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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #308 — BONANZA



A doze de Setembro de mil novecentos e cinquenta e nove, a NBC transmite o primeiro episódio da série BONANZA, naquele que se tornou o momento seminal de um western televisivo cuja popularidade perdurou até aos nossos dias. Filmado a cores desde o seu início, e ao longo de catorze temporadas exibidas até meados da década de setenta, BONANZA acompanhava as aventuras da família Cartwright, dirigida pelo "patriarca" Ben (Lorne Greene) com os seus três filhos (interpretados por Pernell Roberts, Dan Blocker e Michael Landon), ao mesmo tempo que, com sensibilidade e um humanismo muito inusitados para a sua época, abordava temas como o racismo, o anti-semitismo ou preconceitos de ordem social.

No primeiro episódio de BONANZA, intitulado 'A Rose for Lotta', visitamos pela primeira vez o Racho Ponderosa (local que serviria de inspiração para um parque temático, aberto ao público até dois mil e quatro) e, acima de tudo, o famoso tema do genérico da série composto por Jay Livingston e Ray Evans. Por entre um dinâmico argumento que versa sobre o rapto do irmão mais novo dos Cartwright, permanece a curiosidade de observamos, no elenco, as participações especiais de Yvonne De Carlo, eleita "Rainha do Technicolor" nos anos cinquenta, e George Macready, celebrizado pelo seu papel do general francês Paul Mireau em PATHS OF GLORY, de Stanley Kubrick.



[Fontes: National Broadcasting Company (NBC) / Rosi Medi].
[Imagem: National Broadcasting Company (NBC) / Logopedia].

domingo, 1 de setembro de 2019

O Arquivo do Dia #301 — No Aniversário de Lily Tomlin



Actriz, humorista e cantora norte-americana, o percurso de Lily Tomlin, no grande ecrã, é indissociável dos trabalhos de Robert Altman (NASHVILLE, pelo qual foi nomeada ao Oscar de Actriz Secundária, e SHORT CUTS), Robert Benton (THE LATE SHOW), Carl Reiner (ALL OF ME) e, mais recentemente, David O. Russell (FLIRTING WITH DISASTER).

Paralelamente a esta filmografia, foi na televisão que Lily Tomlin se revelou junto do público norte-americano. Graças à sua "veia" humorística e a uma particular capacidade de transformação, a actriz desempenhou diversas personagens, durante os anos sessenta e setenta, em séries como ROWAN & MARTIN'S LAUGH-IN, THE CAROL BURNETT SHOW ou SATURDAY NIGHT LIVE. Assim, no dia do seu aniversário, recordamos um exemplo do humor explanado por Lily Tomlin em ROWAN & MARTIN'S LAUGH-IN; em concreto, na pele de Ernestine, uma peculiar telefonista sem qualquer pejo em partilhar com a CIA uma ou duas recomendações de segurança nacional.



[Fontes: George Schlatter-Ed Friendly Productions / Romart Inc. / NBC / Rowan & Martin's Laugh-In].
[Imagem: Matt Sayles / Invision / Associated Press / BuzzFeed].

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O Arquivo do Dia #243 — Quiz Show



Para quem viu QUIZ SHOW (drama histórico realizado, em 1994, por Robert Redford, e protagonizado por Ralph Fiennes e John Turturro), o nome de Charles Van Doren não será inteiramente desconhecido. Escritor e editor norte-americano, membro de uma das famílias mais proeminentes da alta sociedade nova-iorquina, a memória cultural reteve, acima de tudo, o papel que desempenhou, enquanto vitorioso concorrente do programa Twenty-One, nos escândalos que abalaram a popularidade dos concursos televisivos norte-americanos dos anos 50.

No dia em que se noticia o falecimento de Charles Van Doren, o Arquivo recorda o episódio em que o anterior concorrente, Herbert Stempel erra, deliberadamente, uma pergunta sobre o vencedor do Oscar de Melhor Filme de 1955, para dar lugar ao triunfo de Charles Van Doren, num conjunto de imagens que não só serviu de base ao filme de Robert Redford, como formam um testemunho — embora falacioso — da Era Dourada da televisão norte-americana.



[Fontes: NBC / BlackwoodCompany].
[Imagem: TV Radio Mirror / Macfadden Publications].

