quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Estreia da Semana: L'HOMME FIDÈLE



L'HOMME FIDÈLE, de Louis Garrel, rodado em película de 35mm (Kodak).

«J’avais donc besoin de tourner en 35mm. On peut faire de très beaux films d’époque en numérique, mais nous avions un budget assez restreint et la caméra vidéo donne un côté "making of"», Louis Garrel.

[Fonte: brefcinema.com].
[Imagem: Why Not Productions / Kino Lorber].

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Estreia da Semana: SORRY WE MISSED YOU



SORRY WE MISSED YOU, de Ken Loach, rodado em película de 16mm (Kodak Vision3 250D 7207, Vision3 200T 7213, Vision3 500T 7219).

«(...) the innate texture and grain of 16mm has a unique character, which you just don’t get with digital. To my mind, 16mm delivers a more honest image, and you can certainly feel it in the human family drama in SORRY WE MISSED YOU», Robbie Ryan, director de fotografia do filme.

[Fonte: Kodak].
[Imagem: Joss Barratt / Sixteen Films / BBC Films].

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #333 — Ford Edsel: "O Carro Errado na Hora Errada"



Em Novembro de mil novecentos e cinquenta e nove, a Ford Motor Company descontinua o fabrico do modelo Edsel, apenas dois anos depois da sua introdução comercial, numa decisão motivada pelo fraco desempenho de vendas e popularidade do veículo. Considerado como um dos principais fracassos do mercado automobilístico norte-americano, o Ford Edsel converteu-se num acérrimo case study junto dos historiadores: desde o seu design pouco atractivo à pobre execução de acabamentos, culminando na noção de ser exemplo pragmático de incapacidade corporativa em entender o consumidor, certo é que o seu falhanço converteu-o, igualmente e hoje em dia, num produto muito cobiçado por coleccionadores, havendo mesmo quem já tenha desembolsado duzentos mil dólares por uma unidade do carro mais impopular do Século XX.

O insucesso do modelo Edsel torna-se mais flagrante — e para o Arquivo do Dia, muito mais fascinante — se atentarmos ao investimento em publicidade que a Ford empreendeu aquando do seu lançamento no mercado. A quatro de Setembro de mil novecentos e cinquenta e sete (ou o "E Day"), a CBS transmitiu THE EDSEL SHOW, um programa de uma hora que reuniu Bing Crosby, Frank Sinatra, Rosemary Clooney, Louis Armstrong ou Bob Hope para promover o Ford Edsel junto do público norte-americano. Em paralelo, este especial de variedades constituiu-se como uma das primeiras experiências televisivas de gravação em fita magnética (videotape), uma tecnologia pela qual Bing Crosby demonstrou particular interesse. Curiosamente, esse foi, também, o único suporte que preservou THE EDSEL SHOW até aos nossos dias... e ao destaque do Arquivo de hoje.



[Fontes: Gonzaga University Productions / CBS / AdirondackMountainFilms].
[Imagem: Life Magazine, Novembro de 1957].

terça-feira, 19 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #332 - José Mário Branco (1942 - 2019)



«Os senhores da guerra
Não matam
Mandam matar
Os senhores da guerra
Não morrem
Mandam morrer

A guerra é p’ra quem
Nunca aprendeu
A semear
É p’ra quem só quer
Mandar matar
Para roubar
»

No dia em que se noticia o seu falecimento, o Arquivo recorda a participação de José Mário Branco, cantautor de temas como FMI, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Queixa das Almas Jovens Censuradas e Inquietação, no programa O Caso da Semana (desta emissão, os arquivos da RTP também guardam a declaração das suas experiências no exílio, durante o Estado Novo, em França). Aqui, José Mário Branco pôde finalmente interpretar Ronda do Soldadinho, em solo nacional, e sem receios de uma censura que lhe apreendeu vários exemplares deste single. Um tema de evidente crítica à Guerra Colonial, assinado por um dos músicos portugueses de maior relevo das últimas décadas, um homem de trato simples e afável, cuja obra, provavelmente, nunca obteve o reconhecimento popular que merece.



[Fontes: Arquivos RTP / ricardomiguelandrade].
[Imagem: A Capital / IP / Blitz].

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

'The Cinema Projectionist': Para Uma História (On-Line) do Projeccionismo na Grã-Bretanha



The Cinema Projectionist é um arquivo digital que possibilita a consulta, on-line e de forma gratuita, um largo e diverso conjunto de materiais sobre a história da projecção de cinema na Grã-Bretanha.

Desenvolvido por investigadores da Universidade de Warwick, e financiado pelo Arts and Humanities Research Council, The Cinema Projectionist é o resultado de um trabalho de quatro anos, durante o qual aferiu-se a cronologia das mudanças que a projecção cinematográfica conheceu até aos nossos dias, através de entrevistas, arquivos pessoais, publicações de imprensa regional, fotografias e home movies.

Esse repositório está, agora, plenamente disponível no site oficial do projecto The Cinema Projectionist. E não poderíamos recomendar mais a sua visita.

