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terça-feira, 17 de abril de 2018

"O Que É o Arquivo?" em Debate na Cinemateca Portuguesa



De 18 a 20 de Abril, numa iniciativa do Arquivo Municipal de Lisboa — Videoteca em parceria com a Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema, serão exibidas sessões de cinema e organizadas mesas redondas dedicados ao tema das relações entre Cinema e Arquivo.

A programação completa do Laboratório do Ciclo de Encontros "O que é O Arquivo?" encontra-se disponível para consulta na página oficial da Cinemateca Portuguesa.

[Fonte e Imagem: Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema]


segunda-feira, 2 de abril de 2018

“Film looks, digital sees”: A Viagem à Índia de Christopher Nolan e Tacita Dean



«There have been accusations to dispel myths about expensive art mediums. We are here to stay as a wonderful medium and enjoy. It’s about preserving this art for the future. There is a spirit of optimism in this entire thing.»

«We [Nolan and I] want it to be normal to use film. We both don't want to be doing it [promoting celluloid] in fifteen years’ time. Artists and filmmakers shouldn't face the restraint anymore, it is just there and it is fine, let it just be normal.»



As opiniões de Christopher Nolan e Tacita Dean, a propósito da sua viagem à Índia, no âmbito do programa Reframing the Future of Film, onde se debateu e promoveu as virtudes da película enquanto formato de produção e exibição.

Apesar de alguns ditames menos positivos, tais como o partilhado por uma vedeta de Bollywood como é Amitabh Bachchan, e tendo em conta o entusiasmo que a iniciativa mereceu, a comunidade cinematográfica indiana mostra-se rendida ao charme do celulóide.

[Fontes: The Telegraph India, News18 e IndiaWest].
[Vídeo: Bollywood Records]
[Imagem: The Indian Express].

sábado, 20 de janeiro de 2018

A HISTÓRIA DOS FORMATOS na Cinemateca Portuguesa

«No cinema, a palavra 'formato' significa e designa duas dimensões distintas: por um lado, a largura da película e, por outro, a relação entre as medidas da imagem impressa sobre esta última ("aspect ratio")», Jean-Pierre Verscheure.



No âmbito do Ano Europeu do Património Cultural, a Cinemateca Portuguesa organiza, de 19 a 23 de Fevereiro, um panorama histórico dos formatos do Cinema, incluindo formatos de película cinematográfica e proporções de imagem.

Nesse sentido, o historiador, coleccionador e restaurador Jean-Pierre Verscheure — grande especialista da história da tecnologia e das técnicas do Cinema, e o actual responsável pelo laboratório de restauro de som Cinévolution —, estará em Lisboa para traçar a evolução histórica do Cinema ao nível dos seus vários formatos de imagem, não apenas numa abordagem técnica mas relacionando esta com as suas implicações na gestão do espaço de um filme e, mais geralmente, na sua mise-en-scène. Abordar-se-ão assim parâmetros essenciais que, tendo a ver com a tecnologia e a economia do cinema, são estruturantes para a linguagem e a expressão estética.



  • Segunda-feira, dia 19, 18h, Sala M. Félix Ribeiro
História dos formatos mudos: o nascimento do cinema e do espectáculo cinematográfico. Abordagem teórica aos parâmetros qualitativos e estéticos do formato 1.33, com projecção de excertos exemplificativos de filmes dos irmãos Lumière, Thomas Edison, Ernest Normandin e Fred C. Newmeyer e Sam Taylor, seguidos da longa-metragem SAFETY LAST! (1923, Fred C. Newmeyer e Sam Taylor).

  • Terça-feira, dia 20, 18h, Sala M. Félix Ribeiro
A chegada do cinema sonoro e as consequências nos formatos da imagem e do som. Abordagem teórica aos parâmetros qualitativos e estéticos do formato Academy 1.37, com projecção de excertos exemplificativos de filmes de Fred Zinneman, British Pathé e Chuck Jones, seguidos da longa-metragem O RANCHO DAS PAIXÕES (1952, Fritz lang).