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

O Arquivo do Dia #220 — Oscars no Pequeno Ecrã



A 19 de Março de 1953, realiza-se a primeira cerimónia dos Oscars com direito a transmissão televisiva. Organizada, em simultâneo, no RKO Pantages Theatre (Hollywood) e no NBC International Theatre (Nova Iorque), a entrega dos prémios da Academia foi emitida pela NBC sem "sobressaltos" técnicos de registo, tendo um número estimado de 30 a 40 milhões de telespectadores assistido às vitórias de, entre outros, THE GREATEST SHOW ON EARTH (Melhor Filme), de John Ford pela realização de THE QUIET MAN, do ausente Gary Cooper por HIGH NOON (Melhor Actor) e de Shirley Booth por COME BACK, LITTLE SHEBA (Melhor Actriz).

Gravado pelos serviços da rádio das Forças Armadas, o "filme" dos Oscars de 1953 permite observar algumas das estrelas da Sétima Arte daquela época (Ginger Rogers, Frank Capra, Joan Fontaine, James Stewart, Teresa Wright, Walt Disney ou Mary Pickford), apreciar o humor do anfitrião Bob Hope ("If you win one Oscar, you’re good; if you win two, you’re greedy; if you won three, you’re Frank Capra"), conhecer os temas musicais nomeados e, para os mais diligentes, constatar a evolução que a cerimónia registou até aos nossos dias.



[Fontes: NBC / Internet Archive.]
[Imagem: J. R. Eyerman / The LIFE Picture Collection / Getty Images / Time Magazine.]

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O Arquivo do Dia #209 — No Aniversário de Ida Lupino



«Your unique personality can influence and alter the march of advance.»

No dia em que Ida Lupino, pioneira do trabalho no feminino em Hollywood pela realização e produção de filmes (tais como THE HITCH-HIKER ou THE TROUBLE WITH ANGELS) no seio da indústria norte-americana, completaria 101 anos de idade, a melhor forma de O Arquivo do Dia invocar a sua vida e obra é, evidentemente, através da imagem em movimento.

Em concreto, recordamos a participação especial de Ida Lupino no programa This Is Your Life, emitido em 1958 pela NBC, onde a actriz, num registo de "frágil" comoção que raramente lhe vimos, recapitula os episódios mais marcantes do seu percurso pessoal e artístico ao lado de familiares, colegas de profissão e amigos íntimos.



[Fontes: Ralph Edwards Productions / NBC / Alan Eichler.]
[Imagem: UCLA Film & TV Archive.]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O Arquivo do Dia #194 — No Aniversário de John Carpenter



John Carpenter, cineasta norte-americano de culto e autor de títulos capitais do cinema de terror e ficção-científica dos anos 70 e 80 — ASSAULT ON PRECINT 13 (1976), HALLOWEEN (1978), THE FOG (1980), THE THING (1982), STARMAN (1984), THEY LIVE (1988)... —, celebra hoje 70 anos.

Para assinalar a data, o Arquivo de hoje resgata a presença de John Carpenter no Late Night com David Letterman, emitida a 9 de Junho de 1982, onde o realizador, para além de promover a estreia de THE THING, fala sobre a importância do controlo artístico, de como gerar milhões nas bilheteiras com um filme produzido por apenas três mil dólares, e das reacções diversas das plateias ao terror no grande ecrã, num diálogo sucinto e informal de um autor que, à data daquela entrevista, demonstrava plena convicção no seu talento e nas ambições para o futuro da sua carreira.



[Fontes: NBC / Wichita Big Screen].
[Imagem: Bloody Disgusting].

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

O Arquivo do Dia #186 — O Dia da Ficção-Científica



Todos os anos, comemora-se a 2 de Janeiro, nos Estados Unidos, o Dia Nacional da Ficção-Científica. Embora não seja considerado como um feriado oficial, milhares de fãs escolheram esta data (a mesma do nascimento do escritor Isaac Asimov) para assinalar os méritos narrativos e temáticos do género — e, aparentemente, hoje é o dia ideal para se ver aquele filme de ficção-científica de eleição.

Assinalando a data, O Arquivo do Dia recupera a entrevista concedida por Isaac Asimov a David Letterman, emitida pela NBC a 21 de Outubro de 1980, onde o criador de I, Robot e da saga Fundação debate o futuro, não muito distante, de áreas tão abrangentes como a medicina, o armamento mundial, as telecomunicações e a própria Humanidade. O retrato breve e consumado de um escritor prolífico, aclamado e profético que, conforme as suas palavras em múltiplos textos e participações públicas, desejou que o recordassem como um indivíduo que viveu sempre para o prazer da escrita.



