Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevista. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Entrevista. Mostrar todas as mensagens

domingo, 7 de julho de 2019

O Arquivo do Dia #280 — João Gilberto (1931 - 2019)



Intérprete e compositor brasileiro, cuja influência para a criação e afirmação cultural da bossa nova dispensa quaisquer apresentações, João Gilberto foi, paralelamente com a então revolucionária técnica de gravar com dois microfones (um para a voz, outro para o violão) em simultâneo, detentor de uma sonoridade original e moderna que transportou a música brasileira para o imaginário mundial. Temas como Chega de Saudade, Desafinado, Bim Bom ou Águas de Março tornaram-se em "hinos" da música brasileira.

No momento em que se assinala o seu falecimento, o Arquivo recorda João Gilberto nesta entrevista, concedida em mil novecentos e sessenta e sete e durante uma das suas estadias nos Estados Unidos da América, que não só revela (ao lado de Miúcha Buarque e da filha de ambos, a cantora Bebel Gilberto — uma raridade!) o lado familiar do compositor, como também o trato simples, delicado e prudente do "mestre" João Gilberto.



[Fonte: Miúcha Buarque].
[Imagem: Odeon Records / Tony Stella].

quarta-feira, 24 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #249 — Bauhaus100



Fundada em Abril de 1919, na cidade de Weimar pelo arquitecto alemão Walter Gropius, a escola de arte Bauhaus surgiu com o propósito fundamental de ensinar e materializar o conceito estético da Gesamtkunstwerk (ou "a obra de arte total", segundo o qual todas as expressões criativas se reuniriam numa única obra de arte). Encerrada em 1933, após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, o impacto da Bauhaus foi plenamente observada em áreas como a Arquitectura e o Cinema, e influenciou projectos de urbanismo em todo o mundo. O desenho de Brasília, por Oscar Niemeyer, ou o planeamento da Cidade Branca de Tel Aviv são, fora da Alemanha, dois dos principais exemplos desta filosofia artística.

No momento em que se celebra o centenário da fundação da Bauhaus, o Arquivo de hoje resgata, do acervo da WGBH-TV, a presença de Walter Gropius, em 1962, no programa cultural INVITATION TO ART. Entrevistado pelo curador e crítico de arte Brian O'Doherty, Gropius recorda a fundação da Bauhaus, os anos de glória da escola e a profunda atmosfera criativa que ali se experienciava.



[Fontes: WGBH Educational Foundation / WGBH-TV / Boston Society of Architects/AIA].
[Imagem: The Bauhaus Film / ArchDaily].

terça-feira, 23 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #248 — No Aniversário de George Steiner



Escritor, filósofo e ensaísta literário norte-americano de origem francesa, George Steiner é detentor de uma extensa obra dedicada às relações entre linguagem, literatura e sociedade, com particular enfoque no impacto do Holocausto para a formação da cultura ocidental contemporânea. Autor de raro consenso, conheceu tanto aplausos como censura devido a algumas das suas posições mais extremas: por exemplo, para Steiner, o "racismo é inato ao ser humano", e os seus momentos de tolerância são "de natureza apenas superficial".

No dia em que comemora noventa anos, o Arquivo recorda George Steiner nesta entrevista concedida ao programa cultural holandês Of Beauty and Consolation (emitida no nosso país pela SIC, em 2001, na rubrica quinzenal "Noites Longas"). Numa participação regida pela perspectiva filosófica de Steiner, e com a sua vasta biblioteca a servir de cenário, aborda-se o pessimismo cultural do autor, o crescente ruído das nossas sociedades, Nietzsche e Kierkegaard, a sua teimosia em elaborar listas sobre os mais variados tópicos como forma de combater o medo e o poder das nossas próprias memórias.



[Fontes: VPRO / francisco grave].
[Imagem: Gloria Rodriguez / Getty Images].

