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Em 1968, Veneza transforma-se no palco de todas as discórdias, numa edição marcada pelos ventos do Maio de 68 que ainda se faziam sentir por toda a Europa política e cultural: o início é adiado durante dois dias, fruto de protestos e apelos de boicote ao certame por comunistas e socialistas; no dia da inauguração, o Lido é ocupado por forças policiais; decide-se pela autogestão do Festival; erguem-se cartazes que clamam "Biennale Fascista" e "Veneza Burguesa"; Roberto Rossellini, Liliana Cavani e Bernardo Bertolucci recusam projectar os seus filmes, e Pier Paolo Pasolini só aceita, à última da hora, a inclusão de TEOREMA na Competição Internacional.
Entre diversas manifestações de protesto — como o hoje destacado, da autoria da produtora Unitelefilm, que registou o encolerizado ambiente antes da abertura do Festival —, o Leão de Ouro foi atribuído a Alexander Kluge por ARTISTS UNDER THE BIG TOP: PERPLEXED. Para a história, este é o Festival que mereceu, pelos jornalistas então presentes, o epíteto de "cinema demencial".
[Fontes: Unitelefilm / Archivio Audiovisivo del Movimento Operaio e Democratico].
[Imagem: Michelangelo Pistoletto / Terri Maxfield Lipp].
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