[Fontes: NBC / Don Giller].
[Imagem: Toronto Star].

sábado, 15 de dezembro de 2018

O Arquivo do Dia #172 — O Centenário de Jeff Chandler



Se fosse vivo, Jeff Chandler completaria hoje 100 anos. Actor norte-americano, tornou-se célebre não só pelo semblante de galã que a imprensa cor-de-rosa nutriu durante os anos 50, mas sobretudo enquanto secundário habitual de westerns e film noirs, dos quais se destacam BROKEN ARROW (1950, ao lado de James Stewart, tendo sido nomeado para Oscar), DEPORTED (1950, de Robert Siodmak) e FEMALE ON THE BEACH (1955, Joseph Pevney).

Para além da representação, Chandler enveredou por uma modesta carreira musical, tendo editado, entre 1957 e 1966, três álbuns de originais. Recordamos hoje essa faceta, algo desconhecida para a maioria dos que seguiram o seu percurso no grande ecrã, através da sua interpretação de There Goes My Heart, emitida pelo THE STEVE ALLEN SHOW, popular programa de variedades da NBC, em Setembro de 1957.



[Fontes: NBC / vintage video clips].
[Imagem: Radio Spirits].

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

O Arquivo do Dia #164 — '68 Comeback Special



A 3 de Dezembro de 1968, a NBC transmite Singer Presents...Elvis, um programa especial que assinalou o regresso de Elvis Presley às interpretações ao vivo, após sete anos de uma carreira inteiramente dedicada ao Cinema. Também referido como '68 Comeback Special, a emissão foi elogiada pelo público e crítica, sendo hoje em dia considerado por muitos como um momento de renascimento no percurso artístico do Rei do Rock.

Dos vários segmentos que compuseram o programa, marcado por uma atmosfera intimista que se tornaria percursora dos MTV Unplugged dos anos 90, a História e a cultura popular registaram as actuações de Guitar Man e If I Can Dream. À frente de cenários televisivos com dimensão proporcional à fama do protagonista (nomeadamente, o número defronte de um logotipo gigante com o seu nome), eis dois números que revelaram um Elvis Presley em absoluta posse das suas qualidades de intérprete e entertainer.





[Fontes: NBC / Elvis Presley VEVO].
[Imagem: NBC / Howe Productions / Kobal / Variety].

sábado, 27 de outubro de 2018

O Arquivo do Dia #140 — O Centenário de Teresa Wright



Se fosse viva, Teresa Wright completaria hoje 100 anos. Nova-iorquina de gema, iniciou desde muito cedo a sua carreira no grande ecrã, por intermédio do lendário produtor Samuel Goldwyn, que a escolheu para o elenco de LITTLE FOXES (1941), estreia que lhe mereceu uma nomeação ao Oscar de Melhor Actriz Secundária. A partir desse momento, Teresa Wright foi presença assídua em projectos de alguns dos principais nomes da Era Clássica de Hollywood: William Wyler (MRS. MINIVER, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Actriz em 1942, e THE BEST YEARS OF OUR LIVES), Alfred Hitchcock (SHADOW OF A DOUBT), Sam Wood (THE PRIDE OF THE YANKEES), Raoul Walsh (PURSUED) e Fred Zinnemann (THE MEN).

Numa carreira com mais de cinquenta anos de actividade, Teresa Wright distinguiu-se, igualmente, na televisão. Para comemorar o seu centenário, resgatamos dos arquivos da NBC a sua participação em NO. 5 CHECKED OUT, episódio realizado por Ida Lupino e integrante da série Screen Director's Playhouse.



[Fontes: National Broadcasting Company (NBC) / Fans of Ida Lupino].
[Imagem: The Samuel Goldwyn Company / Self-Styled Siren].

domingo, 14 de outubro de 2018

O Arquivo do Dia #132 — Em Directo do Espaço



A 14 de Outubro de 1968, a tripulação da Apollo 7, comandada por Walter M. Schirra, protagoniza a primeira transmissão televisiva com imagens emitidas directamente do espaço. A missão orbitou a Terra, durante onze dias, com o intuito de testar sistemas de suporte de vida, de controle e propulsão, num importante ensaio para o veículo que, um ano mais tarde, levaria o Homem à Lua.

