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sábado, 28 de dezembro de 2019

O Cinema de 2019 — Um Balanço "Analógico"



No momento em que o Cinema volta a ser o protagonista de mais uma "batalha tecnológica" — isto é, entre a exibição em sala e o incremento da exclusividade de estreias em plataformas de streaming, com todas as implicações que essa nova dinâmica comercial veio trazer para o mercado da distribuição —, 2019 revelou-se um período animador e proveitoso no que toca à produção cinematográfica em suporte analógico.

Ao longo dos últimos doze meses, as salas de cinema portuguesas acolheram 30 títulos filmados, inteira ou parcialmente, em película. Esta contabilidade representa um ligeiro acréscimo de rodagens analógicas exibidas no nosso país, face aos 26 filmes estreados ao longo de 2018. Neste âmbito, e à semelhança dos anos anteriores, essa produção não se cingiu a nenhum contexto orçamental nem geografias ou temáticas em particular; o único denominador comum, aqui, é a opção pela Kodak enquanto fornecedor de suporte fílmico. A listagem de estreias em película no nosso país — ordenadas pela sua data de estreia e dispostas por título original, realizador, formato e (quando disponível) especificações técnicas —, que abaixo se publica, deixa claro que a "morte da película" foi prematuramente anunciada.

  • THE OLD MAN AND THE GUN (David Lowery): 16mm [Kodak Vision3 200T 7213];
  • VOX LUX (Brady Corbet): 35mm [Kodak Vision3 250D 5207, Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219];
  • THE FAVOURITE (Yorgos Lanthimos): 35mm [Kodak Vision3 500T 5219, Kodak Vision3 200T 5213, Kodak Vision3 50D 5203];

  • VICE (Adam McKay): 8mm [Kodak Vision3 500T 7219], 16mm [Kodak Vision3 500T 7219] e 35mm [Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219];
  • ASH IS PUREST WHITE (Jia Zhangke): 35mm;
  • CHUVA É CANTORIA NA ALDEIA DOS MORTOS (João Salaviza e Renée Nader Messora): 16mm [Kodak Vision3 500T 7219];
  • THE KAMAGASAKI CAULDRON WAR (Leo Sato): 16mm;
  • AYKA (Sergei Dvortsevoy): 16mm [Kodak Vision3 250D 7207, Vision3 500T 7219];
  • DIAMANTINO (Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt): 16mm [Kodak Vision3 500T 7219];
  • SUNSET (László Nemes): 35mm [Kodak Vision3 500T 5219] e 65mm [Kodak Vision3 500T 5219];
  • RED JOAN (Trevor Nunn): 35mm;
  • THE BEACH BUM (Harmony Korine): 35mm [Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219];
  • POKÉMON: DETECTIVE PIKACHU (Rob Letterman): 35mm [Kodak Vision3 500T 5219, Vision3 50D 5203];
  • HIGH LIFE (Claire Denis): 16mm [Kodak Super 16];
  • PÁJAROS DE VERANO (Ciro Guerra e Cristina Gallego): 35mm [Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219];
  • PETRA (Jaime Rosales): 35mm [Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219];
  • UN COUTEAU DANS LE COEUR (Yann Gonzalez): 16mm [Kodak Vision3 200T 7213, Vision3 500T 7219, Eastman Double-X 7222, Wittner Chrome 200D] e 35mm [Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219];
  • HER SMELL (Alex Ross Perry): 35mm [Kodak];
  • ONCE UPON A TIME... IN HOLLYWOOD (Quentin Tarantino): 8mm [Kodak Ektachrome 100D 7294], 16mm [Kodak Ektachrome 100D 7285] e 35mm [Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219];


Paralelamente às estreias em sala, e em jeito de curiosidade, é digno de registo os quatro filmes rodados em película que, no nosso país, conheceram exibição "privativa" no Netflix — uma realidade que não só enfatiza o dilema mencionado no primeiro parágrafo deste balanço, como promete proporcionar redobrado debate em 2020: UNCUT GEMS, o novo filme de Josh e Benny Safdie rodado inteiramente em 35mm, chegará a Portugal no próximo dia 31 de Janeiro e exclusivamente através daquela plataforma de streaming.
  • ANIMA (Paul Thomas Anderson): 35mm [Kodak];
  • THE IRISHMAN (Martin Scorsese): 35mm [Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219];
  • 6 UNDERGROUND (Michael Bay): 35mm [Kodak];
  • MARRIAGE STORY (Noah Baumbach): 35mm [Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219];