  • Quarta-feira, dia 21, 18h, Sala M. Félix Ribeiro
O Cinerama e o princípio da era do ecrã largo e da estereofonia. Estudos dos parâmetros qualitativos e das consequências sobre a estética e a gestão do espaço cénico nos filmes "Scope", com projecção de excertos exemplificativos de filmes de Stanley Donen e Gene Kelly, Otto Preminger, Abel Gance, Woody Allen, Elliot Sylverstein, Allan Dwan e Don McGuire, seguidos da longa-metragem RIO SEM REGRESSO (1954, Otto Preminger).

  • Quinta-feira, dia 22, 18h, Sala M. Félix Ribeiro
Depois da guerra dos formatos: a caminho de uma estandardização, o regresso dos 70mm e as soluções económicas. Projecções ilustrativas e comparativas de filmes de David Miller, Joachim Ronning e Espen Sandberg, Fred Zinnemann, William Wyller, Sergio Leone, Peter Glenville, Edgar G. Ulmer e Stanley Kubrick, seguidas da longa-metragem WEST SIDE STORY — AMOR SEM BARREIRAS (1961, Jerome Robbins e Robert Wise).

  • Sexta-feira, dia 23, 18h, Sala M. Félix Ribeiro
Os últimos formatos 35mm antes da chegada do cinema digital. Rodagens em vários formatos e produções híbridas. Projecções ilustrativas e comparativas de filmes de John Lasseter, Jean-Pierre Jeunet, Christopher Nolan, John Maybury, Sean Penn e Michael Bay, seguidas da longa-metragem THE PLEDGE — A PROMESSA (2001, Sean Penn).

[Fonte e Imagens: Dossier de imprensa da programação da Cinemateca Portuguesa para Fevereiro de 2018.

sábado, 11 de novembro de 2017

Summits do Passado, Presente e Futuro



Na passada semana, a actualidade noticiosa foi absorvida pela organização, em Lisboa, da Web Summit. Sobre este fórum de tecnologia e empreendedorismo, e face ao aglomerado da cobertura mediática que acolheu nos últimos dias, pouco resta a acrescentar — sendo a única excepção, a este facto, a "análise dos resultados" de mais uma edição da summit de Paddy Cosgrave, e dos seus impactos para o futuro das sociedades ocidentais.

Num evento que reuniu start-ups, inovadores, personalidades políticas nacionais e internacionais, opinion makers e cerca de 60 mil participantes maioritariamente imbuídos de "gloriosa mentalidade" made in Silicon Valley, houve espaço para a apresentação de uma miríade de invenções de toda a natureza. Das tecnologias concebidas para a prosaica redução de custos (mensuráveis e imateriais) em ambientes empresariais, passando pela ideia da "Uberização" do espaço sideral ou pela exibição de andróides aparentemente inspirados das páginas de Philip K. Dick ou de um filme de Alex Garland, e culminando nas colecções de apps, e respectivos procedimentos, destinadas a roubar ainda mais complacência e tempo livre ao ser humano, a Web Summit 2017 fervilhou de futurismo tecnológico.

Contudo, e de toda a verborreia inovadora que brotou do Parque das Nações, não se reteve uma única frase que associe estes triunfos "tecnodigitais" à perpetuação da memória inerentemente humana, seja ela arcaica ou futura. Tudo é desenvolvido a pensar no "agora e a curto prazo".



Em sentido prático totalmente oposto, e a decorrer quase em simultâneo à Web Summit, a cidade de Varsóvia acolheu, nos passados dias 9 e 10 de Novembro, a Film Restoration Summit 2017.

Nesta série de conferências, lideradas por especialistas em restauro e preservação audiovisual de diversas nacionalidades, e em torno de um tema que, por definição, se debruça quase exclusivamente pelo passado, a tecnologia também esteve em plano de destaque. E o programa da Film Restoration Summit demonstra-o cabalmente: temas como os esforços para a digitalização de heranças audiovisuais, o papel dos arquivos fílmicos em ambientes digitais, os projectos de preservação digital em desenvolvimento, e a discussão sobre o passado e futuro da actividade de restauro cinematográfico dominaram os dois dias do certame.

Se os eventos acima destacados parecem confluir inteiramente no que a tecnologia e inovação digital dizem respeito, por que razão permanece a sensação de as suas intenções estarem em completa antinomia?



Sem pretensões de negar que aquilo que os oradores da Web Summit anunciaram esta semana vai desenhar, e transformar, o nosso quotidiano tal como o conhecemos, é para a perpetuação da memória audiovisual da Humanidade que a atenção deste espaço (admito, sou suspeito) vai pender.