Emitida pela NBC, a transmissão demorou cerca de dezoito minutos e, apesar das imensas interferências e estática que marcaram o processo, assumiu-se como um progresso sem precedentes na História da cobertura televisiva do programa espacial Apollo.



[Fontes: NBC News / zellco321].
[Imagem: NASA].

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

O Arquivo do Dia #100 — Burt Reynolds (1936 - 2018)



«I wanna direct more than anything else, that's really want I wanna do. It's the difference between being a chess player and a chess pawn. And besides, you don't have to hold your stomach in.»

Em 1979, Burt Reynolds é entrevistado por Johnny Carson, a propósito da estreia de STARTING OVER. Uma amena e cúmplice cavaqueira, que aborda desde a natureza de se ser um actor de Hollywood nos fins dos anos 70, impressões políticas, actrizes favoritas e o desejo de Reynolds — talvez nunca definitivamente concretizado — em enveredar pela carreira de realizador.



[Fontes: NBC / Missy Logo].
[Imagem: jacksign].

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #46 — Gene Roddenberry Apresenta



A 29 de Junho de 1964, Gene Roddenberry apresenta o esboço inicial de THE CAGE, o episódio piloto da série de culto O CAMINHO DAS ESTRELAS. Encarado como "demasiado intelectual" e "com pouca acção" pelos executivos da NBC, este episódio nunca foi transmitido pelo canal de televisão nos anos 60.

Considerado perdido durante décadas, com excepção de uma versão a preto e branco em 16mm do próprio Roddenberry, THE CAGE foi reencontrado numa cópia 35mm em 1987 e rapidamente integrado no catálogo da série, através de uma edição em VHS que, entre vários "extras", continha esta introdução, raramente vista, ao episódio por Gene Roddenberry.



[Fontes: NBC / videoholic50s60s70s].
[Imagem: Paramount Television / IMDB].

terça-feira, 12 de junho de 2018

O Arquivo do Dia #30 — O Centenário de Samuel Z. Arkoff



Se fosse vivo, Samuel Z. Arkoff completaria hoje 100 anos. Produtor cinematográfico, com particular afeição pelo Cinema de série B, os filmes de Arkoff foram determinantes para o estabelecimento e/ou remição das carreiras de Jack Nicholson, Woody Allen, Nick Nolte, Diane Ladd ou Dennis Hopper, e o seu nome tornou-se indissociável do sucesso de títulos como BLACULA (1972) e AMITYVILLE — A MANSÃO DO DIABO (1979).

No Arquivo hoje destacado, datado de 1986, Samuel Z. Arkoff, de charuto em punho (uma imagem absolutamente intolerável para as normas da televisão contemporânea), partilha com David Letterman alguns destaques da sua carreira, ao mesmo tempo que "desmistifica" o significado da "Fórmula ARKOFF": Action Revolution Killing Oratory Fantasy Fornication.



[Fontes: NBC / dwfake].
[Imagem: IMDB].

sábado, 2 de dezembro de 2017

Lost TV



Ao longo de mais de meio século, o jornalismo e o pensamento crítico têm debatido os méritos da difusão televisiva, nas suas vertentes generalistas, de ficção, documental ou de "variedades", e com particular enfoque no conceito, maioritariamente anglo-saxónico, da Golden Age of Television1. Todavia, aparenta ser evidente a ausência de um estudo aprofundado, com os respectivos e necessários alertas, sobre as especificidades de conservação e acessibilidade de conteúdos produzidos para Televisão.

Ao contrário do Cinema, no qual a película de nitrato e, posteriormente, de celulóide foram os métodos reinantes para produção e preservação, a Televisão, praticamente desde a sua invenção, sempre se debateu com dilemas inerentes a uma diversidade de formatos de emissão, registo e arquivo. Talvez por esse motivo, e aliado a uma ausência de apreensão em torno dessas actividades pelos responsáveis de networks de todo o mundo, o estado de conservação de muita da difusão televisiva do Século XX encontra-se em risco ou, simplesmente, desaparecida.