Num breve exercício de antevisão, 2020 também poderá ser interessante em termos de produção em película. Só no próximo ano, teremos o regresso ao activo de alguns dos defensores do formato — Christopher Nolan a filmar TENET em 65mm; Wes Anderson preferiu a película de 16mm e 35mm para THE FRENCH DISPATCH; Greta Gerwig optou pelo 35mm para a sua versão de LITTLE WOMEN; o remake de WEST SIDE STORY, por Steven Spielberg, está a ser rodado em analógico... —, assim como produção portuguesa em 16mm (TU ACIMA DE TUDO, de Lucas Elliot Eberl e Edgar Morais) e de uma contínua presença dos players tecnológicos (SEBERG, de Benedict Andrews e filmado em 35mm, chegar-nos-à pela chancela da Amazon Studios) no mercado, há muitas hipóteses de, daqui a doze meses, podermos fazer mais um "balanço analógico" positivo.

Imagem:
1 Logotipo KODAK Motion Picture Film.
2 Imagem dos bastidores de THE FAVOURITE, rodado em película de 35mm (© Atsushi Nishijima / Fox Searchlight).
3 Fotogramas de ONCE UPON A TIME... IN HOLLYWOOD, © CPC London.
4 Fotograma de MARRIAGE STORY, © Nick Lazzaro.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Estreia da Semana: STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER



STAR WARS: THE RISE OF SKYWALKER, de J.J. Abrams, rodado em película de 35mm e 65mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).



[Fontes: Lucasfilm / Bad Robot / Walt Disney Pictures / SYLO: Star Wars].
[Imagem: Annie Leibovitz / Vanity Fair].

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Estreia da Semana: L'HOMME FIDÈLE



L'HOMME FIDÈLE, de Louis Garrel, rodado em película de 35mm (Kodak).

«J’avais donc besoin de tourner en 35mm. On peut faire de très beaux films d’époque en numérique, mais nous avions un budget assez restreint et la caméra vidéo donne un côté "making of"», Louis Garrel.

[Fonte: brefcinema.com].
[Imagem: Why Not Productions / Kino Lorber].

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Estreia da Semana: L'EMPEREUR DE PARIS



L'EMPEREUR DE PARIS, de Jean-François Richet, rodado em película de 35mm (Kodak).

«Avec Manu Dacosse, le chef opérateur, nous avons fait plusieurs tests de pellicule, de traitement de l’image en situation de costumes et de décors. Je suis ravi d’avoir tourné une grande partie de ce film en 35 mm, je recherche toujours l’organique en image, j’aime que le défaut de la pellicule argentique devienne une qualité», Jean-François Richet.

[Fontes: Mandarin Films / Gaumont / Dossier de Imprensa do filme].
[Imagem: Mandarin Films / Gaumont].

domingo, 28 de julho de 2019

Robert Richardson e "A Honestidade da Película"



"I try to keep away from all the tricks you can do with a digital intermediate, and stick to what would be chemical–which is why I think you feel there’s an honesty to the film. Nowadays, we have so much capability of changing things in a digital intermediate that it has a huge influence on the way films are coming out".

Robert Richardson, director de fotografia de ONCE UPON A TIME... IN HOLLYWOOD, o mais recente trabalho de Quentin Tarantino, fala sobre os métodos do seu realizador, a Televisão e o Cinema dos anos sessenta, e as diferenças intrínsecas à projecção do mesmo filme em 35mm, 70mm e DCP. Uma entrevista para ler, na íntegra, no site The Film Stage.

[Fontes: Nick Newman / The Film Stage].
[Imagem: Sony Pictures Entertainment].