Os suportes digitais mantêm contornos incertos sobre a sua fiabilidade, e o empreendedorismo tecnológico reveste-se de um posicionamento que privilegia a rescisão, a todos os níveis, do passado como matéria de estudo e orgulho. Deste modo, nunca será demais indagar as potencialidades dessa mesma tecnologia para a preservação de conteúdos (sobretudo, os do Século XX, do qual o Cinema foi a principal forma de arte e de registo histórico), e que suscitem no Homem a recordação das tentativas, erros e sucessos que definiram a nossa civilização.

Pois a Inteligência Artificial nunca fará esse trabalho por nós. Nem mesmo se, "carinhosamente", a baptizemos de Sophia.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Film in the Present Tense



In spite of claims of its obsolescence, analog film is still alive. It continues to exist as an inimitable artistic medium, put to use in myriad forms around the world. Nonetheless, in the context of our ever-expanding digital landscape, analog film faces new challenges that have forced it into a process of deep transformation. What steps do we need to take to guarantee that analog film will remain as a living-breathing medium? What are the alternatives to the idea of film as an obsolete, historical object? What new forms will film take and what will that mean for the culture that surrounds it? How do we keep analog film in the Now?

Organizado pelo colectivo LaborBerlin, Film in the Present Tense reúne, de 20 a 22 de Outubro, cineastas, artistas, programadores e representantes de entidades museológicas (entre eles, Tiago Ganhão pela Cinemateca Portuguesa) para discutir o futuro da película "no modo presente".

[[Mais informações no site oficial do colectivo LaborBerlin].]

domingo, 25 de junho de 2017

Il Cinema Ritrovato 2017



O maior festival de Cinema Restaurado do mundo arrancou ontem, com um invejável programa que, até ao próximo dia 2 de Julho, exibirá Robert Mitchum, títulos restaurados de Jean Vigo e debates sobre Kinemacolor e Technicolor a partir das suas origens.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cannes 2017



Em concurso pela Palma de Ouro do Festival de Cannes 2017, são sete os filmes rodados em película de 35mm e 16mm:


[Fonte: Kodak.]

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Reel Film Day



"There is nothing like experiencing actual 35mm projected film."
Steve Bellamy, Presidente da Kodak Motion Picture and Entertainment.

5 de Março de 2017 — Reel Film Day: data em que, por iniciativa da Kodak e do Alamo Drafthouse Cinema, a projecção da Sétima Arte em película de 35mm será celebrada em diversas cidades dos EUA, num conjunto de sessões que invoca desde Orson Welles a Quentin Tarantino, de Michael Powell e Emeric Pressburger a Jonathan Demme, de Jean-Luc Godard a Terry Gilliam.

O programa completo do Reel Film Day encontra-se disponível no site oficial da Kodak, o qual é, inclusivamente, potenciado por merchandising da boutique Mondo desenvolvido especificamente para esta iniciativa e cujos lucros reverterão para acções de preservação cinematográfica.

[Fonte: kodak.com]




segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A Obsessão de Atom Egoyan



«Film is the origin and the basis of the entire art form. It’s at the core of what cinema is, not only the material that it was shot on, but also the way it is projected. I'm not convinced that there's any better way to preserve an art form than by having a medium where you can see the individual images.»



Atom Egoyan, o realizador de EXOTICA e O FUTURO RADIOSO, confessa-nos as motivações que baseiam a sua instalação, composta por mais de 600 metros de película em movimento, presentemente em exposição na MacKenzie Art Gallery.

[Fonte: tiff.net]

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ANIM 20 anos



ARQUIVO NACIONAL DAS IMAGENS EM MOVIMENTO — ANIM: 20 ANOS DE SALVAGUARDA E CONSERVAÇÃO EFECTIVA DO PATRIMÓNIO CINEMATOGRÁFICO PORTUGUÊS

"Mais do que comemorar, estão em causa duas outras coisas necessárias e porventura urgentes. Por um lado, voltar a sublinhar uma identidade — uma ideia de cinemateca que ficou bem expressa, também ela, na redefinição orgânica levada a cabo nessa década de noventa, na qual a Cinemateca, enquanto museu de cinema, é também o arquivo nacional, e é antes de tudo o mais a interligação permanente entre os espaços de arquivo, documentação e divulgação.

