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terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Arquivo do Dia #99 — Veneza, 1958



No Festival de Veneza de 1958, e numa Competição composta por obras como EN CAS DE MALHEUR (Claude Autant-Lara), LES AMANTS (Louis Malle), GOD'S LITTLE ACRE (Anthony Mann) e LA SFIDA (Francesco Rosi), o júri presidido por Jean Grémillon consagrou Hiroshi Inagaki, pelo seu MUHOMATSU NO ISSHO, com o Leão de Ouro para Melhor Filme.

As câmaras da British Pathé, a cujos arquivos hoje recorremos, capturaram os principais momentos da cerimónia de entrega de prémios, onde, para além de Inagaki, subiram ao palco Sophia Loren, Louis Malle, Francesco Rosi e David Lean (em representação do ausente Alec Guinness, Melhor Actor por THE HORSE'S MOUTH).

[Fonte: British Pathé].
[Imagem: Getty Images / Vogue Paris.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

DUNKIRK e o Renascimento do 70mm



Até ao final de 2017, muito dificilmente veremos uma obra com a mesma dimensão visual que este DUNKIRK.

Como sobejamente sublinhado pela imprensa cinematográfica, Christopher Nolan recriou a evacuação, em 1940, do exército britânico de Dunquerque, inteiramente com câmaras IMAX 65mm e em película de 65mm. Uma decisão estética que não só é o principal triunfo do filme, como providencia as luzes necessárias para se compreender, nesta era dominada por uma lógica de distribuição assente no cinema digital, as potencialidades económicas do 70mm. Os números da afluência de espectadores às sessões neste formato são elucidativos, assim como a unanimidade crítica em torno dos méritos da projecção em grande formato.

Na verdade, a experiência de se observar DUNKIRK em 70mm ou em IMAX (como foi o meu caso), eleva o filme da grande maioria das estreias cinematográficas agendadas para os próximos meses; possivelmente, apenas STAR WARS: THE LAST JEDI, com algumas sequências também filmadas em 65mm, conseguirá rivalizar.

Da mesma forma, revela-se tarefa árdua encontrar antecedentes perante o espectáculo cinematográfico construído por Christopher Nolan. Veja-se as sequências aéreas — profusas na manipulação do nosso sentido de orientação e detentoras de um cariz quase realista —, sem dúvida as mais bem conseguidas pelo filme e que parecem invocar o documentário SKY OVER HOLLAND (1967, John Fernhout), um "postal turístico" dos Países Baixos capturado em Superpanorama 70. Ou o alinhamento de milhares de homens nas praias de Dunquerque, visão desoladora pontada pelo negrume do areal em total oposição com a alvura dos desertos em Super Panavision 70 de LAWRENCE DA ARÁBIA (1962, David Lean).

De um ponto de vista crítico, DUNKIRK não é isento de lacunas: o sofrimento e angústia destes soldados, retidos em França com a pátria mesmo "ali ao lado", não conseguem ser mais do que superficiais, e a omnipresente banda sonora de Hans Zimmer tem, a partir de certa altura, um teor deveras saturante.

Mas a Nolan não se poderá, em nenhuma ocasião, negar o valor de revisitar a Segunda Guerra Mundial segundo um método de trabalho old school, com parco recurso ao CGI e ressuscitando o 70mm como o maior formato (em tamanho, envolvimento e resolução) do Cinema.

[Imagem: Music Box Theatre‏.]

sábado, 13 de maio de 2017

A Preservação do Cinema em 1990



Exibido pela BBC2, a 3 de Novembro de 1990, este episódio do programa informativo Moving Pictures esboçava, já nos primórdios da derradeira década do Século XX, os contornos das polémicas e dos desafios contemporâneos que gravitam em torno da preservação da memória de uma Arte que, à época desta emissão, raiava os cem anos de existência.

Com narração do historiador David Thomson, não faltam referências aos nomes e "incidentes" que ainda regem a preservação e restauração da Sétima Arte: a The Film Foundation de Martin Scorsese, a maestria do conservador Robert A. Harris, as primeiras abordagens ao clássico NAPOLÉON de Abel Gance, o advento do director's cut de obras (ENCONTROS IMEDIATOS DO 3º GRAU, NEW YORK, NEW YORK, ...) em versões restauradas ou o restauro como veículo para a apresentação das supostas visões originais de cineastas como David Lean ou Jean Vigo:



[Fonte: VHS Video Vault.]







domingo, 7 de outubro de 2012

"O que as areias do tempo não apagaram"

A nova versão restaurada de LAWRENCE DA ARÁBIA, o clássico de 1962 realizado por David Lean em 70mm, é resultado de um longo e meticuloso (literalmente, frame a frame) trabalho dos profissionais da Sony Pictures Entertainment.



Tomando como base o restauro empreendido em 1988 por Robert A. Harris, com a assistência do próprio Lean e da montadora Anne Coates, esta nova encarnação de LAWRENCE DA ARÁBIA pretende "corrigir os danos no filme que não puderam ser concretizados nos anos 80, simplesmente porque a tecnologia de então não o permitia".

A digitalização do negativo original em 65mm (70mm com banda sonora) para uma resolução de 8k (7680 por 4320 pixels) e posterior redução para um ficheiro de 4k revelou os fotogramas saturados, danificados, riscados e até quimicamente tingidos — e os detalhes do processo estão devidamente explicado neste recomendado artigo do New York Times.



[Fontes: The New York Times e Variety.]