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segunda-feira, 23 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #316 — O Fantasma da Ópera



A vinte e três de Setembro de mil novecentos e nove, o diário francês Le Gaulois publica a primeira parte de uma série de histórias, assinadas por Gaston Leroux, que, no ano seguinte, seria publicada sob o título "O Fantasma da Ópera". Parcialmente inspirado em factos históricos da Ópera de Paris, durante o Século XIX, assim como no conto apócrifo que narrava a suposta utilização do esqueleto de um músico famoso durante a produção da ópera Der Freischütz, Gaston Leroux tornar-se-ia no autor de uma das obras literárias mais célebres do Século XX, tendo conhecido inúmeras adaptações para Teatro, Cinema, Música e Banda Desenhada.

Na Sétima Arte, as adaptações de O Fantasma da Ópera cifram-se na ordem das duas dezenas. Desde DAS PHANTOM DER OPER (realizado por Ernst Matray, em mil novecentos e dezasseis, e classificado como filme perdido) até ao musical de Joel Schumacher, já no nosso século, THE PHANTOM OF THE OPERA, sem esquecer as curiosas reinvenções que Lon Chaney, Claude Rains ou Brian De Palma formularam em torno do mito do fantasma da Palais Garnier, a lista assume-se quase interminável. É, precisamente, uma das suas versões menos conhecidas que o Arquivo de hoje recorda: SPOOKS, realizado em mil novecentos e trinta por Walter Lantz, e Oswald the Lucky Rabbit — uma das primeiras personagens criadas por Walt Disney e Ub Iwerks — no principal papel, esta curta-metragem animada não só serve de "juvenil" introdução à literatura de Gaston Leroux, como também presta homenagem a Lon Chaney, o actor que popularizou, no imaginário anglo-saxónico, "O Fantasma da Ópera".



[Fontes: Universal Pictures / Walter Lantz Productions / Phantom Retrospective].
[Imagem: Universal Pictures].

quarta-feira, 10 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #283 — No Aniversário de Vasco Granja



Nome reconhecido na divulgação da Sétima Arte em Portugal, com particular relevo pelo filme de animação, Vasco Granja notabilizou-se enquanto apresentador de programas na RTP, tendo sido o autor de séries como Cinema de Animação (1974-1976), Os Mestres da Animação (1977-1984), Quadrados e Quadradinhos (1980) e Imagem e Imagens (1985-1988). Na nossa memória colectiva, permaneceu o enfoque na exibição do cinema de animação produzido na Europa de Leste, na introdução ao público português da obra de cineastas como Norman McLaren ou Tex Avery e o seu afecto pela principal personagem imaginada por Friz Freleng — o qual lhe valeu a alcunha de "O Pai da Pantera Cor de Rosa". Para além da televisão, Vasco Granja foi, também, importante dinamizador do cineclubismo e da banda desenhada no nosso país e dedicou-se a extensa actividade editorial (Editora Bertrand, revista Tintin) e jornalística, assinando diversos artigos em publicações como Diário Popular, Diário de Lisboa, Expresso e Jornal de Letras.

No dia do seu aniversário, o Arquivo recorda a visita de Vasco Granja (clicar na imagem abaixo para acesso ao vídeo), em mil novecentos e setenta e sete no programa Animação, aos Studios Pit, em Lisboa. Num registo que, ao olhar contemporâneo, se poderia descrever como datado e quase cândido, estes vinte minutos são, contudo, muito exemplares do estilo de um dos comunicadores mais influentes que singraram na televisão portuguesa.



[Fonte: Arquivos RTP].
[Imagem: O Gato Alfarrabista na sua Loja de Papel].

segunda-feira, 17 de junho de 2019

O Arquivo do Dia #275 — Suzan Pitt (1943 - 2019)



Pintora e realizadora norte-americana, Suzan Pitt notabilizou-se pelo experimentalismo dos seus filmes de animação, num conjunto de obras que, vincadamente, harmonizava uma profunda carga psicológica com o mais hilariante dos surrealismos. Da sua filmografia (que se encontra inteiramente preservada pelo arquivo da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas), destacam-se a criatividade e o domínio do filme animado impresso em película, que ficaram patenteados em títulos como WHITNEY COMMERCIAL, ASPARAGUS ou JOY STREET.

No momento em que se assinala o falecimento de Suzan Pitt, o Arquivo recorda a sua obra e visão através do documentário SUZAN PITT — PERSISTENCE OF VISION. Produzido em dois mil e seis, o filme de Blue e Laura Kraning revela-se uma introdução ideal ao processo criativo de um nome que, embora raramente citado em circuitos que não os académicos, deixou marca indelével no campo do cinema experimental dos últimos quarenta anos.



[Fonte e Imagem: Artillery Pictures].

sábado, 15 de junho de 2019

O Arquivo do Dia #273 — Prizma Color



Desenvolvido pelos cientistas norte-americanos William Van Doren Kelley e Charles Raleigh, o Prizma Color foi um dos processos pioneiros da cor no Cinema. Por intermédio de um sistema aditivo de cores, a colorização dos filmes era obtida através de um disco com quatro cores (vermelho, amarelo, verde e azul), que actuava em simultâneo com o registo de imagens fotografadas de vinte e seis a trinta e dois fotogramas por segundo.

O resultado final, tal como detalhado pelo Motion Picture News de mil novecentos e dezassete, era "caracterizado pela extrema delicadeza das cores, e por uma admirável apresentação das sombras mais esbatidas". Como exemplo de filme produzido em Prizma Color, o Arquivo de hoje resgata a curta-metragem LA VOIX DU ROSSIGNOL, de mil novecentos e vinte e três: uma pequena fantasia que mistura imagem real com animação em stop-motion, realizada pelo cineasta polaco Ladislas Starevich.



[Fontes: Pathé Consortium Cinéma / BatyaArtist].
[Imagem: Timeline of Historical Film Colors].

domingo, 2 de junho de 2019

O Arquivo do Dia #264 — No Aniversário de Lotte Reiniger



No dia em que comemoraria cento e vinte anos, o Arquivo de hoje recorda a vida e obra de Lotte Reiniger. Cineasta alemã, considerada de forma unânime como uma das percursoras do cinema de animação, Reiniger distinguiu-se pela mestria na animação com silhuetas, recorrendo à técnica do paper cutting e de clara influência do teatro de sombras, uma expressão artística indelevelmente ligada à própria arte do Cinema. Entre os mais de quarenta títulos que realizou, destacam-se filmes como DIE ABENTEUER DES PRINZEN ACHMED e SILHOUETTEN.

Em mil novecentos e setenta, o realizador britânico John Isaacs dedicou-lhe a curta-metragem documental THE ART OF LOTTE REINIGER, na qual, de modo sucinto mas muito detalhado, é explanada a técnica subjacente às pioneiras obras-primas de Lotte Reiniger.



[Fontes: Primrose Productions / lachambreverte].
[Imagem: Women's Activism NYC].