quinta-feira, 25 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #250 — 25 de Abril de 1974: "Nunca um dia foi tão comprido"



"O Largo do Carmo (...) aí residia a dúvida maior, a angústia suprema, a dúvida terrível. Mas aí se concentravam também as maiores esperanças. Esperanças que abriram de verde este dia 25 de Abril. Um dia que terminou de encarnado verde: de esperança de manhã, terminado encarnado de alegria, de júbilo, à tarde. Dia bem português!"

Para assinalar o 25 de Abril de 1974, e dos arquivos da RTP, o Arquivo relembra a narração de Fialho Gouveia às imagens, recolhidas pelo operador de câmara João Rocha e projectadas "directamente do laboratório", das operações do Movimento das Forças Armadas, junto ao Largo do Carmo, antes e durante a rendição oficial de Marcello Caetano.



[Fontes: Arquivos RTP / TV em Directo].
[Imagem: Centro de Documentação 25 de Abril].

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #249 — Bauhaus100



Fundada em Abril de 1919, na cidade de Weimar pelo arquitecto alemão Walter Gropius, a escola de arte Bauhaus surgiu com o propósito fundamental de ensinar e materializar o conceito estético da Gesamtkunstwerk (ou "a obra de arte total", segundo o qual todas as expressões criativas se reuniriam numa única obra de arte). Encerrada em 1933, após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, o impacto da Bauhaus foi plenamente observada em áreas como a Arquitectura e o Cinema, e influenciou projectos de urbanismo em todo o mundo. O desenho de Brasília, por Oscar Niemeyer, ou o planeamento da Cidade Branca de Tel Aviv são, fora da Alemanha, dois dos principais exemplos desta filosofia artística.

No momento em que se celebra o centenário da fundação da Bauhaus, o Arquivo de hoje resgata, do acervo da WGBH-TV, a presença de Walter Gropius, em 1962, no programa cultural INVITATION TO ART. Entrevistado pelo curador e crítico de arte Brian O'Doherty, Gropius recorda a fundação da Bauhaus, os anos de glória da escola e a profunda atmosfera criativa que ali se experienciava.



[Fontes: WGBH Educational Foundation / WGBH-TV / Boston Society of Architects/AIA].
[Imagem: The Bauhaus Film / ArchDaily].

terça-feira, 23 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #248 — No Aniversário de George Steiner



Escritor, filósofo e ensaísta literário norte-americano de origem francesa, George Steiner é detentor de uma extensa obra dedicada às relações entre linguagem, literatura e sociedade, com particular enfoque no impacto do Holocausto para a formação da cultura ocidental contemporânea. Autor de raro consenso, conheceu tanto aplausos como censura devido a algumas das suas posições mais extremas: por exemplo, para Steiner, o "racismo é inato ao ser humano", e os seus momentos de tolerância são "de natureza apenas superficial".

No dia em que comemora noventa anos, o Arquivo recorda George Steiner nesta entrevista concedida ao programa cultural holandês Of Beauty and Consolation (emitida no nosso país pela SIC, em 2001, na rubrica quinzenal "Noites Longas"). Numa participação regida pela perspectiva filosófica de Steiner, e com a sua vasta biblioteca a servir de cenário, aborda-se o pessimismo cultural do autor, o crescente ruído das nossas sociedades, Nietzsche e Kierkegaard, a sua teimosia em elaborar listas sobre os mais variados tópicos como forma de combater o medo e o poder das nossas próprias memórias.



[Fontes: VPRO / francisco grave].
[Imagem: Gloria Rodriguez / Getty Images].

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #247 — O Descobrimento do Brasil



A 22 de Abril de 1500, uma frota comandada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral chega à Ilha de Vera Cruz, oficializando a descoberta do território que hoje compõe o Brasil. Segundo os registos da época — sobretudo, a Carta da autoria de Pero Vaz de Caminha —, o contacto entre os descobridores portugueses e os nativos só se realizou dois dias depois, num momento marcado por um evidente choque cultural e que lançaria as sementes para o processo da colonização do Brasil a que se assistiria nos séculos seguintes.

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL, documentário de 1937 realizado por Humberto Mauro e restaurado, pela CTAv/FUNARTE e a Cinemateca Brasileira, em 1997, descreve em forma de narrativa épica, a partir dos textos da Carta de Pero Vaz de Caminha, a chegada das naus portuguesas às costas brasileiras. Considerado como um dos filmes mais importantes dedicados à História do Brasil, O DESCOBRIMENTO DO BRASIL é, igualmente, encarado por alguns autores como uma manifestação primordial de um cinema de "autêntica, autónoma e original expressão brasileira".