Por outro, convidar a um melhor conhecimento público das infraestruturas de arquivo e das grandes transformações que as estão a marcar, trazendo para as nossas salas debates que estão a atravessar o mundo das cinematecas, e, com isso, em comunidade mais alargada, consolidar um caminho que é também de futuro.
"

[Fonte texto: Comunicado Cinemateca Portuguesa — Museu do Cinema]
[Fonte imagem: Ciclos da Cinemateca]

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Film:ReStored_01: First Film Heritage Festival



Organizado pela Deutsche Kinemathek, o Film:ReStored_01, festival dedicado à herança da preservação cinematográfica, apresenta, na sua primeira edição, uma programação preenchida pela estreia das versões restauradas de filmes germânicos (KAMERADSCHAFT e DU HAUT EN BAS, ambos de G. W. Pabst, são títulos a destacar) produzidos nas últimas seis décadas, assim como por um conjunto de palestras e debates em torno das questões morais e estéticas que regem, actualmente, a actividade da conservação e restauro de obras cinematográficas.

O programa completo do Film:ReStored_01, que se realiza de 22 a 25 do presente mês de Setembro, pode ser consultado no site oficial do evento.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Dr. Caligari em Versão Restaurada



O 64º Festival de Berlim só se realizará em Fevereiro de 2014, mas um dos grandes eventos da próxima edição da Berlinale já está agendado.

O Festival acolherá, no âmbito do Berlinale Classics, O GABINETE DO DR. CALIGARI em versão digital restaurada, a qual também assinalará os 94 anos da estreia, em Berlim, deste marco do Expressionismo Alemão realizado por Robert Wiene.

O trabalho de restauro digital está a ser supervisionado pela Murnau-Stiftung, em colaboração com o Bundesarchiv-Filmarchiv e os laboratórios L`Immagine Ritrovata – Film Restoration & Conservation.

[Fonte: Festival de Berlim.]





sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Clássicos Restaurados em Berlim



Com o Festival de Berlim a arrancar na próxima Quinta-Feira, o destaque vai para a secção Berlin Classics, inserida na Retrospective que, anualmente, apresenta uma série de filmes clássicos e (re)descobertas cinematográficas em todo o esplendor da imagem e som restaurados.

Este ano, os filmes restaurados são:

CABARET, ADEUS BERLIM (1972, Bob Fosse)


HÁ LODO NO CAIS (1954, Elia Kazan)


CHAMADA PARA A MORTE (1954, Alfred Hitchcock) — apresentação de versão digital em 3D


O ESTUDANTE DE PRAGA (1935, Arthur Robison)


VIAGEM A TÓQUIO (1953, Yasujiro Ozu)


Toda a informação relativa a oradores, horários e os detalhes de cada sessão disponíveis no site oficial do Festival de Berlim.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Foco no Arquivo #1

Colóquios "Riscos do património / Um património em risco"



:: A CINEMATECA PORTUGUESA E A SALVAGUARDA DO PATRIMÓNIO CINEMATOGRÁFICO EM PORTUGAL ::

Qual a real importância do cinema como património cultural do país e qual a real importância de garantir a sobrevivência das obras? Que papel tem o património na actividade cinematográfica e que papel tem o Estado na área patrimonial? Que problemas novos se colocam com a implantação do digital? Que condições existem hoje para conservar o cinema e para dar a conhecer a história do cinema? O que é que a Cinemateca pode fazer e o que é que cabe à Cinemateca fazer? Este colóquio é o sinal de partida para um debate mais alargado, que não se dirige apenas à comunidade do cinema e, em última análise, não tem apenas a ver com o património cinematográfico. Falemos do que se está a passar com os filmes. Mas a nossa proposta é também que falemos mais, com conhecimento de causa da situação em cada sector, das questões transversais do património.

As intervenções iniciais caberão a Maria João Seixas, José Manuel Costa, Silvestre Lacerda, António da Cunha Telles e João Salaviza


[Quarta-feira, 18h30, Sala Félix Ribeiro / Entrada gratuita — é necessário levantar bilhete]


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O "Assalto"



«Estamos a observar uma indústria e uma forma de trabalhar que estão a ser assaltadas por uma nova tecnologia. Existia um método fotoquímico de trabalhar em conjunto, e o digital herdou essa metodologia.

