrar grupos amadores de teatro. Parceiro do sucesso dos primeiros filmes de Paul Verhoeven, a estreia de Hauer no cinema norte-americano deu-se com NIGHTHAWKS, no papel de um terrorista, ao lado de Sylvester Stallone. A figura do vilão e do anti-herói foram, aliás, marcantes para o seu apelo popular, numa característica que o actor explorou, tanto no Cinema como na Televisão, em THE OSTERMAN WEEKEND, THE HITCHER, LA LEGGENDA DEL SANTO BEVITORE, BLIND FURY ou SIN CITY.

No momento em que se assinala o seu falecimento, o Arquivo de hoje recorda a indelével ligação de Rutger Hauer a BLADE RUNNER, clássico de ficção-científica realizado por Ridley Scott em mil novecentos e oitenta e dois. Em concreto, esta entrevista de promoção ao filme, conduzida pelo crítico de cinema John C. Tibbetts, para o programa Arts and Entertainment, e inteiramente dominada pelo sentido de humor, intensidade e pragmatismo de Rutger Hauer.



[Fontes: KCTV / Brian Wade Garrison].
[Imagem: The Ladd Company / Warner Bros. / Stanley Bielecki Movie Collection / Getty Images].

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #296 — A Batalha de Ourique



A vinte e cinco de Julho de mil cento e trinta e nove, o exército cristão de D. Afonso Henriques enfrenta e derrota as tropas muçulmanas ao serviço de Ali ibne Iúçufe, num recontro que serviria de argumento em prol da independência do Reino de Portugal. Mais do que a sua importância para a autonomia do Condado Portucalense face a Leão e Castela, a Batalha de Ourique enraizou-se profundamente no imaginário português: o seu local exacto continua a ser tema de debate entre os historiadores; a vitória está retratada no próprio brasão de armas de Portugal; e a lenda de que D. Afonso Henriques terá tido a visão de Jesus Cristo, garantindo-lhe a vitória antes do combate, reveste-se de imenso cariz místico.

A propósito da Batalha de Ourique, e dos arquivos da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), recordamos a interpretação destes acontecimentos por José Hermano Saraiva, no programa A Alma e a Gente, emitido em Novembro de dois mil e seis. No estilo muito próprio do historiador, o episódio dedicado à vila de Ourique (a hipótese tradicionalmente apresentada como o palco da Batalha), no Baixo Alentejo, elabora não só o retrato moderno daquela região, como os contextos histórico, social e político do nosso país no Século XII.



[Fontes: Arquivos RTP / Videofono / Lusitano27BC].
[Imagem: Jorge Colaço / Centro Cultural Rodrigues de Faria / Wikimedia Commons].

Filmes Restaurados: THE DOORS — THE FINAL CUT (1991, Oliver Stone)



Trailer para a versão restaurada de THE DOORS, biopic musical realizado por Oliver Stone em mil novecentos e noventa e um.



"This brand new 4K restoration of THE DOORS in Dolby Atmos will provide far greater overall clarity and dimension for the audience. During the many concert sequences, the sound now fills the auditorium above the audience, behind it, and all points in between. I wanted the film to be as immersive as possible to a real 60s Doors experience. Additionally, I've made one cut of 3 minutes to a scene I thought was superfluous to the ending, which helps close out the film in a more powerful way."

Restauro e final cut em 4K, supervisionados pelo próprio Oliver Stone, pela FotoKem em colaboração com a L'Immagine Ritrovata, a partir do negativo original em 35mm (Eastman) do filme.

[Fontes: StudiocanalUK / Blu-ray.com].
[Imagem: Bill Graham Films / Carolco Pictures / Imagine Entertainment / Ixtlan].

quarta-feira, 24 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #295 — O Regresso da Apollo 11



A vinte e quatro de Julho de mil novecentos e sessenta e nove, o módulo de comando da Apollo 11 reentra na atmosfera terrestre, amerissando no Oceano Pacífico onde seria recolhido pelo porta-aviões USS Hornet. Ficava, assim, concluída a viagem à Lua de Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins, dando início às "celebrações" em torno do feito da Apollo 11: os três astronautas desfilaram perante quase seis milhões de pessoas em Nova Iorque e Chicago; o The Century Plaza Hotel, em Los Angeles, foi palco de um banquete de estado oficial; o presidente Richard Nixon presenteou-os com a Presidential Medal of Freedom; e foram recebidos como heróis nos vinte e dois países visitados ao longo de uma digressão mundial de trinta e oito dias.

Dos arquivos da British Pathé, recordamos hoje a "aterragem" da Apollo 11, e subsequente resgate pela tripulação do USS Hornet, num conjunto de imagens, captado em 16mm e sem som, que documenta o momento derradeiro de um dos empreendimentos científicos mais marcantes e inspiradores dos últimos cinquenta anos.



[Fonte: British Pathé].
[Imagem: The New York Times / United Press International / Associated Press].

terça-feira, 23 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #294 — Guias Para Sobreviver ao Holocausto Nuclear



"In an all-out nuclear war, to use the word 'survival' is idiotic."

É sob a égide destas pessimistas palavras, escritas pelo General Sir John Hackett, que IF THE BOMB DROPS... apresenta Protect and Survive, uma série de panfletos, transmissões radiofónicas e filmes produzida pelo Governo Britânico, nas décadas de setenta e oitenta, com o intuito de alertar e informar os cidadãos sobre as contingências a adoptar na eventualidade de um ataque nuclear.

Dado o seu conteúdo austero, o Governo Britânico classificou o projecto como top secret, de modo a minimizar alarmismos entre a população e, por inerência, da noção de que "se existem hipóteses de sobrevivência a uma guerra nuclear, então essa guerra seria mesmo possível". Tendo em conta o imenso interesse público que gerou, a BBC conseguiu ter acesso (quase clandestino) às suas imagens, exibindo-as no programa Panorama, da BBC, a dez de Março de mil novecentos e oitenta. Nesse episódio, intitulado IF THE BOMB DROPS..., e em retrospectiva, torna-se evidente o "estado de espírito" do cidadão comum em relação à mera possibilidade do conflito nuclear durante a Guerra Fria, revelando um ambiente sócio-político que, temporalmente, não ocorreu numa época muito distante da nossa modernidade.



[Fontes: British Broadcasting Corporation (BBC) / Sean Judge].
[Imagem: Daily Mail].