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Filmes Restaurados: THE DOORS — THE FINAL CUT (1991, Oliver Stone)



Trailer para a versão restaurada de THE DOORS, biopic musical realizado por Oliver Stone em mil novecentos e noventa e um.



"This brand new 4K restoration of THE DOORS in Dolby Atmos will provide far greater overall clarity and dimension for the audience. During the many concert sequences, the sound now fills the auditorium above the audience, behind it, and all points in between. I wanted the film to be as immersive as possible to a real 60s Doors experience. Additionally, I've made one cut of 3 minutes to a scene I thought was superfluous to the ending, which helps close out the film in a more powerful way."

Restauro e final cut em 4K, supervisionados pelo próprio Oliver Stone, pela FotoKem em colaboração com a L'Immagine Ritrovata, a partir do negativo original em 35mm (Eastman) do filme.

[Fontes: StudiocanalUK / Blu-ray.com].
[Imagem: Bill Graham Films / Carolco Pictures / Imagine Entertainment / Ixtlan].

sábado, 20 de julho de 2019

A Febre do Arquivo #6: Apollo 11 (2019, Todd Douglas Miller)



"I do say that space can be explored and mastered without feeding the fires of war, without repeating the mistakes that man has made in extending his writ around this globe of ours.

There is no strife, no prejudice, no national conflict in outer space as yet. Its hazards are hostile to us all. Its conquest deserves the best of all mankind, and its opportunity for peaceful cooperation may never come again.

(John F. Kennedy)

Da diversa iconografia que, habitualmente, é destacada para a definição dos acontecimentos marcantes do Século XX, as imagens da chegada de Neil Armstrong e Buzz Aldrin à Lua, a vinte de Julho de mil novecentos e sessenta e nove, contam-se entre as mais célebres, reproduzidas e escrutinadas dos últimos cinquenta anos. Nesse mesmo período de tempo, versando sobre a Apollo 11, multiplicaram-se filmes e séries documentais, gizou-se literatura fotobiográfica, ensaios históricos e recriações em banda desenhada, e até se desenvolveram jogos de computador.



É, portanto, no seio de uma abundante produção historiográfica (e não esquecendo a existência de footage cujo paradeiro ainda nos "esquiva") que APOLLO 11 imprime novo fôlego a um tema já merecedor de variadas abordagens. Inteiramente composto por materiais de arquivo, nos quais se inclui metragem filmada pela NASA em 70mm que nunca conheceu apresentação pública, o grande trunfo do documentário de Todd Douglas Miller reside, precisamente, numa montagem daquele acervo fílmico capaz de reconstruir o arrebatamento que o mundo então nutriu em torno da missão e objectivos da Apollo 11.

APOLLO 11 esboça, acima de tudo, a dinâmica e profusa narração audiovisual da cadeia de acontecimentos: das impressionantes imagens em 70mm (os momentos na plataforma de lançamento ou a visão do entusiasmo dos populares que então observaram o evento ao vivo são, neste grande formato, particularmente impressionantes) aos filmes captados por operadores que, literalmente, circularam pelos responsáveis da missão na sala de controlo do Centro Espacial Kennedy, do material recolhido pelas câmaras de 16mm que acompanharam os três astronautas à sua extensa cobertura televisiva, o trabalho de reconstituição — por vezes, ao ínfimo segundo — executado por Todd Douglas Miller suplanta os conceitos básicos do documentário histórico. Na verdade, mesmo que todos saibamos o desfecho e os protagonistas da missão da Apollo 11, permanecerá no espectador o tangível sentimento de novidade.



Nesse âmbito, é obrigatório enfatizar o percurso e a recuperação da metragem em película de 70mm tratada pela produção de APOLLO 11. Armazenadas durante décadas nos cofres do National Archives, em cento e setenta e sete bobines rotuladas de forma insuficiente — nas caixas, "Apollo 11" era o único elemento identificador do seu conteúdo —, o facto de estas imagens nunca terem sido exibidas (com a excepção de breves fragmentos incluídos no documentário MOONWALK ONE) foi, aparentemente, motivado pela impossibilidade técnica, por parte da NASA, de trabalhar em grandes formatos fílmicos.