Quando Hollywood e o
mainstream adoptaram o digital, cada lugar teve de reencontrar o seu espaço. As pessoas perderam o emprego, indústrias caíram por causa desta transição.

Mas há empregos que estão a ser criados. É um processo natural, e a natureza pode ser, por vezes, brutal. E também pode ser bela.
»

Keanu Reeves, na abertura do Plus Camerimage 2012, onde apresentou o seu filme SIDE BY SIDE.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O amor de Martin Scorsese pela Restauração Cinematográfica



«As i looked at these extraordinary restaurations over the years, I've grown increasingly aware of the fact that "old" and "new", those words are nothing but designations of convenience.»

A propósito da sua escolha de alguns títulos para o programa do Toute la Mémoire du Monde: Festival International du Film Restauré (fica, desde já, salientado o evento, que se realizará de 27 de Novembro a 2 de Dezembro próximos na Cinemateca Francesa), Martin Scorsese protagoniza este breve mas confidente vídeo sobre a sua paixão pelo trabalho de restauro e preservação cinematográfica.

Recordando a origem da sua preocupação, nos anos 70, pela rápida degradação da película após ter visionado o estado desastroso de uma cópia de O PECADO MORA AO LADO até à reflexão admirável sobre a intemporalidade da Sétima Arte, o fundador do The Film Foundation descreve a sua paixão por uma das actividades mais importantes e desconhecidas da indústria cinematográfica:



[Fonte: indieWIRE.]

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Mesa Redonda



Num presente em que o único laboratório de revelação de película em Portugal — a Tobis Portuguesa — foi declarado insolvente e um colectivo de realizadores, liderado por André Gil Mata, se apresta a fundar o Laboratório de Cinema Independente como forma de garantir que realizadores, fotógrafos e artistas plásticos possam utilizar película como suporte de trabalho, o Doclisboa 2012 organizou, esta tarde, uma mesa redonda com o intuito de debater, segundo a organização do Festival, dois pontos urgentes:

1) o papel contemporâneo da película no Cinema;
2) e a possibilidade da existência, no nosso país, de um laboratório independente.

Moderada por Luís Miguel Oliveira, os contributos dos vários convidados (abaixo elencados juntamente com o fulcral das suas intervenções) permitem concluir o longo debate — e o de hoje marcou três horas certas sem interrupções — que esta temática, agora e no futuro, continuará a suscitar.

Nicolas Rey, co-fundador do atelier colectivo L'Abominable, foi uma das vozes mais favoráveis quanto à ideia de um Laboratório de Cinema Independente: quando algo começa pequeno mas revela-se único, a tendência será sempre de ou crescer ou surgirem outras iniciativas semelhantes. Por outras palavras, poder-se-ia assistir a um "efeito-dominó" na criação de instituições com a capacidade e vocação para o fornecimento e revelação de filme em película.

Por várias vezes, e noutros meios, se pode ler que a película estará irremediavelmente desaparecida em 2014. Contudo, Cristina Pereira, da Kodak Portugal, enfatizou que a divisão de cinema da marca continuará a produzir película — estão firmados, aliás, contratos de fornecimento até 2015 — e que a rentabilidade da empresa tem sido alcançada através de cortes cirúrgicos nos custos de produção. Tal explica, em certa medida, o facto de a Kodak não produzir película no nosso país. "A película sempre existirá. Pode não ser Kodak, mas continuará a existir" acabou por ser a frase-chave da sua intervenção.

A questão premente e, aparentemente, de árduo consenso da preservação e restauro cinematográficos pela película foi abordada por Rui Machado, director do Arquivo Nacional de Imagens em Movimento (ANIM). Numa época em que este "laboratório de preservação" (distinguindo-o das especificidades de um laboratório de produção como a Tobis) assume-se como um dos últimos inteiramente analógicos da Europa, e pela ausência de sintonia entre as instituições museológicas de Cinema — muitas das quais rendidas ao digital —, advoga-se a importância do papel que a Fédération Internationale des Archives du Film (FIAF) poderá desempenhar na negociação com os fabricantes, de modo a assegurar uma contínua produção de película com fins de preservação e restauro de obras apenas existentes em nitrato ou diacetato de celulose.

