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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Estreia da Semana: THE POST



THE POST, de Steven Spielberg, rodado em película de 35mm (Kodak Vision3 50D 5203, Vision3 250D 5207, Vision3 500T 5219).

«Digital photography is a science. Film photography is a chemical miracle. You never quite know what you're gonna get after the film takes a bath, and exposes the positive from the negative. (...) There's grain — number one — and the grain is always moving, it's swimming. Which means, even in a still life, let's say a flower on a table: that flower is alive even though it's not moving, because the image itself is alive.»



[Imagem: Niko Tavernise, Twentieth Century Fox Corporation].
[Vídeo: Fox 5 DC].

domingo, 7 de janeiro de 2018

Nunca se Escreveu Tanto Sobre a Película — Parte 4



Nos últimos meses, a atenção mediática, em torno de formatos analógicos na Sétima Arte, discursou sobre os profissionais que continuam a eleger a película como principal suporte de trabalho, os méritos e peculiaridades das projecções em 70mm (com PHANTOM THREAD em destaque), novas perspectivas sobre restauro de Cinema Mudo e o elogio aos projeccionistas de película.

"IndieWire spoke to the 10 cinematographers about the visual impact of shooting on Kodak film."
Bill Desowitz, in 10 Cinematography Masters Who Love Celluloid, from 'Dunkirk' to 'Wonder Woman', IndieWire.

"For now, 70mm is easing its way back into the mainstream, but thanks to the dedication of organizations life TIFF, hopefully the resurrection of the medium is pushed a little further into the light."
Andrew Parker, in TIFF showcases the rarity and resurgence of 70mm film, The Gate.

"I think there's a real renaissance to what film is. It’s another tool that we have that we shouldn’t give up. It's another paintbrush. Why should we be limited to one tool?"
Ed Lachman, citado por Carolyn Giardina, in From 'Dunkirk' to 'The Post,' Some Key Oscar Contenders Relied on Film, The Hollywood Reporter.

"Shot in 35mm, it was Anderson’s original intention to shoot the film so that he got a particularly fine grain image that he could easily blow up to 70mm."
Chris O'Falt, in Why the ‘Phantom Thread’ 70mm Screenings Are a Unique Experiment That Could Look Significantly Different, IndieWire.

"We really wanted to close the loop with silent film preservation and restoration(...) We were, in a sense, giving back, and giving these films back to the world."
Mick LaSalle, in Silent Film Fest expands into preservation, San Francisco Chronicle.

"La disparition des projectionnistes n’a pas fait de bruit. Silencieux et discrets, jusqu’au bout."
Valère Gogniat, in La mort silencieuse des projectionnistes, Le Temps.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Oscars 2013 e o progressivo afastamento da película


Robert Richardson, director de fotografia nomeado por DJANGO LIBERTADO.

No que diz respeito a Oscars, a atenção d'O Síndroma do Vinagre está impreterivelmente focada nas nomeações para Melhor Fotografia. E 2013 revela-se fundamental para a análise da crescente influência do digital nas escolhas da Academia.

Não deixa de ser curioso observar que, dos cinco nomeados nesta categoria, os títulos rodados em película de 35mm estão em maioria:

. ANNA KARENINA (fotografado por Seamus McGarvey)
. DJANGO LIBERTADO (fotografado por Robert Richardson)
. LINCOLN (fotografado por Janusz Kaminski)

Os restantes nomeados — e aqui parece residir o favoritismo a arrecadar o Oscar — são:

. A VIDA DE PI (fotografado por Claudio Miranda, com recurso à câmara digital Arri Alexa)
. 007 — SKYFALL (fotografado por Roger Deakins, com recurso às câmaras digitais Arri Alexa e Red Epic)

Contudo, o nosso principal objecto de reflexão vai para os filmes que não foram nomeados. Curiosamente ou não, as obras que, durante 2012, mais investiram nas potencialidades da película enquanto ferramenta estética e/ou comercial:

. ARGO, de Ben Affleck, fotografado por Rodrigo Prieto que alternou, criativamente, quatro formatos diferentes: digital, Super 8, 16mm e 35mm;
. BEASTS OF THE SOUTHERN WILD, de Benh Zeitlin, fotografado por Ben Richardson num 16mm "naturalista";


. CLOUD ATLAS, de Tom Tykwer, Andy e Lana Wachowski, fotografado por Frank Griebe e John Toll em 35mm, num esforço para alcançar a "orgânica visual" da imagem;
. THE MASTER, de Paul Thomas Anderson, fotografado por Mihai Malaimare Jr. em fulgurante 70mm, tendo o filme sido várias vezes exibido nesse formato;


. O CAVALEIRO DAS TREVAS RENASCE, de Christopher Nolan, fotografado por Wally Pfister em 35mm e IMAX 65mm, o qual ganhou um Oscar em 2010 por A ORIGEM usando estas mesmas técnicas;
. MOONRISE KINGDOM, de Wes Anderson, fotografado por Robert Yeoman com a luxuosa película 16mm da Kodak;


. e SAMSARA, realizado e fotografado por Ron Fricke inteiramente em 70mm, durante quatro anos, em 25 países e cinco continentes.

A percepção da natureza visual dos títulos nomeados, e dos que ficaram de fora, revela-se um interessante exercício que permite tomar o pulso do "duelo" entre a película e o digital. E a sonegação, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, da criatividade gerada a partir da escolha do formato de origem de um filme — um dos principais critérios de selecção para o Oscar de Melhor Fotografia — não esconde qual dos lados está a dominar.

[Fonte: Tribeca — Future of Film.]