Não obstante os anos em que esteve votado ao "esquecimento", a preservação desse material provou ser melhor que a ideal. A digitalização de fotogramas em 16mm, 35mm e 70mm, num perfeito estado de conservação, e respectivo tratamento por Todd Douglas Miller e a sua equipa de edição, revela APOLLO 11 não só enquanto puro filme de montagem — fundindo e expandindo os limites do cinéma vérité e do cinema directo enquanto géneros documentais — mas, sobretudo, como (mais uma) pragmática demonstração do poder dos suportes analógicos para a "retenção" da memória da Humanidade.



Fruto do trabalho de arquivo congregado em APOLLO 11, o filme providencia uma interpretação fresca e alternativa de um dos eventos mais importantes do século passado, um absoluto testemunho fílmico de desenvolvimento e progresso científicos, ao mesmo tempo que não sonega o contexto temporal em que as suas imagens foram registadas — isto é, os últimos meses da década de sessenta, quando os sucessos tecnológicos da NASA galvanizaram a psique norte-americana, vincada pela Guerra do Vietname e consequente inquietação social, por segregação racial, pela ausência de igualdade de género (Margaret Hamilton, a única mulher envolvida no projecto Apollo 11, ganha peculiar destaque na montagem de Todd Douglas Miller) e pela esperança em torno do fim da Corrida Espacial.

APOLLO 11 é produto para ser visto em grande ecrã e, nesse aspecto, importa lamentar a impossibilidade (não só no nosso país) de o visualizar nesse contexto. Formatos de exibição à parte, a mensagem e o poder de atracção do filme permanecerão, decisivamente, nos originais analógicos que os sustêm.

[Imagens: National Aeronautics and Space Administration (NASA) / CNN Films / Statement Pictures.]

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Novidades Analógicas #14: RISING WATER, de Niels Windfeldt



Curta-metragem reflexiva e de profundo teor metafórico, RISING WATER explora o passado, presente e futuro da presença humana na Terra. Filmado em película de 35mm (Kodak).



[Fontes e Imagem: Storyline Studios / Niels Windfeldt].

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Estreia da Semana: UN COUTEAU DANS LE COEUR



UN COUTEAU DANS LE COEUR, de Yann Gonzalez, rodado em película de 16mm (Kodak Vision3 200T 7213, Vision3 500T 7219, Eastman Double-X 7222, Wittner Chrome 200D) e 35mm (Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219).

«Film enhances everything — the wardrobe, make-up, skin tones, locations. Digital was never an option on this film, and I really don't agree with spending unnecessary time grading digital material in post production, when you already have the result you want so naturally by shooting on film», Yann Gonzalez.

[Fonte: Kodak].
[Imagem: CG Cinéma / Garidi Films].

domingo, 7 de julho de 2019

Novidades Analógicas #13: TO BE FREE, de Adepero Oduye



Em exibição no site de streaming Le Cinéma Club, a curta-metragem TO BE FREE é um tributo da realizadora e actriz Adepero Oduye a Nina Simone — um filme capturado em fulgurante e atmosférica película de 35mm.

KEEP IT FOR YOURSELF pode ser visualizado, na íntegra e ao longo da próxima semana, no Le Cinéma Club.

[Fontes e Imagem: The Light / AYA Cinema / Ayo Doyin / Le Cinéma Club].

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Estreia da Semana: PÁJAROS DE VERANO



PÁJAROS DE VERANO, de Ciro Guerra e Cristina Gallego, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«Unlike digital, when you combine 35mm film with authentic costume, make-up locations and props, you get a platform that reaches back into the past. Film becomes your ally". David Gallego, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Imagem: Mateo Contreras / Ciudad Lunar Producciones / Blond Indian Films].

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Estreia da Semana: THE BEACH BUM



THE BEACH BUM, de Harmony Korine, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«I think when Harmony said we have to push and go even further, just the decision to shoot on film was already a huge step", Benoît Debie, director de fotografia do filme.

[Fonte: IndieWire].
[Imagem: TMZ.com].