[Fontes: Sociedade Portuguesa de Actualidades Cinematográficas para o Secretariado da Propaganda Nacional / Cinemateca Popular Brasileira: Filmografias & Cronologias].
[Imagem: Oscar Pereira da Silva / Museu Paulista].

sexta-feira, 19 de abril de 2019

A Febre do Arquivo #5: CAMORRA (2018, Francesco Patierno)



"I suppose, in the end, we journalists try — or should try — to be the first impartial witnesses of history. If we have any reason for our existence, the least must be our ability to report history as it happens so that no one can say: 'We didn't know — no one told us".
(Robert Fisk, in The Great War for Civilisation: The Conquest of the Middle East)

Nos inícios dos anos 80, a Radiotelevisione italiana (RAI), em conjunto com estações de televisão locais, dedicaram particular cuidado editorial ao surgimento do crime organizado em Nápoles, num fenómeno que historiadores e media registaram como a Nuova Camorra Organizzata (NCO), vulgo máfia napolitana. A partir desse material, o realizador Francesco Patierno compôs CAMORRA, documentário inteiramente constituído por imagens de arquivo, num produto formal que estabelece uma estreita linha cronológica de causas e eventos, ao mesmo tempo que lança sementes para o debate sobre a qualidade das coberturas noticiosas contemporâneas.

Segundo Patierno, CAMORRA foi idealizado com o propósito (tal como se pode constatar no material publicitário do filme) de fazer o retrato sócio-antropológico da dura, se não mesmo crua e sombria, condição humana na capital da província da Campânia, na qual assentava uma actividade criminal de singular geografia, imensa abrangência social e capaz da mais inescrupulosa punição. Tais intuitos, com a eficácia que apenas o registo audiovisual da realidade consegue reter, são plenamente materializados pelo documentário desde muito cedo. Através da recuperação arquivística de reportagens nas ruelas mais esconsas de Nápoles, entrevistas com "operacionais" (dos mais jovens aos de idade adulta) ou vítimas da NCO, da exibição de lenientes forças políticas face ao então "estado das coisas", e das imagens do principal rosto — o infame Raffaele Cutolo — do crime organizado daquela cidade, CAMORRA traça, activamente, um contexto sócio-económico que o espectador rapidamente apreende.



Nesse processo documental, subjaz a evidência — talvez inconsciente, certamente nada secundária — de uma metodologia de jornalismo que, actualmente, encontra-se virtualmente extinta. CAMORRA permite, amiúde, a observação de um muckraking de corajosa denúncia, de políticas editoriais imparciais e livres de interesses financeiros nem preocupações sensacionalistas, do repórter que arriscava a própria vida em prol de um exposé de iminente humanismo.

Por via da veracidade contida no seu trabalho de arquivo, CAMORRA desafia, igualmente, o "calibre" do próprio espectador moderno. Será pragmático disto mesmo a reacção das duas senhoras que se sentaram alguns lugares à minha direita, durante a sessão do filme na mais recente edição do Festa do Cinema Italiana; "não consigo mais ver isto", sussurraram à medida que se encaminhavam para a saída, poucos minutos antes dos créditos finais. Não obstante a imensa produção criativa que tem surgido sobre o tema — na Literatura, no Cinema e na Televisão, com substantivo êxito —, é evidente que a proximidade das imagens de arquivo à incondicional realidade do nosso mundo ainda consegue bater a ficção aos pontos.

Uma nota final para o estado de preservação do material noticioso utilizado em CAMORRA. Fruto da actividade desenvolvida pela Rai Teche (o organismo responsável pelo arquivo da televisão pública italiana), cujo formato e esquema cromático são integralmente respeitados pela montagem de Francesco Patierno, é necessário elogiar a qualidade da conservação destas imagens em movimento, que se constituem como importantes registos históricos para a compreensão sociológica da Itália e, por inerência, da própria Europa comunitária.

[Imagens: Rai Cinema / Rai Teche / Todos Contentos Y Yo Tambien.]

terça-feira, 16 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #246 — No Aniversário de António Lopes Ribeiro



Falar de António Lopes Ribeiro — realizador, crítico e um dos nomes de maior afirmação na história cinematográfica portuguesa — é, obrigatoriamente, mencionar os sucessos populares de O PAI TIRANO (1941), AMOR DE PERDIÇÃO (1943) ou FREI LUÍS DE SOUSA (1950). Contudo, da sua filmografia, importa salientar também o seu trabalho enquanto documentarista. Do número substancial de títulos que assinou, e numa perspectiva contemporânea, é possível não só distinguir um olhar fílmico ao serviço da propaganda do Estado Novo, como também compreender as vivências, os ritmos e as prioridades institucionais no nosso país ao longo das quatro décadas de actividade do cineasta.