Com um ponto de vista inteiramente pessoal sobre a matéria em discussão, José Manuel Costa, subdirector da Cinemateca Portuguesa, não está tão optimista quanto ao futuro da película a curto prazo ("estamos a assistir ao fim de um mundo"). Com os arquivos fílmicos a abandonarem incondicionalmente o analógico, e pelo risco da perda eminente de uma identidade da memória do Século XX como só a película soube registar, cabe às cinematecas conquistar o poder de escolherem com que material pretendem trabalhar: "a película não é uma questão de direito, mas sim de vontade e, posteriormente, de prática".

A visão de um cineasta, nesta matéria, ficou a cabo de Manuel Mozos, realizador de XAVIER (1992) ou RUÍNAS (2010). Admitindo vantagens e interesse de se filmar em digital (sobretudo, na captação de som), espera, contudo, que a película e o seu fabrico permaneça. E remata: "faz falta um laboratório industrial 'à portuguesa'".

O passado, presente e futuro da Tobis mereceram, também, longa discussão. Ainda segundo José Manuel Costa, as máquinas pertencentes àquele laboratório de produção foram adquiridas, em Setembro passado, pelo Estado com o intuito de serem transferidas para o ANIM — um processo ameaçado pelas mediáticas limitações (financeiras, recursos humanos, etc.) que a Cinemateca enfrenta. Tiago João Silva, em representação da Tobis, foi parco mas contundente na descrição actual da empresa: o processo de liquidação está em curso, as máquinas seladas e desligadas, tudo "à espera de um destino".

Houve espaço, também, para a partilha de opiniões que marcam esta dicotomia película/digital:

. que um cineasta, independentemente da sua idade e estatuto, possua a liberdade de escolher o formato com que pretende trabalhar, e que essa sensibilidade seja transmitida aos estudantes de Cinema;
. do ponto de vista da qualidade e do respeito à obra original, o restauro digital não é inteiramente controlável — em muitos dos casos, são restauros que poderiam ser efectuados analogicamente;
. por razões económicas, a luta pela película está a diminuir ("o analógico é um trabalho de resistência");
. e a quase provocadora noção do ambíguo contributo do digital para a restauração do som: pelo desaparecimento de uma grande fatia de matrizes de áudio, "as vozes famosas, e que julgamos conhecer tão bem, são escutadas de forma muita distante da original".

No final, e como é habitual num debate sobre o futuro da película, as interrogações são mais que as conclusões. Apenas a certeza de que o "trabalho de resistência" para os amantes da película — e o Fórum Doclisboa esteve, hoje, repleto deles — está para durar.

sábado, 13 de outubro de 2012

To Save and Project

Celebração de obras primas preservadas e redescobertas do cinema mundial, o To Save and Project — Festival Internacional de Preservação Cinematográfica (uma iniciativa do Museum of Modern Art) assinala, de 11 de Outubro a 12 de Novembro, o seu décimo aniversário com uma selecção densa e variada de filmes mas onde predomina o sentido de salvaguardar e exibir cinema da forma mais clássica possível.


imagem de CALL HER SAVAGE (1932), de John Francis Dillon

O programa abrange desde uma curta colorida manualmente datada de 1907 (EN AVANT LA MUSIQUE) até UPRISING, uma compilação de imagens recolhidas durante alguns dos momentos mais marcantes da Primavera Árabe supervisionada pelo programa Herança Audiovisual da Unesco.

Pelo meio, destacam-se versões restauradas de CALL HER SAVAGE (1932, John Francis Dillon, com Clara Bow), WILD GIRL (1932, Raoul Walsh), IL GENERAL DELLA ROVERE (1959, Roberto Rossellini) e LOLA (1961, Jacques Demy).


Anouk Aimée em LOLA (1961), de Jacques Demy

E depois há o "pormenor de classe": toda a programação, com poucas excepções, será projectada em película. Ou, nas palavras de Joshua Siegel, director do festival, «Ainda não estou inteiramente convencido de que a tecnologia digital tenha alcançado um ponto de sofisticação para a comparar, sequer, com a qualidade do celulóide projectado no grande ecrã».

Um evento obrigatório para quem "padece" do Síndroma do Vinagre...

[Fonte: The New York Times.]