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Pedro Costa: "Achei que valia a pena partir do negativo, os resultados são infinitamente melhores"



Pedro Costa: Tu vês uma boa cópia de 35mm, mono, a preto-e-branco na Cinemateca, tens a imagem e o som juntos no ecrã, com um corpo, quase que podíamos dizer 'orgânico'. Agora tens uma imagem [digital] que te salta aos olhos, literalmente, que te ataca, que é muito brilhante, e um som que te rodeia, que te cerca por todos os lados, que é muito aspirado, muito soprado, que tende para os baixos, para os graves, que é um corpo estranho à imagem.

Ricardo Vieira Lisboa, do site À Pala de Walsh, fala com o cineasta Pedro Costa sobre o restauro fílmico de OS VERDES ANOS e MUDAR DE VIDA, de Paulo Rocha. Para ler, na íntegra, no mais recente número da Aniki — Revista Portuguesa da Imagem em Movimento.

[Fonte: Aniki — Revista Portuguesa da Imagem em Movimento, número 1, Janeiro de 2019].
[Imagem: Midas Filmes].

domingo, 19 de agosto de 2018

Abel Ferrara: "The ultimate definition of these films is a 35mm negative"



Starbust Your style of filmmaking, especially early on, is guerrilla making. How do you feel that films like this and THE DRILLER KILLER have now been given a 4K release?

Abel Ferrara It's not going to be the same. The ultimate definition of these films is a 35mm negative. They're just trying to reflect the negative as close as possible, so they have a lot more leeway and they work from the original negative. And they worked with [THE ADDICTION cinematographer] Kenny Kelsch. You're seeing a digital fucking thing as opposed to watching a print of the movie, but it's as close as you're gonna get.

Abel Ferrara, para a revista Starburst, a propósito da edição em Blu-Ray de THE ADDICTION — OS VICIOSOS.

[Fonte: Starbust, número 451, Agosto de 2018].
[Imagem: Offscreen].

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Film will survive as long as people continue to seek it out



Videoscope What are your thoughts on the importance of film preservation.

Mark Anastasio It's of the utmost importance. This is the medium — anything shot on 35mm deserves to be exhibited in 35mm. We need more people learning how to care for film elements and materials. Folks that are doing restorations — that's wonderful and I've seen some great-looking restorations — but I'm one of those people that claims no digital restoration can look better than original 35mm elements. There's something that we're losing with films going digital that I have not yet been able to articulate. There's a life and a movement and a vibrancy that a film print can give you — there are probably plenty of people that can technically refute this, but for me personally, film will always look better. Any sort of DCP just ends up looking — I mean, I've seen some that look fine, but there's something cold and lifeless about it.

(...)

Videoscope What would you say to someone who insists that film is dead?

Mark Anastasio I would say that film is very much alive in our house. In the month of October alone, twenty 35mm prints went through our projection booth. Film will survive as long as people continue to seek it out. There are art-house cinemas all over the country who are keeping this medium alive. The people who say that film is dead are the same people who are killing it by staying on their sofas watching Netflix, instead of seeking out a true cinematic experience. Film isn't dead, they are.

Mark Anastasio, director de programação do Coolidge Corner Theatre, para a revista Videoscope, edição de Outubro 2017.

[Imagem: BDCwire].

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Da Materialidade Própria da Película



«
Falemos agora nessa questão da película. Cada vez mais em Portugal, por questões financeiras, opta-se pelo digital, mas o seu filme, mesmo apesar da sua duração de 3 horas, não foi por essa via.

Até filmámos mais do que isso porque estamos a lidar com atores não-profissionais e é um processo mais demorado. Para mim a película é muito importante, é uma materialidade totalmente diferente. Não tem a ver só com a metodologia e das diferenças que acarreta face ao digital, mas também com a materialidade própria. Não é o mesmo pintar em óleo ou em aguarela. Há uma materialidade no cinema e ela, na minha opinião, faz parte do objeto, da escolha estética.

Desconsidera totalmente filmar em digital?