No dia em que celebraria cento e onze anos de idade, o Arquivo recorda um dos documentários mais peculiares de António Lopes Ribeiro. Incluído no Jornal Português nº 22, A NAU PORTUGAL retrata a "iniciativa arrojada de Leitão de Barros" de fabricar réplicas das caravelas dos Descobrimentos. O filme, assim, acompanha os trabalhos de construção da Nau Portugal, nos estaleiros de Gafanha da Nazaré, e conclui com a triunfal entrada da embarcação no rio Tejo, por ocasião da Exposição do Mundo Português em 1940.



[Fontes: Sociedade Portuguesa de Actualidades Cinematográficas para o Secretariado da Propaganda Nacional / geografia e ensino de geografia].
[Imagem: Bancada Directa].

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #245 — Bibi Andersson (1935 - 2019)



No momento em que se noticia o falecimento de Bibi Andersson, intérprete de memorável impacto para o Cinema de Ingmar Bergman — nomeadamente, com o seu protagonismo em filmes como SMULTRONSTALLET e PERSONA —, o Arquivo de hoje lembra as suas palavras e memórias nesta breve entrevista, gravada em Maio de 1966 e conduzida por Raymond Thevenin, onde a actriz conversa, principalmente, sobre a experiência de trabalhar às ordens de Bergman.



[Fontes: Office de Radiodiffusion Télévision Française (ORTF) / Ina.fr].
[Imagem: Carlotta Films / Les Inrocks].

How a Movie Projectionist Keeps the Dying Art of Celluloid Alive



«In the celluloid world, a good projectionist could fix any technical or mechanical malfunction on the fly within minutes. Digital projection is moving a projectionist’s duties toward an IT job instead of a mechanical job.»

Para ler, na íntegra, no The New York Times.

[Fonte: The New York Times].
[Imagem: Desiree Rios / The New York Times].

sábado, 13 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #244 — Record Store Day



Celebrado anualmente no mês de Abril, o Record Store Day (ou, numa tradução "à letra", o Dia da Loja de Discos) pretende celebrar a cultura da loja de discos independente, reunindo, nessa data, os aficionados do formato, artistas e milhares de lojas em todo o mundo. Também no Record Store Day, já se tornou habitual o lançamento de edições neste dia em específico, com uma lista de títulos para cada país, e distribuídos apenas para as lojas participantes do evento.

Produzido em 1956 pela Jam Handy Organization e a Radio Corporation of America, THE SOUND AND THE STORY é a escolha do Arquivo de hoje para assinalar o Record Store Day. Uma das primeiras curtas-metragens documentais a detalhar os vários processos de fabrico dos discos de vinil, THE SOUND AND THE STORY tem, igualmente, a particularidade de anunciar o surgimento de um novo formato no mercado: o LP de doze polegadas (12").



[Fontes: The Jam Handy Organization / Syble Reinger].
[Imagem: Orlando / Three Lions / Getty Images / Observer].

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #243 — Quiz Show



Para quem viu QUIZ SHOW (drama histórico realizado, em 1994, por Robert Redford, e protagonizado por Ralph Fiennes e John Turturro), o nome de Charles Van Doren não será inteiramente desconhecido. Escritor e editor norte-americano, membro de uma das famílias mais proeminentes da alta sociedade nova-iorquina, a memória cultural reteve, acima de tudo, o papel que desempenhou, enquanto vitorioso concorrente do programa Twenty-One, nos escândalos que abalaram a popularidade dos concursos televisivos norte-americanos dos anos 50.

No dia em que se noticia o falecimento de Charles Van Doren, o Arquivo recorda o episódio em que o anterior concorrente, Herbert Stempel erra, deliberadamente, uma pergunta sobre o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1955, para dar lugar ao triunfo de Charles Van Doren, num conjunto de imagens que não só serviu de base ao filme de Robert Redford, como formam um testemunho — embora falacioso — da Era Dourada da televisão norte-americana.



[Fontes: NBC / BlackwoodCompany].
[Imagem: TV Radio Mirror / Macfadden Publications].