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

THE MASTER em 70mm



Realizou-se ontem à noite, no Music Box Theatre em Chicago, a primeira de uma série limitada de projecções em 70mm do novo filme de Paul Thomas Anderson, THE MASTER.

Entre as várias reacções, possíveis de serem recolhidas na rede social Twitter por quem compareceu àquela sessão especial, rapidamente nos apercebemos que se trata de um filme visualmente soberbo. Sobretudo, por recorrer ao 70mm, o formato predilecto de Paul Thomas Anderson...:

Mike Eisenberg: "THE MASTER in 70mm was so gorgeous my eyes nearly exploded."

Mark Colomb: "#themaster was beautiful. Amazing to look at."

Xan Aranda: "Never realize how hungry your eyes are til you see something beauuuutifully shot & projected on film."

Mark Schoeck: "'The Master' was beautiful. What a wonderful experience in 70mm."

Phillip Jackson: "70mm looked amazing such detail yet softness. Felt like IMAX but small screen."

Scott Tobias: "See 'The Master' in 70mm and then talk about digital as 'progress.' Yeah, didn't think so."

Sean Dove: "I can't even express to you how amazing the 70mm picture was in 'The Master.'"

Brian Tallerico: "#TheMaster70mm should make all those who led the charge for digital filmmaking weep in shame."

Lawrence Benedetto: "I'm not at a level capable of reviewing what I just saw, but I know it was absolutely gorgeous in 70mm."

Chris Zois: "Going to need some time to mull over 'The Master.' I will say 70mm is gorgeous."

Ignatiy Vishnevetsky: "You really need 70mm to appreciate all the trouser textures & high waists."

E a lista de elogios, não só à qualidade intrínseca do filme, mas como ao facto de ser rodado e projectado em película de grande formato, é interminável...

sexta-feira, 4 de maio de 2012

The Film Foundation for Classic 35mm Screening & Poster Series



A Mondo e a Alamo Drafthouse, em parceria com a The Film Foundation, a organização de preservação cinematográfica de Martin Scorsese, apresentam uma série de exibições especiais de oito clássicos recentemente restaurados em 35mm (fruto do programa '1 Frame, 1 Dollar') entre Maio e Junho, no Alamo Drafthouse Ritz, em Austin (Texas).

Para assinalar o evento e respectiva ilustração do programa, a Mondo (loja on-line especializada na concepção de posters de cinema com visual especificamente retro) criou uma série especial de posters — dois ainda não foram publicamente divulgados — para cada sessão:

7 de MAIO — MENTIRA (1943, Alfred Hitchcock)



Preservado pela Biblioteca do Congresso em cooperação com a Universal Studios, financiado pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood e The Film Foundation.

14 de MAIO — A TRINDADE MALDITA (1925, Tod Browning)



Restaurado pela George Eastman House em parceria com a Warner Brothers, financiado pela Warner Brothers e The Film Foundation.

21 de MAIO — RASHOMON — ÀS PORTAS DO INFERNO (1950, Akira Kurosawa)

Restaurado por The Academy Film Archive, The National Film Center of the National Museum of Modern Art e Tokyo and Kadokawa Pictures, Inc., financiado pela Kadokawa Culture Promotion Foundation e The Film Foundation.

28 de MAIO — KING KONG (1933, Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack)



Preservação financiada pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood e The Film Foundation.

4 de JUNHO — HORIZONTES DE GLÓRIA (1957, Stanley Kubrick)



Restaurado pela UCLA Film & Television Archive, financiado pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood e The Film Foundation.

11 de JUNHO — THE OLD DARK HOUSE (1932, James Whale)



Preservado pela Biblioteca do Congresso em cooperação com a Universal Studios, financiado por The Film Foundation.

18 de JUNHO — A SOMBRA DO CAÇADOR (1955, Charles Laughton)

Restaurado pelo UCLA Film & Television Archive em cooperação com a Metro-Goldwyn-Mayer Studios, Inc., financiado por Robert Sturm e The Film Foundation.

Nota: não deixem de consultar as oito obras-primas recentemente seleccionadas para restauração pelo programa de doações '1 Frame, 1 Dollar'... e, se puderem, contribuam.

[Fontes: The Film Foundation, Alamo Drafthouse, IndieWire e The Austin Chronicle.]