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Novidades Analógicas #6: MR. MALCOLM'S LIST, de Emma Holly Jones



MR. MALCOLM'S LIST, curta-metragem realizada por Emma Holly Jones. Rodada em película de 35mm (Kodak).



Realização: Emma Holly Jones
Direcção de Fotografia: Matthew David Chavez

[Fontes e Imagem: Shatterbox / Refinery29].

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Estreia da Semana: VICE



VICE, de Adam McKay, rodado em película de 8mm (Kodak Vision3 500T 7219), 16mm (Kodak Vision3 500T 7219) e 35mm (Kodak Vision3 200T 5213, Vision3 500T 5219).

«As the story is complex and involved, we felt most of the production needed to be filmed on 35mm with low-contrast and in quite a classic, traditional manner – with the camera locked-off or with simple dolly and track moves – like you would find in a beautifully-shot film from the 1970s», Greig Fraser, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Imagem: Matt Kennedy / Annapurna Pictures].

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estreia da Semana: THE FAVOURITE



THE FAVOURITE, de Yorgos Lanthimos, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 500T 5219, Kodak Vision3 200T 5213, Kodak Vision3 50D 5203).

«Unlike digital, where you have to impose a 'filmic look', the default setting of film is a 'filmic look'.», Robbie Ryan, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Imagem: Atsushi Nishijima / Twentieth Century Fox Film Corporation].

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Estreia da Semana: VOX LUX



VOX LUX, de Brady Corbet, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 250D 5207, Kodak Vision3 200T 5213, Kodak Vision3 500T 5219).

«If anything, VOX LUX was to be an extension of the storytelling power of 35mm film that had worked so successfully on our previous production together. We both felt film was the perfect platform for this commentary on modern times.», Lol Crawley, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Imagem: Getty Images / ComingSoon.net].

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Arquivo do Dia #189 — A Patente do 35mm



A 7 de Janeiro de 1894, William Kennedy Dickson obtém, do United States Patent and Trademark Office, a patente relativa à invenção de filme em película de celulóide. Elaborada a partir de um rolo convencional de 70mm, Dickson compôs a sua criação através da perfuração lateral de tiras de filme em 35mm, o formato padrão para a produção cinematográfica e que possibilitou, pouco tempo depois, o desenvolvimento técnico e comercial do Cinetoscópio pela Edison Manufacturing Company. Assim, concretizava-se o desejo de conceber o dispositivo que, nas palavras de Dickson, "faria para olho o que o fonógrafo faz para o ouvido".

Os fundamentos básicos daquela invenção (pormenorizadamente descritos, por William Kennedy Dickson, em History of the Kinetograph, Kinetoscope and Kinetophonograph) foram determinantes para o dealbar da expressão artística mais importante do Século XX, sendo por intermédio da película de celulóide que, muitas vezes, vos chega o Arquivo do Dia. Porém, e pelo assunto hoje destacado, recordamos uma das primeiras experiências fílmicas de Dickson enquanto funcionário da Thomas A. Edison Inc: DICKSON EXPERIMENTAL SOUND FILM (1894), raro "sobrevivente" de títulos para reprodução em Cinefone e merecedor de rasgado debate contemporâneo em torno do seu conteúdo temático, no qual dois homens dançam ao som de uma melodia tocada ao violino pelo próprio William Kennedy Dickson.



[Fontes: Edison Manufacturing Company / Library of Congress].
[Imagem: University of Melbourne Archives].

sábado, 29 de dezembro de 2018

O Cinema de 2018 — Um Balanço "Analógico"



Na presente época de resumo do ano cinematográfico, e a jusante das dissertações (do melhor ao pior, assim como do mais marcante, imperdível ou absolutamente olvidável, entre outras observações) que têm sido publicadas nos mais diversos meios, O Síndroma do Vinagre volta a direccionar a sua atenção exclusivamente para a listagem de uma das particulares "obsessões" deste espaço: as estreias em Portugal de filmes, inteira ou parcialmente, rodados em película.