Não, cada vez se torna mais difícil filmar em película, já nem há laboratórios cá e eu acho que o digital está a evoluir, cada vez mais próximo da película, apesar de não ser totalmente igual. Em França entrei numa sala de cinema e projetaram um filme da Claire Denis em 35 mm. Aquilo é um prazer que já não estamos habituados sequer a ter, apesar de ser belíssima a projeção. O olhar das pessoas que estão a ser formadas e mesmo o meu estão a ficar habituados a uma outra materialidade.
»

[Fonte: C7nema].
[Imagem: Terratreme Filmes].
[Agradecimento: Hugo Gomes.]


sábado, 20 de maio de 2017

Sobre THE BEGUILED



"Shooting on film was the right decision because to get muted colors, pastel tones, and porcelain skin tones, textures, only film can get this richness. We forget how beautiful film is and the digital world is still far away from the quality of the 35mm. The numbers of K in the digital world is not replacing the beauty of the film."

Philippe Le Sourd, director de fotografia de The Beguiled, o mais recente título de Sofia Coppola, escolhido para a Selecção Oficial do Festival de Cannes 2017.

[Fonte: IndieWire.]

quinta-feira, 4 de maio de 2017

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Ética do Restauro Cinematográfico



Toby Haggith, curador do Imperial War Museum de Londres, sobre os cuidados prevalentes no restauro do documentário BATTLE OF THE SOMME (1916):



«A tecnologia é tão boa, tão avançada, que se pode alterar o visual do filme, e alterar o filme no que diz respeito à qualidade da imagem ou à própria história e conteúdo.»

«Existe o perigo, especialmente com as técnicas de restauro digital, de se fazer com que um filme não pareça ser proveniente de película. De ficar igual a um título moderno de cinema digital. E o cinema digital é bastante liso, possui uma dinâmica visual muito diferente da película. Portanto, é preciso contornar esse facto.»

«Temos de olhar para um filme como qualquer outro artefacto. A diferença com um filme, claro, é que se trata de um artefacto reproduzível, ou "copiável". Mas acima de tudo, enquanto restauradores e arquivistas, temos de nos manter fiéis ao artefacto original.»

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

AlamoScope — a inovação chega em 70mm



O Alamo Drafthouse anunciou, recentemente, a aquisição de uma máquina de projecção de película em 70mm e pretende fazer uso extensivo da mesma com uma programação intitulada AlamoScope.



Até ao final do ano, estão garantidas as projecções, naquele formato, de WEST SIDE STORY — AMOR SEM BARREIRAS (1961), INDIANA JONES E A GRANDE CRUZADA (1989), BARAKA (1992), OS CAÇA-FANTASMAS (1984), THE MASTER (2012), CLEÓPATRA (1963) e PLAY TIME — VIDA MODERNA (1967).



Numa entrevista ao site Movies.com, Tim League, co-fundador do Alamo Drafthouse, partilha os detalhes de um posicionamento de mercado assumidamente oposto à dinâmica contemporânea de exibição de cinema e não se acanha em expressar a importância dos formatos 35mm e 70mm para a preservação da memória cinematográfica:

Movies.com: Qual é, para si, a importância do 70mm?

Tim League: Todos falam sobre o 35mm, do fim da película e do cinema mas, e com toda a minha solidariedade sobre as implicações disto junto das salas que exibem e programam cinema de qualidade nesse formato, o 70mm está muito mais ameaçado. Em primeiro lugar, são raríssimos os locais que exibem em 70mm, é um formato que já ninguém utiliza. E estamos a falar de uma das formas mais grandiosas de ver cinema que alguma vez existiu.

Foram várias as circunstâncias que nos levaram a perceber que estamos na altura certa para investir neste género de infra-estrutura, de forma a sermos capazes de projectar em 70mm na nossa principal sala, o Ritz. A principal circunstância terá sido a inesperada decisão de Paul Thomas Anderson filmar [THE MASTER] em 70mm nos dias de hoje. Ele foi a inspiração.

[Fonte: Movies.com.]