Tendo em conta que, até 1939, as emissões não eram gravadas pela inexistência dessa prática nas estações televisivas, não existe qualquer registo de todas as transmissões até àquela data. Para além disto, e quando os conteúdos do pequeno ecrã já eram alvo de gravação em formatos como película, o Cinescópio ou fita magnética, é sabido que casas tão conceituadas como a BBC e a NBC levaram a cabo aquilo que ficou designado como wiping (o apagamento, reutilização ou destruição de telegravações), o qual era motivado pela falta de espaço de armazenamento, escassez de materiais de gravação ou ausência de direitos de retransmissão de programas.



Da junção destes factores, e sem ser necessário empreender uma pesquisa exaustiva, rapidamente se encontram exemplos notórios de produção televisiva considerada como perdida. Senão, vejamos:

  • no Japão, não é conhecido o paradeiro de 31 episódios da série original de 1973 do popular personagem DORAEMON. De acordo com algumas fontes, acredita-se que esse material ter-se-á perdido após a falência da sua produtora, a Nippon TeleMovie Productions;
  • no Reino Unido, 97 episódios das primeiras duas temporadas da série DOCTOR WHO estão considerados como perdidos. A BBC já anunciou que não consegue localizar esses programas nos seus arquivos. Existem, contudo, registos áudio efectuados pelos fãs da série;
  • só é conhecido o paradeiro de um episódio da série de ficção-científica A FOR ANDROMEDA;
  • devido ao wiping que se praticava na BBC, grande parte das emissões do popular programa de divulgação musical TOP OF THE POPS não chegou aos nossos dias. Entre as transmissões apagadas ou destruídas, contam-se a última aparição televisiva ao vivo dos Beatles, assim como as estreias de David Bowie ou dos Pink Floyd2;
  • nos Estados Unidos, não é possível localizar episódios de programas célebres como THE DICK CAVETT SHOW, THE ED SULLIVAN SHOW, JEOPARDY! ou SESAME STREET. Neste território, o caso mais relevante é o de THE VAMPIRA SHOW: apresentado pela icónica Vampira, não se conhece o paradeiro de qualquer episódio gravado da primeira série de terror exibida nos EUA3;
  • a transmissão original da missão espacial Apollo 11, onde Neil Armstrong se tornou no primeiro homem a pisar a Lua, registada em slow-scan television (com melhor resolução de imagem) está considerada como perdida;
  • em Espanha, as gravações de centenas de episódios do popular concurso UN, DOS, TRES... RESPONDA OTRA VEZ foram destruídas ou estão perdidas.

Desta análise histórica, e encarando também o presente e futuro de diversas implicações tecnológicas, depreende-se que os desafios da preservação televisiva são mais melindrosos que os do Cinema. E para a eficaz concretização dessa tarefa, revela-se premente balizar e compreender três eixos essenciais: a gravação (recording), conservação e acesso futuro de dezenas de horas diárias de emissão.



Nesse particular, e (agora) à semelhança do que acontece com a Sétima Arte, a produção televisiva do Século XXI, maioritariamente em formatos digitais, acarreta novas problemáticas que não aparentam ter resolução a médio prazo. Programas de inegável valor artístico, como HOUSE OF CARDS ou STRANGER THINGS, são disponibilizadas ao grande público através de plataformas assentes em streaming e/ou cloud-based e, numa fase posterior, em edições home cinema. Contudo, mesmo que o risco contemporâneo de perda de conteúdos seja menor, a conservação dos masters originais dessas séries está longe de ser realisticamente assegurada.

Apesar dos riscos identificados, o panorama actual da preservação televisiva ainda permite (faça-se justiça!) encontrar a adopção de boas práticas. O caso da insígnia Netflix, e de como, em 2014, decidiu submeter a série ORANGE IS THE NEW BLACK em VHS para conservação pela Biblioteca do Congresso, revela que os "velhinhos" métodos de arquivo de materiais audiovisuais não estão assim tão obsoletos.

Notas:
1 Expressão cunhada por Anthony Slide, na obra The Television Industry: A Historical Dictionary (1991).
2 Uma das principais forma de redescoberta de programas televisivos é através de gravações feitas por particulares que só mais tarde conhecem a luz do dia. É exemplo disso a recuperação de uma interpretação de Jean Genie, por David Bowie em 1973, e que esteve perdida durante décadas.
3 O único material conhecido desta série é um excerto da abertura, disponível para visualização no YouTube.

Imagens:
1 Arquivos de Televisão.
2 THE VAMPIRA SHOW, AFS ViewFinders.
3 Cópia em VHS da série ORANGE IS THE NEW BLACK, The Verge.