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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

"Unbelievable Power", por David Lynch



That whole experience was exciting, and we were working on the film right up to the very end, that's for sure. Duwayne [Dunham] and I went into the screening room really late on the night before WILD AT HEART screened, and you go up this ladder into the projection room and the projectors they have are like from a Russian science-fiction film. They're huge, and we were running a dual system, picture and sound separate, full-coat mag analog, and this mag held so much smooth power. Unbelievable power.

It's rare now for people to get the chance to see a good print of a film projected right, and that's a real shame.


As impressões de David Lynch sobre a projecção de WILD AT HEART no Festival de Cannes de 1990, in Room to Dream, David Lynch e Kristine McKenna (2018, Canongate Books).

[Imagem: Metrograph].

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Hollywood vs. 35mm — 5ª parte



Film Is Dead? Long Live Movies — How Digital Is Changing the Nature of Movies é o título de um artigo publicado hoje pelo New York Times que analisa o impacto da progressiva conversão ao digital por quem faz e produz Cinema nos nossos dias.

A.O. Scott e Manohla Dargis, os dois principais críticos de cinema daquela publicação, analisam os efeitos de uma revolução que está, como nunca se observou, a alterar significativamente o modo como percebemos um filme. Ficam aqui as principais observações de cada, num artigo de leitura integral obrigatória para os interessados neste tópico cada vez mais propício ao debate:


imagem de THE MASTER, de Paul Thomas Anderson, inteiramente filmado em película de 70mm.

A.O. SCOTT:

«De acordo com uma emergente sabedoria convencional, a película [no original, "film"] acabou. Se assim for, poderemos continuar a apelidar os realizadores de filmmakers? Ou esse título ficará reservado apenas para alguns irredutíveis como Paul Thomas Anderson, cujo novo filme, THE MASTER, foi rodado em 70mm? Não é que o nosso trabalho alguma vez tenha sido criticar o estado de bobinas de celulóide assim que saem das suas caixas; escrevemos sobre as histórias e as imagens gravadas naquele formato. Mas a mudança do fotoquímico para o digital não é uma questão simplesmente técnica ou semântica.»

«A qualidade de imagem melhorou rapidamente, e a última década proporcionou alguns exemplos impressionantes de realizadores que transformaram o digital numa vantagem estética. O plano-sequência de noventa minutos, pelos corredores do Heritage Museum, que compõe A ARCA RUSSA de Alexander Sokurov, é um artefacto especificamente digital. O mesmo se pode chamar à paisagem nocturna de Los Angeles em COLATERAL, de Michael Mann, e os rugosos campos de batalha em CHE, de Steven Soderbergh, nunca existiriam sem a luz, mobilidade e relativa moderação financeira de uma câmara RED.»

«Outra interessante questão filosófica é se, ou até que ponto, [o Cinema] continuará a ser a mesma expressão artística. Poderão as narrativas produzidas e distribuídas em formatos digitais divergir de forma tão radical daquilo a que chamamos "filmes" que não conseguiremos reconhecer uma ligação genética? Irá o novo cinema digital absorver totalmente o seu percursor, ou poderão coexistir? Por mais dramática que esta revolução possa ser, certo é que estamos ainda na sua fase primária.»


imagem de COLATERAL, de Michael Mann, cujas sequências nocturnas foram inteiramente registadas com câmaras digitais.

MANOHLA DARGIS:

«O film da película não é só um imperativo tecnológico; também é uma questão económica.(...) Tal como escreve o teórico David Borwell, 'a conversão dos teatros de 35mm para a exibição digital foi concebida por e para uma indústria caracterizada pela distribuição em massa, saturação do mercado e lucro rápido. Face a este avassalador plano de negócios, o filme em película afigura-se como obstáculo'.»

«Não sou anti-digital, embora prefira a película: gosto do grão e textura visual da película, e mesmo cópias razoavelmente conservadas conseguem ser melhores que uma em digital. E sim, o digital pode ter um aspecto surpreendente se o realizador — Soderbergh, Mann, Godard, David Fincher ou David Lynch, por exemplo — e o projeccionista tiverem esse empenho.»

«A imagem de um filme é criada pela luz que se materializa em algo que existe — existia — em tempo e espaço reais. É nesse sentido que a película se torna testemunha da nossa existência. No entanto, ouvi o grande artista vanguardista Ken Jacobs — que projecta imagens em movimento criadas a partir de obturadores, lentes, sombras e as suas próprias mãos — dizer que o Cinema não está dependente da película; tem de ser magia.»

[Fonte: The New York Times.]

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Hollywood vs. 35mm — 3ª parte



Ainda sobre SIDE BY SIDE, análise documental produzida por Keanu Reeves sobre a "guerra" entre película e digital no cinema contemporâneo, continuam a surgir pequenos depoimentos de intervenientes do filme (a primeira parte pode ser consultada aqui):

David Lynch: «Anything that interrupts the flow can break a person out. So, you want to get it smooth, and you want it be quiet, so you can hear the subtle little things and then, boom, you're in the big things.»



Dion Beebe, director de fotografia: «What's going to, sort of, remain is this reference to films and this reference to 35mm films.»



Ellen Kuras, directora de fotografia: «I think the biggest crisis that we will have in the digital realm is storage and preservation. The ammount of data that is generated by us, by creating this digital pictures, is mind-blowing, is staggering. How do you preserve that?»



Reed Morano, directora de fotografia: «I’ve shot more 35mm in the past two years than I’ve ever shot in my life.»



Nós avisamos que o debate está para durar...

[Fonte: Canal YouTube do Tribeca Film Festival.]