Ao longo dos últimos doze meses, as salas de cinema portuguesas acolheram 26 "títulos analógicos". Se por um lado, e comparativamente aos 31 filmes de 2017, regista-se o ténue decréscimo no número de obras rodadas em película, por outro continua a ser notório que essa produção não se cinge a geografias, temáticas ou filmografias específicas. Mas antes de qualquer análise mais detalhada, abaixo se elencam as estreias em película no nosso país — ordenadas pela sua data de estreia e dispostas por título, realizador, formato e (quando disponível) especificações técnicas:


Deste grupo restrito de títulos, e para além dos cineastas "do costume" que já nos habituaram à sua predilecção pela película — Paul Thomas Anderson, Steven Spielberg, Yorgos Lanthimos, Todd Haynes... —, sobressai uma representação considerável de produções europeias, assim como as de cariz independente, num óbvio contraste com a tendência, "apurada" em 2017, de vários blockbusters rodados em 35mm (neste particular, READY PLAYER ONE: JOGADOR 1 e MISSÃO: IMPOSSÍVEL — FALLOUT foram distintas excepções).

A principal consideração a retirar das estreias em película de 2018 será, na verdade, a prossecução do conceito — anteriormente exposto neste blog — de matrizes temáticas, ou seja, a escolha consciente do formato de rodagem em função dos desideratos, conteúdos e narrativas de um filme. O melhor exemplo disto mesmo revelou-se no formalismo de O PRIMEIRO HOMEM NA LUA, de Damien Chazelle, no qual se recorreu ao 16mm, 35mm e 65mm conforme o ambiente (o cockpit do módulo lunar, quotidianos domésticos e a Lua, respectivamente) em que a acção se desenrola. De modo semelhante, a preferência de Spike Lee, em BLACKKKLANSMAN, pelo 16mm Eastman Double-X (ou seja, a preto e branco) e o 35mm Ektachrome espelhou o desejo do realizador em emular o aspecto visual de peças de propaganda racista e do próprio Cinema dos anos 70. E sublinhe-se, ainda, a oportunidade de ver — não obstante a sua limitada distribuição — SPELL REEL (Filipa César), um título que se debruça, quase exclusivamente, sobre o trabalho de arquivo de imagens em suportes analógicos.

Paralelamente ao comentário em torno da relação entre película e opções estéticas, importa constatar as filosofias (certamente alheadas à tese que agora discorro, diga-se em abono da verdade) da distribuição cinematográfica em Portugal para a diminuição, acima referida, de filmes produzidos em película ao longo do ano que agora termina. Em poucos meses, assistiu-se à "recalendarização", ou mesmo supressão, de títulos como CHRISTOPHER ROBIN (Marc Forster), VOX LUX (Brady Corbet) ou DIAMANTINO (Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt) — todos rodados em 35mm.

Todavia, tal não deve ser encarado como motivo para alarme, uma vez que se perspectiva um novo ano com interessante oferta neste formato. Além disso, para os indefectíveis da película, nunca é demais recordar que a Cinemateca Portuguesa mantém projecções regulares em 16mm ou 35mm — e com uma programação, para os meses que se avizinham, inteiramente pensada para a celebração dos 70 anos de existência daquela instituição.

Imagem:
1 Fotogramas de LINHA FANTASMA, Metrograph.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Estreia da Semana: SHOPLIFTERS / MANBIKI KAZOKU



SHOPLIFTERS / MANBIKI KAZOKU, de Hirokazu Kore-eda, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 500T 5219).

«Once, a cinematographer I know said the color captured on film is "memory color," meaning that film can express the color which is in our memories. I totally agree. I believe there are colors only film can express and that the texture of film can create a certain world of its own.», Ryuto Kondo, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Imagem: Fuji Television Network / GAGA Corporation / AOI Pro. Inc.].

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Estreia da Semana: WIDOWS



WIDOWS, de Steve McQueen, rodado em película de 35 mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«Film has been something that Steve [McQueen] has consistently insisted on in all our previous work together, which is based on what it does best – storytelling. It remains a better acquisition medium than digital, and it stores more information in the negative.», Sean Bobbitt, director de fotografia do filme.



[Fonte: Kodak Motion Picture Film].
[Featurette: New Regency Pictures / Movie Trailers Media].
[Imagem: Movie Roar].