[Fontes: Universidade de Warwick / The Cinema Projectionist].
[Imagem: Kinematograph Weekly / The Cinema Projectionist].

domingo, 17 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #331 — 'Reality TV' nos Anos 50



Poucas coisas entusiasmam tanto o Arquivo como a "idade da inocência" que a televisão de entretenimento norte-americana patenteava durante a década de cinquenta. O mais recente exemplo com que nos deparamos dá pelo título de YOU ASKED FOR IT. Emitido inicialmente pela DuMont Network, tendo mais tarde constado da grelha da ABC, e apresentado pelo actor Art Baker, YOU ASKED FOR IT convidava os telespectadores a enviarem sugestões, por carta postal, daquilo que — tal como o seu título indicava — queriam ver exibido no programa.

No episódio que hoje destacamos, transmitido em Abril de mil novecentos e cinquenta e um, não só encontramos a natureza do entretenimento televisivo daquela época em todo o seu "vigor", mas também, e sobretudo, um reflexo das próprias sensibilidades do seu público. Desde um chimpanzé com talento para luta livre (um momento que arrepiaria as organizações contemporâneas de defesa dos animais) à recriação em estúdio da lenda da maçã de Guilherme Tell, e culminando numa interpretação musical de Harry Jolson (o irmão mais velho de Al) com direito a blackface, YOU ASKED FOR IT é, evidentemente, um produto acabado do seu tempo — e tudo com o "alto patrocínio" da Skippy Peanut Butter.



[Fontes: DuMont Network / JeiceTheWarrior].
[Imagem: DuMont Network / Michael J. Hayde's BETTER LIVING THROUGH TELEVISION].

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #330 — Veneza Desconhecida



Realizado em mil novecentos e quarenta e dois, por Francesco Pasinetti — um dos primeiros autores italianos a abraçar, ainda nos anos trinta, as sensibilidades do Cinema Neo-Realista tanto na ficção como no documentarismo —, VENEZIA MINORE revela-se um brando documentário sobre a cidade de Veneza, muito tempo antes de se converter num dos principais destinos turísticos da Europa, de se tornar em "capital" de glamour por intermédio do seu Festival de Cinema e de, tal como tem feito notícia por estes dias, ser exemplo notório da ameaça que constitui as alterações climáticas.

Pela lente de Pasinetti, o que aqui observamos é a Veneza que nunca figurou em postais turísticos. Uma cidade formada pelas vivências da sua população humilde que, entre os canais e ruelas da cidade, labora de forma anónima, lado a lado com brincadeiras infantis de rua, longos estendais de roupa branca e inevitável devoção religiosa.



[Fonte: Istituto Luce Cinecittà].
[Imagem: Wikimedia Commons / Istituto Luce Cinecittà].

Estreia da Semana: L'EMPEREUR DE PARIS



L'EMPEREUR DE PARIS, de Jean-François Richet, rodado em película de 35mm (Kodak).

«Avec Manu Dacosse, le chef opérateur, nous avons fait plusieurs tests de pellicule, de traitement de l’image en situation de costumes et de décors. Je suis ravi d’avoir tourné une grande partie de ce film en 35 mm, je recherche toujours l’organique en image, j’aime que le défaut de la pellicule argentique devienne une qualité», Jean-François Richet.

[Fontes: Mandarin Films / Gaumont / Dossier de Imprensa do filme].
[Imagem: Mandarin Films / Gaumont].

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #329 — Efeitos Visuais à Moda Antiga



Produzido em mil novecentos e quarenta e sete pela californiana Castle Films, CAMERA MAGIC é uma curiosa e recreativa compilação de muitas das "trapaças" visuais que o Cinema, naquela década, já era capaz de inventar a partir de simples truques fotográficos e de montagem.

Ao longo de nove minutos, numa cópia em 8mm, e sem som, actualmente preservada pela The Bill Sprague Collection, revisitamos as maravilhas que técnicas e ilusões de óptica como a perspectiva forçada, a fotomontagem, os time-lapses, as duplas exposições ou os stop tricks eram capazes de reproduzir como meio para o absoluto encantamento dos espectadores.



[Fontes: Castle Films / The Bill Sprague Collection].
[Imagem: Castle Films / Talking Pictures TV].

terça-feira, 12 de novembro de 2019

O Arquivo do Dia #328 — O Cinema 'Found Footage' de Chick Strand



No regresso ao activo d'O Arquivo do Dia, assoma-se pertinente sublinhar a obra de uma cineasta que, entre o documentário e as ambiências experimentalistas, tomou as imagens de arquivo e conteúdos found footage como principal matéria-prima para a sua criatividade. Chick Strand, cujo trabalho já foi descrito como "pioneiro na harmonia de técnicas avant-garde com o documentarismo", dedicou grande parte da sua filmografia a temáticas feministas e reflexões antropológicas em torno da condição humana, num conjunto cinematográfico que, todavia, teima em encontrar significativo reconhecimento.

LOOSE ENDS, uma "versão dissimulada da Bela e o Monstro" realizada em mil novecentos e setenta e nove, vai das origens do Cinema — Lumière, Muybridge, demonstrações da inflamabilidade da película de nitrato... — a diversas obras (por vezes lúdicas, por outras grotescas) de cariz institucional para a análise da condição social, dos estereótipos, das experiências traumáticas e da própria representação cinematográfica da Mulher ao longo do Século XX.



[Fontes: Chick Strand / therealeyedeal].
[Imagem: Neon Park / Conversations at the Edge (CATE)].